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Bruxismo: tudo sobre o diagnóstico e tratamento

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Bruxismo: saiba mais sobre suas principais causas e as formas disponíveis de tratamento desta condição. 

Quando existe uma disfunção do equilíbrio entre o movimento da articulação temporomandibular (ATM), a oclusão dental e a resposta neuromuscular à movimentação, a ocorrência de dor é comum. Dentro desse contexto, juntamente com outras disfunções da ATM, está o bruxismo.

Essa condição pode surgir em qualquer período da vida e pode estar fortemente associada a fatores psicológicos como o estresse e/ou a ansiedade. Dessa forma, é necessário um acompanhamento multidisciplinar para aliviar o sofrimento e prover qualidade de vida aos pacientes.

Vamos revisar aqui o que é o bruxismo, como é possível diagnosticar e tratar essa condição clínica.

O que é bruxismo?

O bruxismo é um distúrbio dentro do grupo das disfunções temporomandibulares (DTM). Nesse distúrbio, a articulação temporomandibular se encontra acometida com muita tensão provocada sem intenção. A American Academy of Orofacial Pain define o bruxismo como uma atividade parafuncional diurna ou noturna que inclui sintomas como:

  • Cerrar
  • Travar
  • Ranger dos dentes.

A dificuldade de contenção ou impulso dos movimentos mandibulares também devem ser observados.

O bruxismo é mais comum de ocorrer durante o sono e recebe o nome de bruxismo relacionado ao sono. Quando ocorre em vigília, torna-se necessário verificar se não está relacionado a algum distúrbio do neurodesenvolvimento. Um exemplo é a Síndrome de Rett.

Bruxismo: fisiopatologia e epidemiologia

Estudos observacionais apontam que a epidemiologia das DTM, em geral, acomete mais as mulheres do que os homens. Além disso, possui mais risco de surgir entre 20 e 40 anos, mas pode surgir em qualquer idade. 

Quando o bruxismo está associado ao sono, alguns estudos apontam que essa condição se manifesta mais em crianças (principalmente as em idade escolar) do que em adultos. Mas não há um consenso absoluto na literatura sobre esse dado.

Não há evidências que exista uma relação entre o surgimento do bruxismo e a posição socioeconômica dos indivíduos. Contudo, pessoas brancas possuem um risco maior se comparada a outras etnias. 

A etiologia do bruxismo não é evidente, mas presume-se que está associada a fatores morfológicos como a oclusão dentária e a anatomia das estruturas ósseas do sistema estomatognático, que inclui todas as estruturas envolvidas no desempenho das funções de sucção, mastigação, fonação e deglutição.

Fenômenos mediados centralmente e relacionados a micro despertares do sono e à ativação do sistema nervoso autônomo, especialmente do sistema de ativação reticular do tronco encefálico, têm sido explorados como possíveis fatores patofisiológicos que contribuem para o bruxismo.

Especula-se também que as vias da dopamina e da serotonina também estejam envolvidas nesse processo.

O estresse, a ansiedade, o trauma local, a ingestão excessiva de cafeína e/ou drogas ilícitas, consumo abusivo de álcool, tabagismo, distúrbios do sono e o alterações do sistema dopaminérgico parecem ser outros fatores importantes que se relacionam a possível etiologia do bruxismo.

Sinais e sintomas 

A dor é o sintoma mais importante nesses casos, podendo estar associada ou não a estalidos ou crepitações da articulação temporomandibular, e a zumbidos unilaterais ou bilaterais. A dor pode surgir e desaparecer espontaneamente, mas tende a reaparecer de períodos em períodos, sem obedecer a um padrão específico.

A ocorrência dos episódios de bruxismo parece estar relacionada fortemente a episódios de ansiedade ou situações de estresse em pacientes com bruxismo associado ao sono. Cefaleia matutina e dor mandibular podem ser relatadas nesses pacientes devido a força gerada que excede a força máxima de mordida ou mastigação voluntária.

Como fatores de piora da dor que tende a aparecer na região próxima das orelhas, bilateralmente ou não, estão a mastigação e abertura da boca – seja para falar ou bocejar, por exemplo. 

