A incontinência urinária no idoso é uma das queixas mais comuns nesse público. Assim, considerando as mudanças das definições de saúde e bem-estar no final da vida, essa é uma condição ainda mais relevante para esse público.
Com isso em mente, é intuitivo concluir que como médico(a) é fundamental conhecer os impactos da incontinência urinária na vida de um idoso.
Impactos da incontinência urinária na rotina do idoso
Antes de compreender os impactos dessa condição na vida do idoso, lembre-se que ela afeta cerca de 30% daqueles que vivem em comunidade. Em contrapartida, está presente de 50% a 60% nos asilados.
Pensando nisso, independente da faixa etária, a continência urinária não depende somente da integridade do trato urinário inferior. Assim, alterações da motivação, da destreza manual, mobilidade, lucidez e a existência de doenças associadas (diabetes mellitus e insuficiência cardíaca, entre outras) podem ser responsáveis pela incontinência urinária.
Por serem mais encontradas nos idosos, isso faz com que o quadro seja mais prevalente nessa faixa etária. Em contrapartida, considerando os fatores anatômicos, a força de contração da musculatura detrusora, a capacidade vesical e a habilidade de adiar a micção aparentemente diminuem, no homem e na mulher.
Quantos aos impactos da incontinência urinária na rotina e bem estar do idoso, tem-se:
- Lesões perineais: dermatites, úlceras de pressão;
- Infecção urinária;
- Isolamento social: constrangimento pela perda urinária ;
- Prejuízo no sono: noctúria;
- Depressão;
- Quedas e fraturas: especialmente durante a noite, na tentativa de chegar ao banheiro o escuro com o ambiente, geralmente, sem luminosidade.

Diagnóstico da incontinência urinária no idoso
A incontinência urinária pode ser classificada distintamente, sendo de:
- Urgência: mais comum e responsável pela vontade repentina de urinar, podendo acontecer um escape.
- Esforço: em momentos de um esforço diário comum, como tosse ou espirro.
- Mista: pelos dois motivos acima.
- Paradoxal: comum no caso de hiperplasia prostática benigna, havendo uma compressão extrínseca da região uretral, com aumento de volume urinário na bexiga e pressão. Como consequência, tem-se um extravasamento.
- Funcional: pacientes que tem dificuldade de mobilidade e não conseguem chegar ao banheiro a tempo. Como exemplos, pacientes com marcha parkinsoniana, mais lenta.
Pesquisa na anamnese do idoso com suspeita de incontinência urinária
Durante a anamnese do paciente idoso, é importante que seja feita uma pesquisa ativa e cuidadosa. Isso é especialmente importante por dois motivos: ou o idoso acredita ser normal e não relata os episódios, ou se sente constrangido em admitir a ocorrência dos episódios.
A partir disso, é importante que a incontinência seja classificada. Em seguida, identificar as causas (ex.: idoso obeso com compressão de bexiga).
Outro ponto importante, é entender o impacto social da incontinência urinária nesse idoso, como tem se refletido na sua rotina.
Exame físico
No exame físico, é importante uma atenção especial `à região pélvica do paciente. Nesse momento, pesquise a presença de trofismo vaginal, bexigoma, lesões cutâneas, bem como algum grau de prolapso uterino.
Além disso, é interessante solicitar que o paciente realize a manobra de Valsalva, a fim de que seja avaliado esse grau de prolapso ou incontinência.

A pesquisa de massas, cicatrizes, tônus esfincteriano e realizar toque retal (identificar um possível fecaloma) também é importante.
Exames complementares
Muitas vezes a infecção urinária no idoso é manifestada de maneira mascarada. Por esse motivo, é importante que seja solicitado Urina tipo 1 e urocultura.
Assim sendo, avaliar eletrólitos, glicemia, função renal pode ainda afastar causas que podem estar levando à poliúria que, associado à fatores anatômicos da senescência, podem resultar na incontinência.
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Referências
- Geriatric health maintenance. Mitchell T Heflin, MD, MHS. UpToDate
- Incontinência urinária no idoso. Rodolfo Borges dos Reis. Disponível em: https://bit.ly/3xkbjZK.