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Cálculo Coraliforme | Colunistas

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Os cálculos renais podem se dividir em coraliformes e não coraliformes. Sendo que os coraliformes são aqueles que ocupa a pelve renal e estende-se a pelo menos a dois grupos calicinais. 

A litíase coraliforme afeta 1 a 1,5% da população (aproximadamente 10% de todas as litíase), mais frequente acima dos 50 anos e no sexo feminino, geralmente são unilaterais.

Cerca de 75% dos cálculos coraliformes são compostos por estruvita (MgNH4 PO4 .6H2 O) ou por uma mistura de estruvita e carbonato de cálcio. Menos frequentemente são compostos por ácido úrico, cistina, oxalato ou fosfato de cálcio. 

Os cálculos de estruvita ou de mistura de estruvita e carbonato de cálcio são denominados cálculos de infecção, sendo que a nefrolitíase coraliforme é de rápido crescimento que, se não for tratada, possivelmente evoluirá com destruição do rim acometido e sepse.

Fisiopatologia

A formação de cálculos de estruvita ocorre tipicamente em doentes com infecções urinárias recorrentes e/ou com algum grau de perturbação da drenagem urinária. Sendo que alguns fatores predisponentes são a obstrução urinária, uso cateteres crónicos, as derivações urinárias e a disfunção miccional neurogênica. 

Além da associação com infecções urinárias, a litíase coraliforme é caracterizada pelo seu rápido crescimento e grandes dimensões.

O cálculo coraliforme de estruvita composto de complexo de magnésio, amônia, fosfato e carbonato. A cristalização na urina vai depender da coexistência de pH 7,2 e de amônia. Em algumas bactérias como Proteus mirabilis, produz enzima urease que transforma ureia em amônia, bicarbonato e carbonato. A hidrolise da ureia pela urease produz uma molécula de ácido carbônico e duas de amônia, levando a neutralização incompleta e elevando o pH da urina.

Outro mecanismo que através da infecção do trato urinário (ITU) pode induzir a forma cálculos é por meio do aumento da aderência dos cristais. A E.coli, bactéria mais comum na ITU, apesar de ela não produzir a urease, pode estar associada na formação de cálculos de estruvita, porém ainda o mecanismo não é bem conhecido, podendo ser devido a destruição das camadas de glicominoglicanos do sistema coletor renal, facilitando a aderência bacteriana, o processo inflamatório local e a formação de matriz orgânica, e a interação dos cristais com a matriz. 

Outras bactérias como a Ureaplasma urealyticum, produzem um tipo de urease que hidrolisa a ureia mesmo em pH urinário baixo.  

Obs.: Nos cálculos de estruvita, que são formados pela ação das bactérias e ainda serve de abrigo para essas, dificultando a ação dos antibióticos.A classificação anatômica, morfológica e  morfométrica do cálculo podem ser uma ferramenta importante na conduta terapêutica e aspectos evolutivos dos cálculos. As bactérias mais comuns são Proteus (76%), Klebsiella, Pseudomonas e Staphylococcus.

Ao estudo tomográfico os cálculos coraliformes são radiopacos e em geral grandes, preenchendo os grupos pielocalicinais, determinando hidronefrose .

Figuras: Uro TC mostrando cálculo coraliforme.  Fonte: https://www.medilaudo.com.br/calculo-coraliforme/ Quadro clínico 

Quadro clínico                             

A clínica do paciente com cálculo coraliforme é variável, podendo ser assintomáticos ou apresentar dor abdominal/ lombar, febre, astenia, náuseas/ vômitos, disúria, polaciúria e hematúria. 

Sendo que a evolução clínica pode culminar com a perda da função renal do rim acometido, devido a infecção, obstrução ou pela redução do ritmo de filtração glomerular. 

Tratamento 

O tratamento deve se basear na remoção, erradicação da infecção e corrigir eventuais distúrbios metabólicos e de anormalidades anatômicas que causem estase urinária. 

Já o tratamento cirúrgico possui o objetivo de deixar o paciente livre de cálculo, facilitando a erradicação da ITU.

