Descubra como funciona a bichectomia, cirurgia estética para afinar o rosto, e os cuidados necessários.
A bichectomia, também chamada de bichatectomia, é um procedimento cirúrgico que envolve a remoção parcial da “bola de Bichat” (ou “gordura de Bichat”) com fins estéticos ou funcionais.
Essa intervenção contribui significativamente para a harmonia do rosto, proporcionando um aspecto mais afinado e simétrico. Além do benefício estético, a técnica também pode reduzir lesões recorrentes na mucosa jugal causadas pelo atrito durante a mastigação.
Embora a redução da gordura bucal seja realizada há bastante tempo para fins estéticos e reparadores, a busca pelo procedimento tem sido cada vez maior. Esse crescimento relaciona-se à tendência estética atual de um rosto mais fino e com maior evidência de ossos zigomáticos.
Gordura de Bichat
A gordura de Bichat é uma estrutura esférica, formada por gordura e envolta por uma fina camada de tecido conjuntivo, cuja função consiste no preenchimento da face, além de contribuição para a mobilidade dos músculos das bochechas.
Tal estrutura localiza-se externamente ao músculo bucinador e à frente da borda anterior do músculo masseter. Além disso, está próxima de várias estruturas importantes, incluindo o ducto da glândula parótida, os ramos terminais do nervo facial, além de artérias e veias da face.
A gordura de Bichat pode variar entre os dois lados da face de um mesmo indivíduo e entre diferentes pessoas. No entanto, sua massa e volume permanecem constantes, mesmo em casos de desnutrição severa.
O desenvolvimento dessa estrutura tem início por volta do terceiro mês de vida intrauterina, quando seus lóbulos começam a conectar-se ao plexo venoso das veias orbitais e superficiais da face. No quinto mês de gestação, a gordura de Bichat já apresenta lóbulos bem definidos e suas células estão completamente maturadas antes do nascimento.
Técnica da bichectomia
Posicionamento do cirurgião e do paciente
A correta posição do paciente, do cirurgião e de seu assistente é essencial para otimizar a visualização e a abordagem da região a ser operada. Portanto, o paciente deve estar em decúbito dorsal, com a cabeceira elevada a aproximadamente 45 graus, o que facilita o acesso à bola de Bichat. Para abordar a bochecha esquerda, o cirurgião posiciona-se à direita da cabeceira do paciente, trocando de lado para operar a bochecha direita.
Planejamento da incisão intraoral
O planejamento adequado da incisão intraoral permite um acesso seguro e eficiente à gordura bucal, garantindo boa visualização e minimizando riscos, como lesões nos ramos bucais do nervo facial e no ducto parotídeo.
Para sistematizar a incisão, utiliza-se a técnica do “T” intraoral, que consiste em identificar o ducto parotídeo e a veia bucal, traçando uma linha perpendicular entre o ducto e o sulco gengivobucal. Essa linha, com cerca de 2 cm de extensão, indica precisamente o local da incisão.
Anestesia e Infiltração
Realiza-se a bichectomia preferencialmente sob anestesia geral, o que proporciona maior controle da via aérea e conforto para o paciente e o cirurgião. Todavia, pode ser realizada sob anestesia local também.
Para reduzir o sangramento, realiza-se uma infiltração cuidadosa com xilocaína 2% associada à epinefrina 1:150.000, limitando-se à mucosa e ao músculo bucinador. Entretanto, vale ressaltar que o uso excessivo de solução anestésica pode distorcer a anatomia e dificultar a identificação das estruturas e, portanto, não é recomendada.
Incisão e dissecção
A incisão segue a técnica do “T” intraoral e é realizada com bisturi lâmina 15. O músculo bucinador não é incisado diretamente, mas divulsionado com uma pinça de Kelly ou Halsted, minimizando sangramentos.
A dissecção prossegue com afastador de Langenbeck e segue em direção superoposterior, em direção a uma linha entre a borda inferior do arco zigomático e o lóbulo da orelha. Prossegue-se a dissecção até a identificação da bola de Bichat.
Remoção da gordura de Bichat
Após a sua identificação, remove-se a gordura de Bichat. Para a remoção segura, emprega-se a técnica da “vassourinha”, que consiste em tracionar suavemente a gordura e realizar divulsões ao redor de sua cápsula, permitindo sua extração de forma segura e sem sangramento significativo.
