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Cafeína: fisiologia, efeitos e dependência | Colunistas

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A cafeína (1,3,7-trimetilxantina) é uma xantina com propriedades de ação em vários sistemas do corpo humano, sendo a substância com maior poder de ação no sistema nervoso central desse grupo.

É encontrada naturalmente em tipos diferentes de plantas como o café, guaraná, erva-mate, cola e cacau. Vale ressaltar que é a substância estimulante mais consumida e socialmente aceita no mundo — cerca de 90% da população adulta mundial a consome diariamente. 

Devido aos seus efeitos e grande popularidade, a cafeína pode, atualmente, ser encontrada em várias categorias de suplementos e bebidas energéticas.

Uma xícara de café de cerca de 80 mg de cafeína, enquanto doses de termogênicos chegam a 400 mg da substância.

Como a cafeína funciona?

A cafeína é absorvida pelo trato gastrointestinal, tem biodisponibilidade de quase 100% e meia vida de 2 a 12 horas — média de 5 horas. Sua ação tem como base seu potencial antagonista de receptores de adenosina, permitindo a liberação de neurotransmissores excitatórios.

A substância chega a todos os compartimentos do corpo humano, passando pela barreira hematoencefálica, placenta e, até mesmo, pelo leite humano. 

Metabolismo da cafeína

O metabolismo da cafeína é hepático, principalmente por enzimas do citocromo CYP1A2., que transformam a cafeína em paraxantina, através de oxidação de demetilação, até que sejam formados compostos excretados pela urina, como a metilxantina e o ácido metilúrico.

Uma via metabólica secundária envolve a formação de teofilina e teobromina, geralmente acionada quando há exposição a doses muito altas de cafeína, com subsequente saturação das enzimas do citocromo CYP1A2.

Defeitos nessas vias metabólicas são responsáveis pela toxicidade em alguns indivíduos.

O que dizem os estudos?

Estudos não encontraram associação do consumo de cafeína e infarto agudo do miocárdio em pessoas com metabolismo normal da substância, mas demonstraram um aumento progressivo do risco relacionado ao consumo de cafeína em “metabolizadores lentos”, de forma que o risco aumenta conforme cresce a exposição.

Outro ponto importante é que algumas formas de consumo envolvem outras substâncias presentes, como os:

  • diterpenos,
  • ácido clorogênico,
  • potássio,
  • magnésio,
  • niacina

As quais possuem ações independentes da cafeína no organismo humano.

Há, ainda, substâncias não estudadas que possuem efeitos estimulantes do sistema simpático e outros compostos sabidamente antioxidantes.   

Relação com medicamentos

O uso de alguns medicamentos, como o anticonvulsivante estiripentol, contraindica o uso de cafeína, devido a importante interação medicamentosa.

Fármacos como a bupropiona, ciprofloxacino, clozapina, lítio e linezolida também apresentam interação com a cafeína. Porém, efeitos deletérios não ocorrem com o consumo moderado — até 2 copos de café por dia. 

Quais os efeitos do uso de cafeína? 

  • Cognição: o uso de doses de 30 – 300 mg de cafeína é relacionado a uma maior concentração, energia, memória e capacidade executiva, bem como tolerância à privação de sono. 
  • Neuropsiquiátrico: embora haja discussão em relação à associação de cafeína e sintomas psiquiátricos, não há até o momento evidencia de causalidade. A intoxicação com cafeína pode cursar com ansiedade, nervosismo, irritabilidade, insonia e ataques de pânico. Alguns estudos sugerem uma associação de proteção leve da cafeína  nas doenças de Parkinson e de Alzheimer. 
  • Cardiovascular: o consumo moderado (até 3 copos por dia) pode estar relacionado a proteção cardiovascular, porém, o uso pesado pode ser um gatilho para eventos cardíacos em indivíduos susceptíveis. 
  • Câncer: as evidências, até o momento, não apontam relação do café com aumento da incidência de câncer, sendo que há a possibilidade de um efeito protetor, devido à presença de substâncias antioxidantes e possibilidade de um efeito carcinogênico, devido à acrilamida.
  • Osteoporose: o consumo de doses altas é ligado a uma menor densidade óssea, principalmente em mulheres com baixa absorção de cálcio. 
  • Intestino:  a cafeína estimula a musculatura lisa e favorece a eliminação fecal, relacionada a menores níveis de constipação intestinal. 

Efeitos adversos

O consumo de doses altas pode cursar com efeitos preocupantes, como palpitações, tremores, agitação e alterações gastrointestinais.

Além disso, algumas pessoas desenvolvem quadros graves como de arritmias, infartos e convulsões.

Os efeitos deletérios da cafeína ocorrem com o consumo exagerado principalmente de compostos concentrados, como energéticos e termogênicos. 

Qual a dose segura? 

Estudos consideraram doses de 2,5 mg por quilo de peso corporal ou até 400 mg (5 xícaras) seguras e com poucos efeitos adversos. 

A cafeína vicia?

O DSM-V descreve o “Transtorno por Uso de Cafeína” como um diagnóstico de pesquisas devido à controvérsia em relação ao tema. Estudos falham em demonstrar claramente um problema relacionado à dependência da substância.

O consumo acarreta algumas alterações ligadas à dependência, como a tolerância, aumento do consumo e abstinência. Mas estudos falham em descrever com qualidade outras alterações, como dificuldade para cessar o uso, desejo persistente de cortar ou controlar seu uso e continuidade de ingesta mesmo após prejuízos. 

A abstinência pode acarretar em:

  • cefaleia,
  • cansaço,
  • queda de energia,
  • sonolência,
  • humor depressivo,
  • dificuldade de concentração e
  • irritabilidade. 

Conclusão

A cafeína é uma das substâncias mais consumidas no mundo e pode oferecer benefícios, quando bem utilizada. Por outro lado, o excesso pode ser prejudicial e, até mesmo, fatal.

Assim, é importante atenção à quantidade ingerida e lembrar de orientar bem os pacientes, principalmente aqueles com problemas cardíacos ou psiquiátricos. 

Autor: Vinícius Nunes Soares

@vinicius_n.s 


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Sugestão de leitura

Referências

Artigo do Uptodate: Benefícios e riscos da cafeína e bebidas cafeinadas. Disponível em: www.uptodate.com/contents/benefits-and-risks-of-caffeine-and-caffeinated-beverages?search=cafeina&source=search_result&selectedTitle=2~148&usage_type=default&display_rank=1#H172136349

Suplementos nutricionais e não medicamentosos são permitidos para melhorar o desempenho – Disponível em: http://www.uptodate.com/contents/nutritional-and-non-medication-supplements-permitted-for-performance-enhancement?sectionName=Caffeine&search=cafeina&topicRef=5369&anchor=H1510948784&source=see_link#H1510948784

Artigo do Uptodate: cardiovascular effects of caffeine and caffeinated beverages. Disponível em: www.uptodate.com/contents/cardiovascular-effects-of-caffeine-and-caffeinated-beverages?search=cafeina&source=search_result&selectedTitle=3~148&usage_type=default&display_rank=2#H2

Cafeína e esporte – https://www.scielo.br/j/rbme/a/wgZRxVj37Tn5T3mMrGSmdfx/?lang=pt#

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