Considerado uma emergência médica, o broncoespasmo é o estreitamento súbito dos brônquios devido à contração da musculatura lisa das vias aéreas, cursando com obstrução parcial ou total do ar para os pulmões.
Frequentemente associado a asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e anafilaxia, o broncoespasmo tem sua incidência pouco documentada. Contudo, estima-se que no Brasil a incidência da Asma varie entre 19,8% a 24,9%. Além disso, 5%-10% da população adulta sofrem de DPOC.
Com isso, é necessário compreender os mecanismos, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção do broncoespasmo, afim de minimizar desfechos negativos.
O que é um broncoespasmo?
Um broncoespasmo é uma condição caracterizada pela contração súbita dos músculos lisos que envolvem os brônquios e que compõe as vias aéreas pulmonares. Assim, essa contração reduz o diâmetro dos brônquios, dificultando a passagem do ar e resultando em sintomas como falta de ar, sibilos, tosse e sensação de aperto no peito.

O broncoespasmo ocorre quando alérgenos ou irritantes entram em contato com as vias aéreas, ativando mastócitos e outras células inflamatórias, como eosinófilos e neutrófilos.
Com isso, esse processo desencadeia a liberação de diversos mediadores inflamatórios, incluindo histamina, leucotrienos, prostaglandinas e citocinas, que promovem a contração dos músculos lisos brônquicos, levando à redução do diâmetro das vias aéreas.
Assim, a histamina causa vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular, resultando em edema das vias aéreas e aumento da produção de muco. Por sua vez, os leucotrienos contribuem significativamente para o broncoespasmo ao aumentar a permeabilidade vascular e induzir a contração dos músculos lisos. E as prostaglandinas podem intensificar a resposta inflamatória e a contração muscular.
Além disso, considera-se a hiperresponsividade das vias aéreas uma característica chave de condições como a asma, pode ser exacerbada por diversos fatores como Infecções respiratórias virais e bacterianas, que agravam a inflamação.
Contudo, poluentes ambientais, como partículas finas e gases irritantes, também podem desencadear ou piorar o broncoespasmo. Bem como, as mudanças bruscas de temperatura, especialmente a inalação de ar frio e seco, podem provocar respostas exacerbadas em vias aéreas sensíveis.
Sintomas e causas mais comuns
Os sinais e sintomas do broncoespasmo refletem o grau de obstrução da via área e variam de intensidade, entre leve, moderado ou intenso. Assim, podem-se apresentar como:
- Sibilos
- Dispneia
- Taquipneia
- Tosse seca ou produtiva
- Desconforto respiratório ou sensação de aperto no peito
- Cianose
As principais causas de broncoespasmo incluem doenças respiratórias crônicas, alergias e infecções respiratórias agudas. Além disso, pode incluir exercícios, exposição a irritantes, estresse e ansiedade.
Classifica-se a Asma como doença inflamatória crônica das vias aéreas, sendo a principal doença respiratória da infância, caracterizada por episódios recorrentes de broncoespasmo. Portanto, a asma ou quadros de exacerbação da doença, desencadeiam-se comumente por alérgenos, como poeira, pólen, ácaros, exercícios, infecções virais, variações climáticas e estresse emocional.
O broncoespasmo na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que inclui bronquite crônica e enfisema, é causado pela inflamação crônica das vias aéreas devido à exposição a irritantes, como fumaça de cigarro, poluição do ar e poeiras ocupacionais. Assim, resulta-se em hipersecreção de muco, remodelamento das vias aéreas e perda de elasticidade pulmonar.
Assim, a ativação dos reflexos colinérgicos e o estresse oxidativo exacerbam a contração dos músculos lisos das vias aéreas, levando à obstrução ao fluxo de ar.
Caracteriza-se anafilaxia como uma reação alérgica aguda e potencialmente fatal, que cursa com broncoespasmo. Assim, é desencadeada por substâncias como pólen, poeira, alimentos, picadas de insetos e medicamentos em indivíduos sensíveis.
Além disso, pode-se causar broncoespasmo a inflamação aguda das vias aéreas através das infecções respiratórias virais ou bacterianas, como influenza, tuberculose e bronquite.
Em alguns indivíduos, desencadeia-se o broncoespasmo através do exercício físico, especialmente em temperaturas mais baixas, sendo conhecido como asma induzida por exercício.
Outros fatores desencadeantes é a exposição a irritantes ambientais como produtos químicos em indivíduos sensíveis e fatores emocionais, como estresse e ansiedade.
