Anúncio

Blue protocol: avaliando 5 grandes causas de insuficiência respiratória aguda. | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A insuficiência respiratória aguda (IRpA) é uma incapacidade da manutenção da oxigenação e/ou ventilação adequados, sendo a via final de várias patologias que deterioram a ventilação alveolar,  perfusão pulmonar e/ou difusão dos gases. A IRpA pode ser classificada de acordo com o tipo em IRpA Tipo I ou Hipoxêmica e IRpA Tipo II ou Hipercápnica.

A possibilidade de explorar os pulmões através da ultrassonografia foi considerada inviável por muitos anos, devido à produção de erros na apresentação da imagem, denominados artefatos. Porém, após os trabalhos do Dr. Lichtenstein a ultrassonografia pulmonar vem se tornando popular e sua utilização na avaliação da IRpA supera a utilização da radiografia de tórax e do estetoscópio.

O que é o BLUE Protocol?

O Bedside Lung Ultrasound in Emergency (BLUE) Protocol ou Protocolo de ultrassom pulmonar à beira do leito em situações de emergência, é uma abordagem que utiliza a ultrassonografia para identificar as causas de IRpA, promovendo assim o rápido alívio dessa condição que promove sofrimento extremo e risco à vida.

O BLUE Protocol é realizado em pacientes dispnéicos, e em apenas 3 minutos através da combinação de sinais e pontos de análise padronizados, é possível fornecer um diagnóstico das principais causas de IRpA, oferecendo até 90,5% de precisão (Figura 01).

Figura 01 – Locais de análise utilizados no BLUE Protocol. 
Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3895677/

Fluxograma do BLUE Protocol

Figura 02 – Fluxograma do BLUE Protocol
Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3734893/

5 grandes causas de dispnéia

Através da combinação de sinais e associando-os a determinadas localização, foi definido 7 

perfis:

  • Perfil A
  • Perfil A’
  • Perfil B
  • Perfil B’
  • Perfil C
  • Perfil A/B
  • Perfil PLAPS

O primeiro passo na realização do BLUE Protocol é determinar a presença ou ausência do deslizamento pulmonar (lung-sliding). Este sinal é caracterizado pelo movimento da pleural visceral sobre a pleura parietal. A pleura é caracterizada por uma linha hiperecóica (branca) que realiza um movimento rítmico e sincronizado com a respiração (Figura 03).

Figura 03 – Linha pleural. Linha hiperecóica que, no pulmão normal, realiza movimento horizontal acompanhando a respiração (lung-sliding). 
Fonte: https://myblockbuddy.com/coronavirus-lung-ultrasound/

O pulmão normalmente aerado apresenta, abaixo do ponto de contato com o transdutor, linhas horizontais hiperecóicas (Linhas A), que se repetem com ecogenicidade decrescente, à medida que se afastam da linha pleural (Figura 04). Essas linhas, diferentes da linha pleural, não se movem com a respiração e são separadas pela mesma distância, que o transdutor apresenta para a linha pleural. Podem ser visualizadas na vigência de pneumotórax, por isso isoladamente, não definem um pulmão normal.

Figura 04 – Linhas A. Linhas hiperecóicas, criadas por um artefato de reverberação, onde a linha pleural reflete as ondas do ultrassom de volta ao transdutor, e este reflete de volta para a pleura. Cada movimento de ida e volta promove a formação das linhas A.
Fonte: http://abramede.com.br/wp-content/uploads/2020/05/POCUS_COVID_19_ABRAMEDE_2.10.pdf https://nephropocus.com/2019/06/03/lung-ultrasound-a-line-and-b-lines/

Edema Pulmonar 

Perfil B

O edema pulmonar é uma síndrome clínica decorrente de várias etiologias, caracterizada pelo extravasamento de fluido para interstício e alvéolos. O perfil B é o resultado da presença do deslizamento pulmonar (Figura 03) e dos foguetes pulmonares (lung-rockets), tipificando assim o edema pulmonar. A existência de 3 ou mais linhas B (Figura 05) entre duas costelas define os foguetes pulmonares (Figura 06) . O BLUE Protocol considera apenas os foguetes pulmonares na região ântero lateral do tórax, pois os autores acreditam que alterações intersticiais no tórax posterior podem ser provenientes apenas do efeito gravitacional sobre o pulmão. 

Figura 05 – Linhas B – As linhas B são linhas verticais hiperecóicas, que partem da linha pleural, geralmente são longas, movendo-se em conjunto com o movimento respiratório e apagam as linhas A.
Fonte: http://abramede.com.br/wp-content/uploads/2020/05/POCUS_COVID_19_ABRAMEDE_2.10.pdf
https://gfycat.com/completedarkarthropods
Figura 06 – Foguetes pulmonares (Lung Rockets) – Presença de 3 ou mais linhas verticais hiperecóicas (linhas B) entre duas costelas.
Fonte: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32016819/

Embolismo Pulmonar 

Perfil A

Quando uma substância transportada no sangue se aloja em um ramo da artéria pulmonar e obstrui o fluxo sanguíneo, promove o que se conhece como embolismo pulmonar. O perfil A reúne a presença do deslizamento pulmonar, linhas A e a identificação de trombo na circulação venosa (Figura 07), o que caracteriza o embolismo pulmonar.

