Anúncio

Brasil tem quase 30% das vagas de residência médica ociosas — e o impacto atinge o SUS

Índice

EXCLUSIVO PARA MÉDICOS

Primeira parcela por R$ 99

Garanta sua vaga de 2026 com o valor de 2025!

Dias
Horas
Min

Segundo dados oficiais do Ministério da Educação, mais de 21 mil vagas de residência médica não foram preenchidas em 2025. As especialidades mais afetadas são justamente as mais estratégicas para o SUS — como Medicina de Família, Clínica Médica e Pediatria.

Um retrato preocupante da formação médica no Brasil

O Painel da Educação da Saúde do MEC revelou um dado alarmante: em junho de 2025, o Brasil contava com 75.471 vagas de residência médica autorizadas, mas apenas 54.402 foram ocupadas.
Isso significa que mais de 21 mil vagas ficaram ociosas, uma taxa de 27,9% de não preenchimento — praticamente 3 em cada 10 vagas de residência médica sem residentes.

O fenômeno é nacional e afeta todas as regiões do país, com destaque para os estados que lideram o ranking da ociosidade:

  • Mato Grosso (40,7%)
  • Espírito Santo (38,7%)
  • Paraná (35,2%)
  • Roraima (34,2%)
  • Bahia (33,3%)

Por outro lado, os estados com melhor desempenho no preenchimento das vagas foram Amapá (12,3%), Paraíba (14,2%) e Distrito Federal (16,1%).

Além disso, mesmo em estados de forte tradição médica, como São Paulo (28%) e Rio de Janeiro (25%), milhares de vagas ficaram sem ocupação — sinal de que o problema é estrutural e não regional.

Especialidades com mais e menos procura

A análise por especialidade expõe um contraste claro entre áreas superconcorridas e áreas abandonadas.

Entre as especialidades com menor taxa de preenchimento, estão:

  • Patologia Clínica / Medicina Laboratorial — 72,7% de ociosidade
  • Radioterapia — 66%
  • Medicina do Tráfego — 64%
  • Medicina Nuclear — 61%
  • Medicina Preventiva e Social — 57%
  • Medicina de Família e Comunidade (MFC) — 55,7%

Essas são, justamente, áreas essenciais para o SUS e para a Atenção Primária, mas que enfrentam baixa atratividade entre jovens médicos.

No extremo oposto, especialidades de alta concorrência seguem com ocupação quase total:

  • Cirurgia Geral, Clínica Médica e Dermatologia superaram 80% de preenchimento;
  • Subespecialidades como Medicina Fetal, Reprodução Assistida, Gastroenterologia e Geriatria chegaram a 90–100% de ocupação;

Áreas como Atendimento ao Queimado, Foniatria e Nutrição Parenteral e Enteral tiveram 100% de preenchimento.

Onde as vagas sobram: o perfil das residências ociosas

A ociosidade é mais comum em instituições públicas de menor porte, muitas vezes fora dos grandes centros urbanos. Hospitais regionais, municipais e do interior enfrentam dificuldades para atrair residentes por falta de:

  • Estrutura física adequada;
  • Preceptores qualificados;
  • Volume de casos suficiente para aprendizado.

Além disso, muitas vagas são autorizadas mas não ofertadas efetivamente, por falta de financiamento, bolsas ou infraestrutura. Além disso, segundo a CNRM, se uma instituição deixa de ofertar uma vaga por dois anos, ela pode ser suspensa, o que já vem acontecendo em alguns estados.

O resultado é paradoxal: há vagas sobrando em locais carentes de médicos, enquanto sobram médicos nas capitais.

O impacto no SUS e na distribuição de médicos

O efeito mais grave da ociosidade é sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).
A cada ano, milhares de especialistas deixam de ser formados, o que compromete a reposição de profissionais em áreas críticas como:

  • Pediatria (1.593 vagas ociosas em 2025);
  • Clínica Médica;
  • Medicina de Família e Comunidade (quase 3 mil vagas sem preenchimento).

Assim, essas áreas são a base do cuidado primário e hospitalar, e a falta de residentes nelas fragiliza a atenção básica — especialmente em regiões vulneráveis.

Além disso, a má distribuição geográfica de médicos se agrava: os profissionais continuam se concentrando no Sudeste (58,5% dos residentes), enquanto o Norte e o interior do país têm vagas abertas sem interessados.

Dinheiro e desinteresse: por que as vagas ficam vazias?

Entre os fatores que explicam a alta ociosidade estão:

  • Bolsa de residência baixa (R$ 4.106,09 em 2025), muito inferior à renda possível em plantões privados;
  • Condições de trabalho precárias em alguns programas;
  • Falta de perspectiva de carreira na atenção básica;
  • Aumento da oferta de vagas sem aumento proporcional no número de interessados.

Dessa forma, na prática, muitos recém-formados preferem começar a trabalhar como generalistas, em vez de passar anos em formação com bolsa insuficiente.

Ociosidade é estrutural — e o desafio é repensar o modelo

A taxa de ociosidade da residência médica se mantém estável há anos, girando entre 25% e 30% desde 2020, mesmo com a expansão das vagas. Ou seja: não faltam vagas, faltam incentivos e planejamento.

Iniciativas como o Enare (Exame Nacional de Residência) melhoraram o acesso unificado, mas não resolveram o problema central: a residência médica ainda é pouco atraente para quem precisa de estabilidade e retorno financeiro rápido.

Especialistas defendem que é preciso:

  • Revalorizar o papel do residente,
  • Aumentar as bolsas,
  • Fortalecer a preceptoria e melhorar a infraestrutura de ensino nos hospitais regionais.

Conclusão: um problema de distribuição e prioridade

O Brasil forma milhares de médicos por ano — mas não forma especialistas na mesma proporção.
A ociosidade das residências revela uma desconexão entre a política de formação e as reais condições de trabalho.

Enquanto faltam pediatras, clínicos e médicos de família nas UBS, sobram vagas abertas em hospitais públicos que não conseguem atrair residentes.

Resolver esse gargalo não é apenas uma questão de gestão educacional. É uma urgência de saúde pública — e talvez o maior desafio para o futuro do SUS.

Compartilhe este artigo:

Minicursos gratuitos: acesse em qualquer dispositivo e inicie seus estudos

Anúncio