Diagnóstico de broncoespasmo
O diagnóstico de broncoespasmo é essencialmente clínico, realizado através do estado hemodinâmico do paciente, história e exame físico direcionados. Assim, o objetivo da assistência é realizar o manejo da crise de forma rápida e eficaz.
História Clínica
- Sintomas: Pergunta-se principalmente sobre dispneia (falta de ar), sibilo (chiado), tosse e sensação de aperto no peito.
- Passado médico: Identifica-se condições pré-existentes como asma, DPOC, alergias, infecções respiratórias recentes e exposição a irritantes, como fumaça de cigarro e poluentes
- Fatores Desencadeantes: Pesquisa-se possíveis gatilhos como exercício físico, mudança climática, alérgenos, infecções virais e o contexto do surgimento da crise, como situações estressantes.
Exame Físico
Realiza-se as etapas do exame físico do aparelho respiratório:
- Inspeção: Observa-se o padrão respiratório, se há sinais de esforço respiratório como utilização de musculatura acessória, retração intercostal ou batimento da asa do nariz. Além disso, avalia-se sinais de cianose.
- Ausculta: Avalia-se distribuição do murmúrio vesicular e presença de sibilos, creptos ou roncos.
- Percussão e Palpação: Verifica-se expansibilidade torácica e simetria e identifica-se o som pulmonar.
Ausculta pulmonar é especialmente importante para detectar sibilos e outros sons respiratórios anormais. Assim, a presença de sibilos difusos durante a expiração é um achado comum. Contudo, a ausência de sibilos não exclui o diagnóstico em casos de obstrução grave de via aérea, onde o fluxo de ar é muito baixo para produzir som.
O que fazer durante uma crise de broncoespasmo?
Em todo paciente que chega à emergência com sinais de instabilidade hemodinâmica como dispneia, realiza-se avaliação inicial preconizada pelo Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS).
- Monitoriza-se o paciente através do monitor cardíaco e oxímetro de pulso, se disponível
Avaliação inicial
- Via Aérea: Certifica-se de que as vias aéreas estão desobstruídas.
- Respiração: Avalia-se frequência respiratória, sinais de esforço respiratório como uso de musculatura acessória e retrações intercostais. Além disso, observa-se a presença de cianose.
- Circulação: Verifica-se perfusão periférica e sinais de choque.
História clínica direcionada
- Sintomas atuais: Pergunta-se sobre o início, duração e progressão da dispneia e sintomas associados, como tosse, produção de escarro, febre, dor torácica e sibilância.
- Investiga-se a presença de fatores desencadeantes como alérgenos, exercício, infecções respiratórias.
Histórico médico
- Identificar condições pré-existentes como asma, DPOC, alergias, infecções respiratórias recentes. Além disso, questiona-se sobre histórico de intubação ou internação em UTI.
- Medicações e Alergias: Pergunta-se sobre medicações em uso, especialmente broncodilatadores e corticosteroides, e possíveis alergias a medicamentos.
Exame físico direcionado
- Inspeção: Observa-se a aparência geral do paciente, sinais de esforço respiratório e sinais de cianose.
- Ausculta: Ausculta-se os pulmões para identificar sibilos, estertores, roncos ou diminuição de murmúrio vesicular. Além disso, ausculta-se o coração para avaliar ritmo, sopros ou outros sons cardíacos anormais.
- Palpação e Percussão: Palpa-se o tórax para verificar sensibilidade ou massas e percute-se para avaliar a presença de macicez ou timpanismo.
Tratamento imediato
- Oxigenoterapia: Oferta-se oxigênio suplementar quando necessário para manter a saturação de oxigênio > 90%.
- Broncodilatadores: Administra-se broncodilatadores beta-2 agonistas de ação curta inalatórios como tratamento emergente padrão. Assim, prefere-se o salbutamol.
- Corticosteroides: Administra-se glicocorticoides sistêmicos para reduzir a inflamação das vias aéreas
- Antibióticos: Se houver suspeita de infecção bacteriana, como pneumonia, inicia-se antibioticoterapia empírico.
- Sulfato de Magnésio: Pode-se considerar administração intravenosa em casos graves e refratários para ajudar na broncodilatação. Portanto, promove relaxamento do músculo liso brônquico.
- Tratamento Avançado: Em casos graves, pode ser necessário o uso de medicamentos como brometo de ipratrópio, aminofilina intravenosa ou a consideração de intubação e ventilação mecânica. Ademais, a intubação e ventilação mecânica são indicadas em casos de insuficiência respiratória iminente.
Exames complementares imediatos
- Oximetria de Pulso: Avaliar a saturação de oxigênio.
- Eletrocardiograma (ECG): Identificar arritmias, isquemia miocárdica ou sinais de sobrecarga ventricular.
