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Basófilos: o que são e como conduzir casos de valores altos e baixos

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Entenda o que são os basófilos, seus valores de referência, a importância orgânica dessas células e o manejo da basopenia. Bons estudos!

Os basófilos são células do sangue, sendo tipos de leucócitos. Sua presença é fundamental para indicar processos inflamatórios ou infecciosos orgânicos. Assim, é fundamental que o médico esteja atento a esses valores séricos.

O que são os basófilos?

Os basófilos constituem uma subpopulação de leucócitos granulares, originados a partir de precursores hematopoiéticos na medula óssea. Assim, após o processo de maturação, essas células migram para a circulação sanguínea, onde permanecem em baixíssima concentração, representando menos de 1% do total de leucócitos periféricos.

Dessa forma, do ponto de vista morfológico, os basófilos apresentam grânulos citoplasmáticos volumosos e metacromáticos, que contêm diversas substâncias bioativas, como histamina, heparina, leucotrienos e citocinas. Portanto, tais mediadores exercem funções importantes tanto na resposta imune inata quanto na adaptativa, participando de processos inflamatórios, reações alérgicas e defesa contra patógenos.

Além disso, os basófilos contribuem para a modulação da atividade de outras células imunocompetentes, como linfócitos T e células dendríticas, atuando, portanto, como elementos reguladores da resposta imune.

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Figura 1: Microscopia com hemáceas e basófilo.

Assim, os basófilos não costumam residir permanentemente nos tecidos, sendo encontrados predominantemente na circulação periférica. No entanto, podem ser recrutados para sítios específicos em contextos inflamatórios, sobretudo em reações de hipersensibilidade imediata mediadas por IgE, como ocorre na anafilaxia e em algumas doenças alérgicas.

Defesa do hospedeiro

Apesar de sua capacidade de secretar potentes mediadores inflamatórios, a relevância dos basófilos na defesa do hospedeiro ainda não é completamente compreendida, especialmente devido à sua baixa frequência relativa no sangue e à escassez de estudos funcionais conclusivos. Portanto, por esse motivo, seu papel fisiológico permanece em parte controverso, sendo muitas vezes considerado secundário quando comparado ao de outras células efetoras da imunidade.

A tabela abaixo indica os percentuais normais de glóbulos brancos, os basófilos estão destacados em verde:

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Figura 1: Valor médio dos basófilos. Fonte: ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2019

Assim como os mastócitos, os basófilos expressam receptores de alta afinidade para a fração Fc da imunoglobulina E (IgE), denominados FcεRI. Essa característica molecular permite que participem ativamente das reações de hipersensibilidade imediata, típicas de doenças alérgicas, nas quais a IgE desempenha papel central na ativação celular e liberação de mediadores inflamatórios.

Dentre as principais substâncias presentes nos grânulos citoplasmáticos dos basófilos, destacam-se a histamina e a heparina. A histamina é responsável por promover vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e contração da musculatura lisa, especialmente nos brônquios e vísceras. Já a heparina atua como anticoagulante, contribuindo para o controle local da hemostasia durante os processos inflamatórios.

Além desses mediadores clássicos, os basófilos também armazenam e liberam outras substâncias biologicamente ativas, como:

  • Serotonina, que modula o tônus vascular e a resposta inflamatória
  • Peroxidase, envolvida na geração de espécies reativas de oxigênio e destruição de patógenos
  • Fator quimiotático de eosinófilos (ECF), que promove a migração e ativação de eosinófilos em sítios de inflamação
  • Fator de ativação plaquetária (PAF), que estimula a agregação plaquetária e amplifica a inflamação
  • Proteína básica maior (MBP), com ação citotóxica e função imunorregulatória.

Essa ampla gama de mediadores evidencia o papel multifuncional dos basófilos na imunidade, especialmente nos contextos de inflamação aguda e reações alérgicas mediadas por IgE.

Funções orgânicas dos basófilos: para que servem?

Os basófilos, assim como os mastócitos, desempenham papel essencial na modulação da resposta inflamatória, especialmente por meio da liberação de mediadores que aumentam a permeabilidade vascular. Esses mediadores são armazenados em grânulos citoplasmáticos e liberados mediante estímulos específicos, sendo fundamentais para a resposta imune, em especial nos casos de hipersensibilidade do tipo I.