A irradiação da dor pode ocorrer e acompanhar a linha do músculo esternocleidomastoideo até os ombros em alguns casos.

Outros sintomas que podem surgir junto ao bruxismo estão sintomas auditivos como a otalgia (dor de ouvido), zumbido, tontura e/ou vertigem, além de diminuição flutuante da acuidade auditiva.

A sensação de travamento da ATM e a diminuição intencional da abertura de boca também são comuns de serem citados pelos pacientes com essa condição clínica.

Efeitos deletérios na dentição como aumento da sensibilidade térmica, hipermobilidade ou necessidade de restauração de unidades dentárias devido ao desgaste são efeitos possíveis, bem como lesões em tecidos moles da boca (lábios, bochecha e/língua) em casos mais graves. 

Como conduzir o diagnóstico? 

As disfunções temporomandibulares estão incluídas como temas discutidos em campos diferentes da saúde e, justamente por isso, o mais adequado é que o diagnóstico e a indicação terapêutica incluíam o trabalho de uma equipe interdisciplinar, respeitando o campo de atuação de cada um dos profissionais. 

A investigação diagnóstica deveria, idealmente, incluir clínicos da dor, otorrinolaringologistas e neurologistas, além de profissionais da odontologia, fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia devido às múltiplas consequências que o bruxismo pode trazer à qualidade de vida dos pacientes. 

Para os profissionais médicos, uma boa anamnese é de suma importância para esse diagnóstico que é essencialmente clínico. 

Exame físico no paciente com bruxismo

O exame físico deve ser focado na região da cabeça e pescoço, avaliando movimentos de desvio, protrusão, diminuição da amplitude e desnivelamento da abertura da boca.

A avaliação de sensibilidade dos nervos cranianos, em especial o nervo trigêmeo (V par craniano) e o nervo facial (VII par craniano) podem ser particularmente interessantes de serem realizados em pacientes com suspeita de bruxismo para também auxiliar no raciocínio clínico de diagnósticos diferenciais.

A história natural do bruxismo consiste em relatos de ranger os dentes durante o sono que é corroborado pela família ou cuidadores do paciente.

Deve-se investigar a presença dos fatores de risco como distúrbios do sono (má qualidade de sono, sinais e sintomas de apneia obstrutiva do sono) e a ingestão excessiva de cafeína ou álcool.

Exames complementares

Embora não exista um exame específico para diagnosticar o bruxismo, achados de polissonografia em pacientes com bruxismo podem corroborar a suspeita diagnóstica. 

Na polissonografia, a atividade muscular mastigatória rítmica (RMMA) pode ocorrer a 1 Hz concomitantemente a micro despertares do sono com duração de 3 a 15 segundos em alguns pacientes e a contração isotônica dos músculos mastigatórios pode durar por vários minutos.

Diagnóstico diferencial do bruxismo

Fazer o diagnóstico diferencial do quadro clínico, principalmente quando a dor e sintomas auditivos são os mais citados, torna-se importante. 

Pacientes com epilepsia ou outros distúrbios neurológicos, durante o sono, podem manifestar ranger de dentes e acordar com dor na região oral e/ou relatar cefaleia, por exemplo.

Ocorre uma maior frequência de bruxismo em pacientes com:

  • Síndrome de Down
  • Paralisia cerebral
  • Transtorno de Déficit de Atenção de Hiperatividade (TDAH). 

O uso de medicamentos como estimulantes, antipsicóticos e serotoninérgicos também tem sido explorado para identificar sua influência e associação ao bruxismo.

Dessa forma, no processo diagnóstico é também importante determinar se o bruxismo ocorre apenas em vigília ou durante o sono, ou se está presente em ambas as situações para que seja realizado um curso de tratamento mais adequado. 

Para o bruxismo associado ao sono, existem critérios formais segundo a Classificação Internacional de Distúrbios do Sono (ICSD-3). São eles:

  • Sons regulares ou frequentes de ranger os dentes durante o sono associado a um ou dois sinais clínicos como:
    1. Desgaste anormal dos dentes (nesse contexto);
    2. Dor ou fadiga matinal transitória do músculo da mandíbula, e/ou cefaleia, e/ou travamento da mandíbula ao acordar (nesse contexto).

