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Bloqueios anestésicos: quando e como usá-los no tratamento da dor?

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Os bloqueios anestésicos são um tipo de infiltração que consiste na aplicação de anestésicos em uma estrutura específica do corpo.

Essa técnica desempenha um papel fundamental na medicina da dor, pois tem como objetivo interromper os impulsos sensitivos responsáveis por transmitir a sensação dolorosa ao Sistema Nervoso Central (SNC).

Há uma ampla gama de bloqueios que podem ser utilizados, escolhidos de acordo com a necessidade clínica de cada caso. Eles podem ter como alvo tanto áreas específicas do corpo quanto regiões mais abrangentes.

Vantagens do uso de bloqueios anestésicos

O uso de bloqueios anestésicos possui diversas vantagens como, por exemplo, a diminuição da necessidade de anestésicos, analgésicos e bloqueadores neuromusculares durante os procedimentos cirúrgicos.

Além disso, eles favorecem um despertar mais tranquilo e confortável, permitindo alta precoce da sala de recuperação pós-anestésica, retomada mais rápida da alimentação e menor incidência de náuseas e vômitos, bem como redução dos riscos associados a níveis mais profundos de anestesia geral.

Ademais, esses bloqueios representam uma alternativa eficaz aos analgésicos sistêmicos, especialmente quando há contraindicação ao uso de opioides ou quando o paciente já desenvolveu tolerância a seus efeitos analgésicos.

A anestesia regional, por exemplo, mostra-se particularmente eficiente no controle da dor visceral e no alívio de espasmos da bexiga após cirurgias genitourinárias, oferecendo condições ideais para a recuperação do paciente.

Outro benefício relevante é a evolução das técnicas de bloqueios periféricos, incluindo o uso de cateteres para analgesia prolongada.

Principais bloqueios anestésicos utilizados para o tratamento da dor

Diversos bloqueios somáticos, simpáticos e espinhais vêm sendo aplicados, utilizando anestésicos locais, com ou sem adjuvantes, tanto para fins diagnósticos quanto para o tratamento de casos de dor que não respondem adequadamente à terapia convencional.

A seguir, descrevem-se os bloqueios mais frequentemente empregados no manejo da dor crônica, bem como suas principais indicações.

Bloqueio do nervo occipital maior

Recomenda-se o bloqueio do nervo occipital maior para síndromes dolorosas na região occipital, incluindo neuralgia occipital e cefaleias tensionais e cervicogênicas.

Bloqueios do plexo braquial, cotovelo, punho e dedos

Indica-se os bloqueios do plexo braquial, cotovelo, punho e dedos para dores crônicas nos membros superiores, bem como em compressões nervosas dolorosas no cotovelo, punho e dedos.

Bloqueio intercostal

Utiliza-se o bloqueio intercostal no tratamento da dor crônica decorrente de traumas torácicos, fraturas de costelas, neoplasias, lesões nervosas pós-herpes zoster e após procedimentos cirúrgicos.

Bloqueio supraescapular

Emprega-se o bloqueio supraescapular na avaliação e controle da dor crônica do ombro e da articulação escapuloumeral.

Bloqueios dos nervos somáticos dos membros inferiores

Os bloqueios dos nervos somáticos dos membros inferiores incluem os seguintes nervos e indicações:

  • Nervo ciático – Indicado para dor crônica na perna e no pé.
  • Nervo obturador – Utilizado em analgesia combinada com os nervos femoral e cutâneo lateral femoral, além de ser útil para casos de lesão medular, espasticidade e contraturas.
  • Nervo femoral – Empregado no alívio da dor na região anterior da coxa e do joelho.
  • Nervo pudendo – Indicado para analgesia perineal.
  • Nervo cutâneo lateral – Utilizado no tratamento da meralgia parestésica.
  • Plexo lombar – Aplicado para o manejo de condições dolorosas nos membros inferiores.

Bloqueio da faceta articular

A dor lombar relacionada à faceta articular acomete até 45% dos pacientes com lombalgia. Sugere-se que a injeção de anestésicos locais e corticoides nas facetas pode proporcionar alívio da dor por períodos variados. Portanto, recomenda-se o bloqueio da faceta articular especialmente para pacientes com significativa limitação funcional.

Bloqueio peridural com corticoide

Utiliza-se o bloqueio peridural com corticoide principalmente para alívio da dor em radiculopatias causadas por hérnia de disco lombar.

Os medicamentos mais comuns incluem metilprednisolona e triancinolona, geralmente associados a anestésicos locais em baixas concentrações para evitar bloqueio motor.

Além disso, a abordagem mais indicada é a transforaminal, guiada por ultrassom, e o alívio da dor pode ocorrer após uma única aplicação ou exigir mais duas sessões, com intervalo de duas semanas entre elas.

Bloqueio simpático lombar

O bloqueio simpático lombar consiste na aplicação de anestésico local próximo ao músculo psoas, ao longo da cadeia simpática lombar, com auxílio do ultrassom.

Recomenda-se para casos de dor em membro fantasma, síndromes de dor regional complexa, neuropatias periféricas e doenças vasculares dolorosas.

Bloqueio do gânglio estrelado

Utiliza-se o bloqueio do gânglio estrelado para bloqueio de fibras simpáticas pré-ganglionares da cabeça e pescoço, sendo, portanto, indicado para dores de origem simpática nessas regiões, síndrome dolorosa regional complexa tipo I e II, além de outras dores de manutenção simpática que afetam extremidades torácicas, ombro e parede torácica anterior.