O uso de antibióticos (ATB) faz parte do tratamento do pré-operatório até a prevenção de recidivas. Sendo que o ATB pode esterilizar pequenas quantidades de estruvita, não tendo eficácia em grandes massas de cálculos. 

Tratamento intervencionista: O tratamento do cálculo coraliforme, dada a característica da condição, geralmente é um tratamento complexo que pode exigir retratamentos e/ou associação de tratamentos.

  • A nefrolitotrícia percutânea é a forma recomendada de tratamento de cálculo coraliforme por aliar a melhor relação resultado / morbidade. A probabilidade de ficar livre de cálculo com a cirurgia percutânea é de 78%.
  • A litotrícia extracorpórea por ondas de choque em cálculo coraliforme pode ser utilizada ocasionalmente para cálculos não muito grandes e com via excretora normal. Para a litotrícia extracorpórea, a taxa média dos que ficam livres do cálculo é de 54%.
  • A combinação de litotrícia extracorpórea e cirurgia percutânea tem uma taxa livre de cálculo intermediária de 66% e os melhores resultados são aqueles em que se faz nefrolitotrícia percutânea – litotrícia extracorpórea – nefrolitotrícia percutânea. Isto é: o último procedimento é a cirurgia percutânea. Outra feita, os resultados são piores.
  • A cirurgia aberta é muito pouco empregada e reserva-se a casos complexos, de cálculos extremamente grandes e com via excretora desfavorável, e também nas situações de obesidade mórbida ou deformidades esqueléticas, nas quais os equipamentos de imagem e endoscópicos podem não ser suficientes ou adequados. A cirurgia aberta tem uma taxa livre de cálculo de 71%.

Avaliação pré e per-operatória: 

  • A urografia excretora ou a tomografia computadorizada (TC) são importantes para se planejar a cirurgia percutânea. A medida de unidades Housfield na TC permite avaliar a dureza do cálculo e consequentemente a possibilidade de fragmentação. Cálculos abaixo de 500 UH fragmentam-se com facilidade e acima de 1000 UH dificilmente fragmentam-se. A faixa intermediária, entre 500 e 1000 UH pode oferecer alguma dificuldade, mas ainda tem indicação de litotrícia extracorpórea, especialmente aqueles mais próximos do limite inferior.

Avaliação pós-operatória imediata

  • É a revisão nefroscópica que é superior ao raio x simples e, inclusive, à tomografia computadorizada sem contraste hoje tida como “padrão ouro”.

Complicações

  • As principais complicações são: lesão de órgão adjacente, sangramento e infecção, que podem ser minimizadas com o emprego de boa técnica e cuidados de esterilização de material e assepsia. Sangramento mais intenso pode requerer interrupção do procedimento e oclusão do cateter de nefrostomia e, caso persista, pode necessitar de arteriografia para embolização seletiva do vaso sangrante.

Obs.: O tratamento padrão-ouro para cálculos coraliformes é cirúrgico e visa obter um sistema coletor livre de pedras, além de preservar a função renal. A nefrolitotomia percutânea é o tratamento de primeira linha para o cálculo coraliforme com melhores índices de tratamento.

Autora: Leidiaine Neris Arêdes – @leidineris

Referências:

José João Marques, Ciprian Muresan, Rui Lúcio, et al. Litíase coraliforme – caso clínico | Acta Urológica – Dezembro de 2011 – 4: 58–61. Disponível em: https://www.apurologia.pt/acta/4-2011/Litiase-coraliforme.pdf

Lemos, G.C. Fatores de risco no tratamento do cálculo coraliforme por nefrolitotomia percutânea. São Paulo, 2003. 98p. tese (doutorado) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo. Disponível em : https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5153/tde-04102005-140034/publico/gustavocasertalemos.pdf

Isadora E. Silva; Gabriela C. Abreu; Wagner M. Moura; Débora C. Cerqueira; Cinthia A. C. Leandro. Case report of staghorn calculus in a pediatric patient.  J Bras Patol Med Lab. 2019; 55(3): 295-304. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpml/a/8RP3w8TYsY4xTmqcsjY3C8C/?format=pdf⟨=pt


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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