Veias normais devem ser totalmente comprimidas aplicando menos pressão do que a necessária para comprimir a artéria adjacente. A incapacidade de comprimir completamente o lúmen venoso é o principal critério para o diagnóstico de TVP, mesmo que o trombo não seja visualizado na veia, pois trombos agudos têm consistência gelatinosa e são menos ecogênicos do que trombos subagudos ou crônicos, sendo muitas vezes não visualizados.

Figura 07 – Não compressão da veia poplítea demonstrando trombo. PV – veia poplítea, PA –  artéria poplítea e DVT – trombose venosa profunda.
Fonte: Lung Ultrasound in the Critically Ill – The BLUE Protocol.
https://wikem.org/wiki/DVT_ultrasound

Pneumonia 

Perfil A/B ou Perfil C ou Perfil PLAPS ou Perfil B’

A pneumonia é uma infecção pulmonar provocada por bactérias, vírus e/ou fungos. Os perfis A/B, C, PLAPS e B’ são típicos de pneumonia. No perfil A/B (Figura 08) o deslizamento pulmonar pode estar presente ou ausente, e deve apresentar assimetria nos hemitórax, um contendo um perfil A e o outro hemitórax o perfil B.  A hepatização ou perfil C (Figura 09) é expressa quando a ecogenicidade pulmonar se assemelha à do fígado. Isso ocorre devido ao preenchimento alveolar por fluido ou detritos celulares, promovido pela impedância acústica diminuída devido à falta de ar abaixo da superfície pleural, o que facilita a propagação das ondas de ultrassom permitindo a visualização do pulmão.

Figura 08 – Perfil A/B é caracterizado pela assimetria dos hemitórax. A figura mostra um hemitórax que contém o perfil A (lado direito), o outro hemitórax que contém o perfil B (lado esquerdo).
Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Ultrasound-profiles-Left-panel-The-A-profile-is-defined-as-predominant-A-lines-plus_fig6_5448340
Figura 09 – A hepatização pulmonar pode ser observada através da semelhança da ecogenicidade do pulmão e do fígado.
Fonte: http://abramede.com.br/wp-content/uploads/2020/05/POCUS_COVID_19_ABRAMEDE_2.10.pdf

O ponto PLAPS (Figura 10) é utilizado para detectar distúrbios alveolares ou pleurais. Está localizado na região póstero-lateral e o termo significa Síndrome Alveolar Póstero-lateral e/ou Pleural (PLAPS). O perfil PLAPS consiste na presença do deslizamento pulmonar associado a linhas A, uma rede venosa livre e alterações alveolares e/ou pleurais no ponto PLAPS. Por fim o perfil B’ é um perfil B com o deslizamento pulmonar abolido e também está correlacionado com a pneumonia.

Figura 10 – Ponto PLAPS – Localizado na interseção da linha horizontal no nível do ponto ântero-inferior de observação (lower BLUE-point) e a linha axilar posterior.
Fonte: http://famus.org.uk/modules/blue-protocol

Asma/ DPOC

Asma é uma síndrome que se caracteriza por obstrução das vias aéreas com evolução bastante variável, tanto espontaneamente quanto em resposta ao tratamento. Já a DPOC é definida como um estado patológico caracterizado por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo não totalmente reversível. Em ambos os casos podemos encontrar a presença do deslizamento pulmonar associado a linhas A, uma rede venosa livre e ausência de alterações no ponto PLAPS.

Pneumotórax 

Perfil A’

A presença de ar no espaço pleural retrata o pneumotórax. Essa condição resulta em um deslizamento pulmonar abolido, associado a presença de linhas A, refletindo no perfil A’. A presença de ponto pulmonar (lung-point) (Figura 11) é necessária para o diagnóstico definitivo do pneumotórax.

Figura 11 – O ponto pulmonar (lung point) é definido como o ponto de transição entre o movimento e a ausência de movimento pleural.
Fonte: https://annalsofintensivecare.springeropen.com/articles/10.1186/2110-5820-4-1/figures/7 https://everydayultrasound.com/blog/2019/12/17/pneumothorax-beth-patterson-md-bronx-ny

Conclusão

A aplicação do BLUE Protocol é simples, rápida, permite categorizar o paciente com IRpA em 7 perfis e auxilia no diagnóstico das 5 causas mais frequentes de IRpA apresentando  90,5% de precisão.

Pontos-chave

  • No estudo das patologias pleuro-pulmonares a utilização do ultrassom foi durante muito tempo considerada inviável.
  • O BLUE Protocol é utilizado para identificar 5 grandes causas de IRpA (edema pulmonar, embolia pulmonar, asma/DPOC, pneumonia e pneumotórax).
  • O resultado da combinação de sinais e pontos padronizados constituem o BLUE Protocol.

Autor: José Edmilton Felix da Silva Junior

Instagram: @edmiltonfelixjr  


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

LICHTENSTEIN, D. et al. Lung ultrasound in the critically ill. Annals of Intensive Care. v. 4, n. 1, jan. 2014.

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3895677/#

LICHTENSTEIN, D; MEZIÈRE, G. Relevance of lung ultrasound in the diagnosis of acute respiratory failure. Chest. v. 134, n. 1, p. 117-125, jul. 2008. 

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3734893/#

SARAOGI, A. Lung ultrasound: Present and future. Lung India. v. 32, n. 3, p. 250 – 257, mai-jun. 2015.

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4429387/#

HENDIN, A. et al. Better with ultrasound.  Chest. v. 158, n. 5, nov. 2020. 

Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32422131/

LICHTENSTEIN, D. Lung Ultrasound in the Critically Ill – The BLUE Protocol. 1º ed. Switzerland: Springer. 2016.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