Além disso, também emprega-se o bloqueio do gânglio estrelado em casos de insuficiência vascular, como na doença de Raynaud.

Injeções de pontos-gatilho (trigger points)

As injeções de pontos-gatilho correspondem a uma das abordagens para o tratamento da síndrome da dor miofascial, proporcionando alívio temporário ou duradouro. Todavia, embora seja um procedimento seguro, pode ser doloroso.

Substâncias mais utilizadas para bloqueios anestésicos

Os principais anestésicos locais utilizados para os bloqueios anestésicos incluem:

  • Lidocaína – Garante um bloqueio motor significativo e baixa toxicidade cardíaca, mas há suspeitas de toxicidade no neuroeixo durante a raquianestesia, o que fez com que fosse não recomendada para o método.
  • Bupivacaína – Causa um bloqueio sensorial mais intenso do que motor, possui efeito prolongado e é menos tóxica para o neuroeixo em raquianestesias. No entanto, apresenta maior cardiotoxicidade.
  • Ropivacaína – Tem cardiotoxicidade intermediária, situando-se entre a lidocaína e a bupivacaína, e é menos potente do que a bupivacaína.
  • Levobupivacaína – Apresenta menor toxicidade, mas seu efeito é semelhante ao da ropivacaína

Tipos de bloqueios anestésicos e substâncias utilizadas

No bloqueio regional, que consiste na injeção do anestésico em um local específico para bloquear a sensibilidade de uma região mais distante, emprega-se todos os anestésicos locais.

No bloqueio nervoso, por sua vez, administra-se o anestésico dentro ou próximo ao nervo-alvo, sendo amplamente utilizado em bloqueios como o do plexo braquial, supraclavicular, interescalênico, bem como nos nervos femoral, obturador, ilio-hipogástrico e ilioinguinal, entre outros. Da mesma forma que o regional, todos os anestésicos são aplicáveis nesse contexto.

Na raquianestesia, insere-se o anestésico diretamente no espaço subaracnóideo, entrando em contato com o líquido cefalorraquidiano. Para potencializar o efeito analgésico e prolongar sua duração, pode ser combinado com opioides ou fármacos como clonidina. A bupivacaína é o anestésico indicado para esse tipo de bloqueio.

Por fim, na anestesia peridural, o anestésico é injetado entre o ligamento amarelo e a dura-máter. Esse método permite o uso de um cateter para administração contínua da substância, possibilitando o controle prolongado da analgesia. Emprega-se amplamente a peridural no alívio da dor pós-operatória imediata, no manejo da dor oncológica e em outras indicações. Todos os anestésicos disponíveis podem ser utilizados para esse tipo de bloqueio.

Cuidados durante a realização dos bloqueios anestésicos

É fundamental ter cautela ao realizar o bloqueio anestésico, considerando a vascularização da região, a fim de evitar uma injeção inadvertida em vasos sanguíneos. Para isso, é imprescindível aspirar antes da aplicação do anestésico.

Além disso, o risco de pneumotórax é maior nos bloqueios paravertebrais em comparação aos intercostais. Caso o paciente apresente tosse ou dor torácica durante o procedimento, recomenda-se a realização de uma radiografia de tórax para investigação.

A injeção inadvertida no espaço subaracnóideo ocorre com maior frequência na região torácica, devido à curta distância entre o processo transverso e a dura-máter. Portanto, a administração de 5 a 10 mL de anestésico local nesse espaço pode levar à raquianestesia total.

Outras técnicas utilizadas para tratamento da dor

Outras técnicas intervencionistas podem ser utilizadas para tratamento da dor, como as técnicas neurodestrutivas e as técnicas de neuromodulação.

Técnicas Neurodestrutivas

As técnicas neurodestrutivas utilizam substâncias como álcool e fenol ou a aplicação de calor por meio de energia elétrica para promover a denervação por radiofrequência (RF).

Esses procedimentos são considerados irreversíveis e costumam ser indicados para pacientes com dor crônica refratária a outras abordagens. Portanto, realiza-se essas abordagens geralmente após um teste diagnóstico com anestésico local e confirmação de alívio da dor.

Técnicas neuromoduladoras

A técnica de neuromodulação, por sua vez, é alcançada por meio da administração intratecal de medicamentos e da estimulação elétrica da medula espinhal.

Indica-se a bomba intratecal para liberação de fármacos para pacientes com dor crônica não oncológica que não obtiveram alívio com terapias convencionais ou que apresentam intolerância aos opioides orais devido a efeitos colaterais. As substâncias mais utilizadas incluem morfina, baclofen e ziconotide, além de outras opções como hidromorfona, fentanil, sufentanil, bupivacaína e clonidina.

A estimulação elétrica da medula espinhal, por sua vez, é recomendada para pacientes com dor persistente após cirurgias na coluna cervical ou lombar sem melhora clínica, bem como para casos de neurites e síndromes dolorosas regionais complexas. Os candidatos devem ser criteriosamente selecionados e acompanhados regularmente, principalmente no primeiro ano, para ajustes na estimulação elétrica e na terapia medicamentosa.

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Você sabia que os bloqueios anestésicos são técnicas importantes para o controle da dor? Dessa forma, dominar as técnicas de bloqueio é essencial para proporcionar alívio efetivo aos pacientes, melhorando sua qualidade de vida e recuperação.

Na Pós-Graduação em Medicina da Dor da Sanar, você aprenderá os princípios e as técnicas de bloqueios anestésicos, além das abordagens mais avançadas para o manejo da dor crônica e aguda.

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