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Brasil: epicentro global da pandemia de COVID‑19 | Colunistas

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Entenda o porquê

Estamos pagando caro pelas aglomerações das festas de final de ano e carnaval. Os números de novas infecções e mortes por COVID-19 têm crescido muito desde dezembro de 2020, época em que surgiu a variante brasileira P.1. As novas cepas mais contagiosas ajudam a explicar a maior transmissão do vírus, mas certamente não são o único fator. Nesse texto, vamos entender por que o Brasil voltou a ser o epicentro global da pandemia de COVID-19.

A ilusão de remédios ineficazes

Desde o início da pandemia, o governo federal foi contra as recomendações da OMS e tem incentivado fortemente o chamado “Kit COVID”, composto por ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina. Diversos estudos já mostraram que esses medicamentos não são eficazes para tratar a COVID-19 e podem inclusive ter efeitos colaterais graves. Já há relatos de óbitos de pacientes que tiveram hepatite medicamentosa pelo uso abusivo de ivermectina, por exemplo.

O constante descaso do governo federal em relação à pandemia confunde a população. A defesa de drogas milagrosas e o negacionismo da doença fazem com que grande parte das pessoas se sintam seguras para sair de casa e seguir suas vidas normalmente. Um exemplo claro disso é o fato de que, enquanto países europeus passam a exigir o uso de N95/PFF2, as máscaras são cada vez menos usadas no Brasil.

Além de aumentar o risco de contágio, esses medicamentos também são responsáveis por aumentar o número de mortes em pacientes graves. Cria-se uma falsa sensação de segurança nos contaminados que estão usando essas drogas, de modo que apenas procura-se os serviços de saúde quando a infecção se intensifica. Muitos doentes chegam aos hospitais já com baixa oxigenação e necessidade direta de intubação.

Surgimento de novas variantes

Temos que entender que as variantes não são a causa do descontrole, mas sim o contrário: o descontrole causa variantes. A disseminação desordenada do vírus favorece o surgimento de novas variantes, mais adaptadas e mais transmissíveis. Estamos vivendo uma disputa entre a velocidade de vacinação e a capacidade de transmissão do vírus. Quanto mais lenta a vacinação e menores as medidas de isolamento, maior a chance do surgimento de uma variante resistente às vacinas.

A expansão da pandemia coloca o Brasil numa posição de risco sanitário global, segundo a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência. Em um país do tamanho do nosso, o aumento desenfreado dos casos é um prato cheio para o surgimento de novas variantes preocupantes do vírus, com consequências geopolíticas, sociais e econômicas extensas, o que já se reflete nas restrições à entrada de brasileiros em vários países.

Distanciamento social

Até o momento, como a vacinação não está ocorrendo amplamente, a melhor solução para conter o avanço dos casos é o lockdown. Entretanto, a maioria dos prefeitos e governadores, assim como o governo federal, seguem contrários ao bloqueio total da circulação de pessoas.

Em dezembro de 2020, o Reino Unido teve sucesso ao adotar essa medida após o surgimento da linhagem B.1.1.7 do Sars-CoV-2 que fez com que o país chegasse a mais de 50 mil casos diários. No Brasil, o município de Araraquara, no interior de São Paulo, adotou um lockdown de 10 dias e os resultados também foram positivos: a média diária de casos caiu em 58%, com importante queda no número mortes por COVID-19 na cidade, que teve um dia sem mortes pela primeira vez em 44 dias.

Colapso do sistema de saúde

Com o enfraquecimento das medidas de restrição, não é possível controlar a disseminação do vírus. Nas últimas semanas, o crescimento dos casos ocorreu de forma acelerada e praticamente homogênea em todo o país. Não está sendo possível o remanejamento de pacientes para outros municípios, regiões ou estados, como se fez no início da pandemia, uma vez que a escassez de leitos é um problema nacional. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vivemos hoje o “maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil”.

A partir do colapso do sistema de saúde, torna-se impossível atender a todos que apresentam necessidades médicas, o que explica o aumento exponencial do número de mortes. Os pacientes estão sendo atendidos e morrendo nos corredores dos hospitais à espera de leitos. Oxigênio e sedativos para intubação estão cada vez mais escassos, e seus preços não param de crescer exponencialmente. A cada semana, o Brasil bate um novo recorde e alcança as maiores marcas do mundo. Foram registrados oficialmente 3650 óbitos ligados à COVID-19 no dia 26 de março, maior número por qualquer país desde o início da pandemia.

Escassez de vacinas

Atualmente, as vacinas estão escassas em todo o mundo e sua compra tem se tornado cada vez mais difícil. A opção do governo federal de não comprar vacinas em 2020 está custando muitas vidas.

Nos países em que a vacinação está sendo feita a ritmo acelerado, o número de novos casos diários e a média móvel de mortes têm diminuído significativamente. Países duramente atingidos em 2020, como Reino Unido, EUA, Portugal, Itália e Espanha, têm conseguido controlar a pandemia com relativo sucesso. O Brasil, no entanto, segue no sentido oposto. Aqui, a doença segue descontrolada e em amplo crescimento.

Conclusão

Sem um programa de vacinação definido e a redução da adesão ao distanciamento social, ninguém se surpreende ao saber que o Brasil voltou a ser o epicentro global da pandemia. Isso é uma consequência de decisões atuais e passadas.

O número de casos cresce paralelamente ao negacionismo incentivado pelo governo federal, às festas e aglomerações. Se não forem tomadas medidas para aumentar a cobertura vacinal e fortalecer o distanciamento social, mais vidas que poderiam ter sido salvas seguirão sendo perdidas.

Autor: Lucas de Mello Queiroz

Instagram: @lucasmello.q


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

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