Confira um artigo completo que falamos sobre a Avaliação da Função Cardíaca para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.
Boa leitura!
Avaliação da Função Cardíaca
A abordagem de um paciente com suspeita de doença cardiovascular (DCV), ou já conhecida, deve se iniciar com a história clínica e exame físico direcionado. Na história, a ênfase deve ser nos sinais e sintomas cardiovasculares, como desconforto torácico, dispneia, edema, palpitações e síncope.
Coletar informações sobre as características específicas de cada sinal e sintoma, principalmente quanto a dor precordial (qualidade, localização, irradiação, fatores desencadeantes e de melhora, modo de início, duração e sintomas associados); perguntar sobre mudanças do sintoma ao longo do tempo, além da história familiar de doenças cardiovasculares.
SE LIGA! Algumas características do desconforto torácico diminuem a possibilidade de ser de origem cardíaca, como dor aguda pleurítica perfurante, posicional e que se reproduz com a palpação.
O exame físico cardiovascular é de grande importância na prática clínica e se inicia com a avaliação do estado geral do paciente. Deve incluir dados vitais, aferição da pressão arterial, inspeção do precórdio, palpação e ausculta das bulhas cardíacas, além de palpação dos pulsos periféricos e observação da coloração da pele.
Após a avaliação clínica, podem ser necessários alguns exames, invasivos ou não, que possam traçar a estrutura e função cardíaca, como o teste ergométrico, o ecocardiograma, a cintilografia miocárdica e o cateterismo cardíaco.
Avaliação da Função Cardíaca: estratificação do risco cardiovascular
Um evento cardiovascular agudo muitas vezes é a primeira manifestação da doença aterosclerótica em pessoas que apresentam essa complicação. Desta forma, a identificação dos indivíduos assintomáticos que estão mais predispostos é essencial para a prevenção efetiva com a correta definição das metas terapêuticas.
Para isso, foram criados escores para avaliação dos pacientes, como o Escore de risco global (ERG) de Framingham. Este escore inclui a estimativa de eventos coronarianos, cerebrovasculares, doença arterial periférica ou insuficiência cardíaca (IC) em 10 anos. De acordo com a estratificação, são propostas estratégias de prevenção primária ou secundária da DCV, além do tratamento.
Para o cálculo de Escore de Risco Global (ERG), levam-se em consideração os seguintes aspectos: idade; nível de HDL; colesterol total; medida da pressão arterial sistólica (não tratada); PAS tratada; tabagismo; e diabetes. Com base no somatório de pontos desses aspectos, é definido um risco global, em percentual, que varia entre homens e mulheres.
São exemplos de estratificadores de risco (ER): idade ≥ 48 anos (homens) e ≥ 54 anos (mulheres); diagnóstico de diabetes > 10 anos; histórico familiar de parente de primeiro grau com DCV prematura (<55 anos para homem e <65 anos para mulher); tabagismo (pelo menos 1 cigarro no último mês); HAS; síndrome metabólica; albuminúria; > 30mg/g de creatinina e/ou retinopatia; e TFG < 60mL/min.
A nova estratificação de risco CV proposta pela Sociedade Brasileira de Cardiologia considera 4 níveis de risco: muito alto, alto, intermediário e baixo.
- Risco muito alto: indivíduos com doença aterosclerótica significativa (obstrução ≥ 50%) em território coronário, cerebrovascular ou vascular periférico, com ou sem eventos clínicos.
- Risco alto: indivíduos que apresentam ERG > 20% (homens) ou > 10% (mulheres) ou que apresentam condições agravantes de risco: aterosclerose subclínica; aneurisma de aorta abdominal; Doença Renal Crônica; LDL ≥190 mg/dL; diabetes tipos 1 ou 2 com LDL entre 70 e 189mg/dL e presença de DASC (Doença arterosclerótica subclínica) ou estratificadores de risco.
- Risco intermediário: pacientes com ERG entre 5 e 20% (homens) e entre 5 e 10% (mulheres); pacientes com diabetes mellitus sem a presença de ER. Muitos dos pacientes de meia idade pertencem a esta categoria.
- Risco baixo: adultos entre 30 e 74 anos, de ambos os sexos, cujo risco de eventos CV em 10 anos, calculados pelo ERG, é inferior a 5%.
Teste Ergométrico
A medida eletrocardiográfica do coração durante o exercício está entre os testes mais utilizados para a avaliação dos pacientes com doença cardiovascular (DCV).
Consiste em um teste de fácil realização, interpretação, além de ser barato e disponível em muitos serviços. Tem utilização na avaliação e manejo de pacientes com diversas condições cardiovasculares, como doença valvar, doença cardíaca congênita, arritmias e doença arterial periférica.