Entre os principais mediadores químicos liberados pelos basófilos destacam-se:

  • Heparina: um polissacarídeo sulfatado com potente ação anticoagulante, capaz de inibir a formação de trombina e, consequentemente, prevenir a coagulação sanguínea. Além disso, contribui para a depuração de lipídios circulantes, facilitando a remoção de partículas de gordura do sangue
  • Histamina: amina biogênica com propriedades vasodilatadoras, responsável por promover aumento da permeabilidade vascular e contração da musculatura lisa. É um dos principais mediadores envolvidos nas reações alérgicas e anafiláticas, exercendo papel central nos mecanismos de hipersensibilidade imediata.

Essas substâncias, classificadas como mediadores inflamatórios, atuam nos processos imunológicos, sendo liberadas em resposta à ativação dos basófilos. Dessa forma, tal ativação ocorre mediante estímulos específicos, como a ligação de complexos IgE-antígeno aos receptores FcεRI presentes na membrana dos basófilos, ou pela ação de anafilatoxinas geradas na cascata do sistema complemento (C3a, C4a e C5a).

Além de responderem à IgE, os basófilos podem contribuir indiretamente para sua produção, estimulando células B a sintetizarem essa classe de imunoglobulina. Além disso, o IgE, por sua vez, é um anticorpo que participa da imunidade contra parasitas helmínticos e exerce papel relevante na ativação de mecanismos efetores da resposta alérgica, incluindo a facilitação da fagocitose de agentes patogênicos.

Dessa forma, os basófilos não apenas participam da defesa do organismo como também desempenham papel regulador na interface entre os sistemas imune inato e adaptativo.

Valores de referência de basófilos séricos

Como comentamos, os basófilos são um tipo de leucócitos. Assim, seus valores séricos são indicados a partir da quantidade de leucócitos no sangue.

Com base nisso, os basófilos representam de 0 a 2% dos leucócitos totais. Dessa forma, é considerado normal quanto os basófilos são encontrados de 20 a 100 por microlitro de sangue.

Os valores de referência não variam entre homens e mulheres. O resultado sempre deve ser interpretado pelo médico, já que os valores podem variar dentre os laboratórios.

Basopenia: o que é e suas causas?

A basopenia é uma condição hematológica rara, caracterizada por uma redução abaixo dos níveis fisiológicos de basófilos na corrente sanguínea. Assim, essa alteração é identificada por meio do hemograma com contagem diferencial automatizada, sendo, na maioria dos casos, assintomática e de baixa relevância clínica.

Todavia, quando os níveis basofílicos caem de forma expressiva — geralmente abaixo de 20 células/mm³ — pode haver associação com distúrbios sistêmicos ou estados fisiológicos específicos, o que requer avaliação contextualizada.

As principais causas relacionadas à basopenia incluem:

  • Uso de fármacos imunossupressores, como os corticoides, que podem inibir a produção ou liberação de basófilos pela medula óssea
  • Reações de hipersensibilidade aguda, nas quais os basófilos são rapidamente recrutados para os tecidos, reduzindo sua concentração circulante
  • Estados de estresse intenso ou ansiedade, capazes de promover alterações hematológicas transitórias
  • Fases do ciclo reprodutivo, como a ovulação ou a gestação, que modulam os perfis hematológicos por ação hormonal;
  • Doenças endócrinas, como hipertireoidismo e síndrome de Cushing, que interferem na homeostase hematológica bem como imunológica.

Embora a basopenia isoladamente não represente, na maioria das vezes, uma condição patológica grave, sua presença pode fornecer indícios importantes quando avaliada em conjunto com outros parâmetros laboratoriais e clínicos.

Basofilia: o que é e quando ocorre?

A basofilia refere-se ao aumento anormal da concentração de basófilos na corrente sanguínea. Esse achado é, na maioria das vezes, detectado incidentalmente em exames laboratoriais de rotina, sobretudo em hemogramas com contagem diferencial de leucócitos.