A remoção completa da gordura preserva uma pequena porção posterior, aderida ao ligamento zigomático posterior.
Fechamento da Incisão
A incisão é suturada com dois a três pontos de Vicryl 4.0, englobando as fibras do músculo bucinador e a mucosa, prevenindo deiscências. Os pontos permanecem por cerca de três semanas, caindo naturalmente na maioria dos casos.
Indicações da bichectomia
Indica-se a bichectomia para indivíduos que apresentam um rosto mais largo e arredondado, com aspecto de sobrepeso e que não esteja em harmonia com os contornos faciais.
Por sua vez, sua principal indicação funcional relaciona-se à correção de problemas mastigatórios, como a lesão crônica da mucosa jugal.
Ademais, utiliza-se a bola de Bichat na reparação de diversas lesões, incluindo defeitos resultantes da remoção de tumores, cistos maxilares e comunicações oro-antrais. Além disso, sua utilização é viável na correção de danos pós-traumáticos, bem como na reconstrução de estruturas como o palato duro e o palato mole.
Quem pode realizar o procedimento?
Para a realização da bichectomia recomenda-se que o paciente tenha mais de 18 anos, esteja em boas condições de saúde, não seja fumante e possua expectativas realistas quanto aos resultados esperados.
Em contrapartida, entre algumas das contraindicações para a realização do procedimento, estão:
- Pacientes submetidos à radioterapia ou quimioterapia;
- Portadores de infecções locais;
- Nefropatia;
- Coagulopatia;
- Cardiopatia;
- Imunossupressão;
Por fim, a diferença entre o volume das bolas de Bichat ou o seu tamanho reduzido também podem contraindicar a realização do procedimento, devido ao risco aumentado de assimetria após a cirurgia ou resultado discreto, que pode não corresponder às expectativas do paciente.
Benefícios da bichectomia
Entre os principais benefícios da bichectomia estão:
- Melhora no contorno facial, com bochechas mais finas e osso zigomático mais harmônico;
- Melhora na autoestima e na autoconfiança;
- Procedimento minimamente invasivo e recuperação rápida.
- Melhora do mordiscamento crônico da mucosa jugal.
Ademais, quanto aos resultados estéticos, alguns autores afirmam que a bichectomia tende a proporcionar melhores resultados quando combinada com outros procedimentos, como lipoaspiração ou preenchimento da região malar.
Riscos e complicações da bichectomia
Assim como em qualquer intervenção cirúrgica, há alguns riscos relacionados à realização da bichectomia.
Entre os mais frequentes estão a lesão do ducto de Stenon, que provoca sialocele e fístulas, e a lesão do ramo bucal do nervo facial, que pode levar a paralisia bucal temporária ou definitiva.
Além disso, outras complicações incluem hematomas, infecções, edema devido a sialocele precoce, trauma no músculo bucinador, abscesso e necrose.
Ademais, alguns autores sugerem que a remoção total da bola de Bichat pode levar a uma aparência mais envelhecida com o passar da idade, o que pode levar a necessidade de reposição de tecido adiposo no futuro. Em contrapartida, outros autores afirmam que o envelhecimento precoce e a flacidez da pele são devido à perda de colágeno e elastina que ocorrem com o processo natural do envelhecimento e, portanto, não estão relacionados à realização da bichectomia.
Pós-operatório de bichectomia e cuidados necessários
Para o pós-operatório de bichectomia, recomenda-se a realização de crioterapia, ou seja, aplicação de bolsa de gelo, durante 24 a 48 horas, na região onde o procedimento foi realizado. Esse cuidado é importante para evitar possíveis edemas.
Ademais, indica-se a administração de antibióticos por aproximadamente cinco a sete dias, além de analgésicos e anti-inflamatórios, se necessário.
Alguns autores sugerem que os resultados do procedimento podem ser vistos após quatro meses, enquanto outros afirmam que esse período pode ser um pouco maior, em torno de seis meses.
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Referências
- ALVAREZ, G. S.; SIQUEIRA, E. J. Bichectomia: sistematização técnica aplicada a 27 casos consecutivos. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, 2018.
- BISPO, L. B. A bichectomia na harmonização e função orofacial. Rev. Odontol. Univ. Cid. São Paulo 2019.
- FERREIRA, M. S. Bichectomia: um procedimento estético-funcional. UFJF, 2019.