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Avaliação da dor em cuidados paliativos: parâmetros clínicos

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Os cuidados paliativos conversam com a dor, o sofrimento e o desconforto no propósito de cuidar e aliviar os sintomas, conferindo bem estar ao seu paciente.

Com isso, é importante que você, médico(a) esteja familiarizado com a avaliação da dor do seu paciente, sabendo reconhecê-la e intervir de forma coerente e integral.

Dimensões da avaliação de dor nos cuidados paliativos

As dimensões incluem aspectos como sintomas, gravidade, frequência e nível de interferência na vida cotidiana sobre o paciente. Um exemplo relevante de sintoma, em especial, é a dor.

Assim, compreender a gravidade desses sintomas é útil quando se trata do tratamento do paciente, podendo oferecer algumas previsões prognósticas desse paciente.

Por isso, é importante reconhecer que cada indivíduo possui uma percepção única da dor e sofrimento, sendo subjetiva e totalmente pessoal.

Vale a pena ressaltar, ainda, que a percepção do paciente e da família com relação à dos profissionais de saúde também difere. Dessa forma, é uma tendência que os médicos classifiquem esses sintomas como mais baixos do que o paciente e seus familiares, abalados e angustiados diante do desconforto instalado.

Por outro lado, também é possível que pacientes em dor não citem esse sintoma, associando-o à progressão da doença e, em casos de paciente com câncer, o receio de interrupção do tratamento.

Avaliação da dor nos cuidados paliativos

Avaliar a dor tem como objetivo obter uma classificação de gravidade e, com isso, um diagnóstico do tipo de dor e sua possível causa.

Pensando nisso, ter em mente que a única maneira de conhecer a percepção de dor pelos seus pacientes é questionando sobre ela e não acreditar na sua resposta pode ser um problema.

História da dor nos cuidados paliativos

Algumas perguntas importantes de serem feitas ao colher a história do paciente é sobre a localização, natureza, interferência na vida diária e o alívio da dor.

Local da dor

Quanto ao local da dor, é sempre aconselhável que você peça ao paciente que aponte para o local da dor. Isso é importante para evitar qualquer confusão de termos anatômicos, o que pode prejudicar o seu raciocínio clínico.

Tipo da dor

Em sequência, entender o tipo da dor do seu paciente é também um fator importante que favorece o diagnóstico.

Dessa forma, a dor nociceptiva somática pode indicar uma lesão tecidual em curso. Geralmente é bem localizada e descrita pelo paciente com palavras como:

  • “Dolorido”;
  • “É como se uma faca estivesse entrando em mim”;
  • “Pulsante”.

Já quanto à dor nociceptiva visceral pode ser resultado de uma distensão, lesão ou inflamação de órgãos viscerais. Assim, frequentemente é mal localizada. Com isso, os pacientes podem descrevê-la como:

  • “A dor está me roendo por dentro”;
  • “É como se fosse uma cólica”.

Por outro lado, a dor neuropática é sustentada por anormalidades no processamento sensorial do sistema nervoso central ou periférico. Ainda, pode ser resultado de um dano direto nos nervos.

Nesse caso, os pacientes podem relatar queimação, dormência ou ainda prurido associado à dor.

Impacto na gravidade e qualidade de vida (QV) dos pacientes em cuidados paliativos

Nesse momento, compreender o quão potente essa dor é de interferir na vida diária do paciente pode intervir na dosagem da medicação.

Assim sendo, a gravidade da dor pode ser avaliada de várias maneiras, como a Escada de Dor Facial.

Figura 1: Representação esquemática da escala de dor de faces, classificada de 0 a 6 da esquerda para a direita. Fonte: Bieri, D, Reeve, RA, Champion, GD, et al.

Somado à Escala de Dor Facial, a Escala Visual Analógica segundo à percepção própria do paciente sobre sua dor. Com isso, a pontuação é referente à distância em milímetros desde a extremidade da esquerdo à linha marcada pelo paciente.

Figura 2: Ao utilizar uma EVA, o paciente é solicitado a marcar uma linha de 10 cm em um ponto que corresponde ao grau de dor.

Semelhante à isso, a gravidade da dor pode ser estimada pelo impacto da dor na função física e psicológica e na qualidade de vida. Informações a esse respeito podem ser consideradas através dos familiares.

Pacientes incapazes de autorrelato

Esse é certamente um desafio dentro da avaliação da dor do paciente.

Em geral, trata-se de indivíduos com déficits permanentes, como demência, e aqueles com déficits cognitivos mais temporários, como delírio, sedação ou trauma.

Como resultado, pode-se ter um subtratamento da dor, devido a não ser de fácil reconhecimento.

Para a minimização dos riscos que essa situação oferece, foram desenvolvidos alguns instrumentos a fim de avaliar a dor de adultos não verbais. Ele se baseia na observação cuidadosa pela família de alguns comportamentos próprios do paciente que indiquem dor ou angústia. No caso de um indivíduo com demência, por exemplo, tem-se:

Figura 3: Proposta de escore de avaliação da dor em pacientes com demência. A avaliação é feita durante 5 minutos antes da realização da avaliação. Os escores variam de 0 a 10. Fonte: Warden V, Hurley AC, Volicer L.

Pode ainda ser necessária uma avaliação mais cuidadosa, caso não sejam tão evidentes os sinais citados acima. Nesses casos, a dispneia é um bom indicador.

Figura 4: Respiratory Distress Observation Scale (RDOS) para pacientes incapazes de autorrelato de dispneia.

Perguntas frequentes

  1. Dentro dos cuidados paliativos, considerando o indivíduo em sofrimento, quais são as suas atmosferas do cuidado integral?
    O indivíduo em cuidados paliativos devem ser enxergado com cuidado por várias atmosferas. Dentre elas o ser emocional, mental, espiritual, social, cultural e biológico.
  2. Considerando os cuidados paliativos, como pode ser definida a futilidade terapêutica?
    São medidas não efetivas em corrigir ou melhorar as condições que ameaça a vida do paciente. Assim, podem ser procedimentos diagnósticos ou terapêuticos inúteis, que não aumentam a sobrevida ou qualidade de vida do paciente.
    3. Como o “subvício” pode ser descrito e como se relaciona com a dor?
    O “subvício” ocorre quando o paciente tem sua dor subtratada com a medicação, o que resulta em um comportamento semelhante ao viciante. Assim, podem solicitar medicamentos extras. Isso pode ocorrer no caso de o médico estar relutante em fornecer quantidade suficiente de medicação.

Referências

  1. Approach to symptom assessment in palliative care. Victor T Chang, MD. UpToDate
  2. Cuidados paliativos e dor. III PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA
  3. EM FISIOPATOLOGIA E TERAPÊUTICA DA DOR – 2013.

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