Em termos gerais, a basofilia está frequentemente associada a processos inflamatórios sistêmicos ou reações alérgicas, podendo também ocorrer em distúrbios mieloproliferativos, como a leucemia mieloide crônica. Nesses contextos, observa-se geralmente uma elevação concomitante de outros parâmetros do leucograma, o que reforça a necessidade de interpretação conjunta dos dados laboratoriais.

Assim, é importante ressaltar que a basofilia não representa, por si só, uma entidade clínica que exija tratamento específico. Na prática médica, o foco da abordagem deve estar na identificação e tratamento da condição de base que desencadeou o aumento dos basófilos, seja ela infecciosa, imunológica, hematológica ou endócrina.

Portanto, consequentemente, os sinais e sintomas observados em pacientes com basofilia estão, na maioria das vezes, diretamente relacionados à doença subjacente. Portanto, a presença de basofilia deve servir como um alerta para investigação diagnóstica criteriosa, e não como um marcador isolado de patologia.

As causas que podem culminar nesse quadro são:

Os basófilos na sua prova de Residência Médica

Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, são células incolores que atuam principalmente na defesa do corpo, protegendo-o contra organismos invasores e desencadeando respostas imunológicas. O número normal de leucócitos por milímetro cúbico de sangue em uma pessoa adulta é de 4 a 10 mil.

Em relação a essas células analise as afirmativas abaixo e faça a correlação correta.

I. Eosinófilo.
II. Neutrófilo.
III. Linfócito.
IV. Monócito.
V. Basófilo


A. São células que apresentam grânulos maiores que os dos neutrófilos e eosinófilos e núcleo grande e de formato irregular que lembra a letra “S”. Sua função é liberar histamina e heparina, funcionando, respectivamente, em respostas alérgicas e evitando a coagulação do sangue.


B. São pequenos e apresentam um grande núcleo circular e importante papel na resposta imune. Essas células podem ser classificadas em dois tipos principais.


C. São glóbulos brancos que apresentam núcleos constituídos por dois a cinco lóbulos e possuem dois tipos de grânulos no citoplasma: grânulos específicos e azurófilos. Apresentam a capacidade de sair do interior de vasos sanguíneos intactos (diapedese) e invadir tecidos para defender nosso organismo. São responsáveis por fagocitar organismos invasores, como bactérias, sendo importantes para a resposta inata.


D. São células que apresentam grânulos que se coram ao utilizar eosina e um núcleo com dois lobos conectados por um filamento. Apresentam como principal função fagocitar o complexo antígeno-anticorpo. Essas células aumentam quando o paciente apresenta reações alérgicas ou infecções parasitárias.


E. São células grandes que possuem um único núcleo com formato de rim. Essas células realizam diapedese e caem no tecido conjuntivo, onde se desenvolvem em macrófagos, células de alto poder fagocitário.

A) I-D; II-C; III-A; IV-B; V-E
B) I-D; II-C; III-B; IV-A; V-E
C) I-D; II-C; III-B; IV-E; V-A
D) I-A; II-D; III-E; IV-B; V-C
E) I-A; II-C; III-E; IV-B; V-D

Acima, vemos as principais características acerca das células leucocitárias desde eosinófilos a basófilos. Diante dos conhecimentos adquiridos acerca dos basófilos, entendemos que suas principais características são compatíveis com a descrição da letra D. Portanto, resposta: letra E.

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Perguntas frequentes

  1. O que são basófilos?
    São tipos de células brancas do sangue, fortemente associadas à reações de hipersensibilidade do tipo E.
  2. Quais são as características dos basófilos?
    São células multinucleares, com a presença de grânulos que se coram na com eosina.
  3. Qual é o tratamento para basofilia?
    Não existe um tratamento destinado ao controle da quantidade de basófilos. Isso porque sua alteração se relaciona à uma doença base, a qual de fato deve ser tratada.

Referências biblioráficas

  1. ABBAS, Abul K.; PILLAI,Shiv; LICHTMAN, Andrew H.. Imunologia:Celular e Molecular. 9 ed. Rio De Janeiro: Editora Elsevier Ltda, 2019.

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