- Radiografia de Tórax: Avaliar a presença de pneumonia, edema pulmonar, pneumotórax. Além disso, presença de derrame pleural ou cardiomegalia.
- Gasometria Arterial: Avaliar a troca gasosa e o equilíbrio ácido-base, especialmente em casos de hipoxemia ou hipercapnia.
Monitorização contínua
- Monitorar sinais vitais, como frequência respiratória, saturação de oxigênio e frequência cardíaca. Além disso, avaliar pressão arterial e resposta ao tratamento.
- Reavaliar frequentemente o estado clínico do paciente e ajustar o tratamento conforme necessário.
- Considerar internação em unidade de terapia intensiva (UTI) se houver sinais de insuficiência respiratória aguda ou ausência de resposta ao tratamento inicial.
Como é feito o tratamento do broncoespasmo?
O tratamento do broncoespasmo varia dependendo da causa subjacente e da gravidade dos sintomas. Assim, as opções de tratamento incluem:
Broncodilatadores:
Agonistas Beta-2 de Curta Ação (SABAs): Também conhecidos como broncodilatadores de resgate, são a primeira linha no tratamento de crises de broncoespasmos.
Assim, administra-se preferencialmente Sabultamol por via inalatória e espera-se efeito em poucos minutos, e duração 4 a 6 horas de ação.
Agonistas Beta-2 de Longa Ação (LABAs): Como formoterol, utiliza-se para controle a longo prazo, mantendo a via aérea dilatada por mais tempo, até 12h. Assim, utiliza-se os LABAs para manutenção e não devem ser usados isoladamente no tratamento da asma.
Corticosteroides
Inalatórios: Utiliza-se para redução da inflamação brônquica, em condições como asma e DPOC, como beclometasona. Portanto, são a base do tratamento de manutenção para controlar a inflamação subjacente.
Oral ou Intravenoso: Usa-se em crises agudas graves, para controle da inflamação das vias aéreas de forma rápida. Assim, utiliza-se a prednisona ou metilprednisolona.
Anticolinérgicos:
Brometo de Ipratrópio: Utiliza-se de forma inalatória em combinação com broncodilatadores beta-2 agonista. Portanto, promovee relaxamento do músculo liso e leva ao alívio adicional dos sintomas.
Reabilitação Pulmonar:
Prescreve-se programas de reabilitação pulmonar para pacientes com DPOC, focando em exercícios físicos, educação e suporte psicossocial. Portanto, a reabilitação pulmonar melhora a capacidade de exercício e a qualidade de vida.
Prevenção e cuidados com o paciente
Prevenir crises de broncoespasmo e gerenciar a condição a longo prazo são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. As estratégias incluem principalmente:
Realizar educação do paciente, informando sobre a natureza do broncoespasmo, fatores desencadeantes e o uso correto dos medicamentos. Além disso, ensinar a técnica adequada de uso dos inaladores é crucial para garantir a eficácia do tratamento.
Deve-se orientar sobre controle ambiental, favorecendo a redução da exposição a alérgenos e irritantes conhecidos, como fumaça de cigarro, poeira, pólen e poluição. Portanto, as medidas podem incluir o uso de purificadores de ar, evitar tapetes e cortinas, e manter ambientes livres de poeira.
Desenvolve-se um plano de ação para patologia subjacente, visando o gerenciamento das exacerbações.
Deve-se garantir que os pacientes estejam atualizados com cartão vacinal, imunizados como a vacina contra a Influenza e a vacina pneumocócica, para prevenir infecções respiratórias desencadeadoras de broncoespasmo.
Orienta-se sobre a importância do acompanhamento regular com médico, para avaliar o controle da condição e ajustar o tratamento conforme necessário.
Além disso, deve-se encorajar a prática de exercícios físicos moderados, ajustando conforme a capacidade do paciente, para melhorar a função pulmonar e a saúde geral.
A gestão do estresse também é uma ferramenta crucial para a prevenção e cuidado com o paciente. Assim, técnicas de relaxamento, como meditação, yoga e exercícios de respiração podem ser úteis.
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Sugestão de leitura complementar
- Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): o que é, sintomas e mais
- Anafilaxia: o que é, sintomas e como tratar
- Asma: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e particularidades
- Bronquite aguda na pediatria: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento (sanarmed.com)
Referências bibliográficas
- UpToDate. Acute asthma exacerbations in children younger than 12 years: Emergency department management. 2024.
- Fredberg, F. Bronchospasm and its biophysical basis in airway smooth muscle. Respiratory Research 2004.
- American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support (ATLS): Student Course Manual. 10. ed. Chicago: American College of Surgeons, 2018.