Opções de tratamento para bruxismo

Não existe atualmente um tratamento padrão, mas as intervenções realizadas incluem a:

  • Conscientização do hábito
  • Técnicas de relaxamento
  • Terapia de reversão de hábitos para o tratamento do bruxismo em vigília

Todos esses realizados de forma multidisciplinar.

A eliminação das comorbidades potencialmente associadas a distúrbios do sono como apneia do sono, estresse e alergias também estão inclusas como formas de tratamento.

O uso de aparelhos interoclusais como protetores noturnos ou placas de oclusão são particularmente úteis para auxiliar no controle do bruxismo durante o sono, sendo importante recomendar o acompanhamento odontológico para o paciente. 

Medidas gerais para a rotina de higiene adequada do sono como evitar álcool, cafeína e fumar antes de dormir precisam ser reforçadas. 

No aspecto de mudanças de hábitos de vida, o tratamento é semelhante ao da insônia, como visto nesse artigo disponível em nossa plataforma.

Se for identificado que o bruxismo é um efeito adverso de medicamentos antidepressivos e antipsicóticos, o reajuste da dose que o paciente utiliza pode ser útil para o alívio dos sintomas. Em casos de insucesso do reajuste, a descontinuação do medicamento pode ocorrer se possível, seguindo as devidas instruções do desmame quando necessário.

Para os pacientes que possuem o bruxismo em vigília, a terapêutica é individualizada e deve-se observar se existem distúrbios neurológicos de base. Para esses, a placa oclusal para reduzir o desgaste dos dentes é muito benéfico.

Em pacientes com distúrbios do movimento da articulação temporomandibular e bruxismo grave, tem sido explorado também os benefícios da toxina botulínica como tratamento.

Quer se preparar para prática clínica de forma adequada?

Devido a sua etiologia multifatorial e fisiopatologia não muito conhecida, o tratamento do bruxismo pode ser um desafio.

Em geral, não são identificados efeitos muitos graves dessa condição. Mas quando existe evidências de consequências patológicas como:

  • Hipertrofia dos músculos mastigatórios
  • Trauma oclusal
  • Desgaste dentário

Deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível, sem deixar de sugerir analgesia para o paciente no intuito de diminuir o desconforto e a dor.

Mesmo que o tratamento com as placas não sejam curativos, é indicado que sejam utilizadas para minimizar ou controlar ao máximo os eventos adversos. Para isso, o encaminhamento para os cirurgiões dentistas se torna indispensável.

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Sugestão de leitura complementar

Referências bibliográficas

  • American Academy of Sleep Medicine. International Classification of Sleep Disorders (2015). Diagnostic and coding manual. Westchester, Illinois: American Academy of Sleep Medicine, 2 nd ed, 1-19. Acesso em 22 Set 2023.
  • Avidan, A. Y., et al. (2016). Handbook of sleep medicine. Philadelphia, PA: Lippincot Williams & Wilkins, 1-112. Acesso em 21 Set 2023.
  • Reddy SV, Kumar MP, Sravanthi D, Mohsin AH, Anuhya V. Bruxism: a literature review. J Int Oral Health. 2014 Nov-Dec;6(6):105-9. PMID: 25628497; PMCID: PMC4295445. Acesso em 22 Set 2023.
  • DONNARUMMA, M. D. C. et al. Disfunções Temporomandibulares: Sinais, sintomas e abordagens multidisciplinar. Rev. CEFAC. 2010.
  • GERSTNER, G. E. Sleep-related bruxism (tooth grinding). UpToDate, 2023. Acesso em 21 Set 2023.
  • MEHTA, N. R.; KEITH, D. Temporomandibular disorders in adults. UpToDate, 2023. Acesso em 21 Set 2023.
  • SASSI, F. C. et al. Tratamento para disfunções temporomandibulares: uma revisão sistemática. Audiol Commun Res. 2018. Acesso em 21 Set 2023.

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