Com o aumento no número de novos casos de Covid-19 associados a uma letalidade que, embora reduzida por causa da vacinação, ainda preocupa especialistas, necessitou-se de novas ferramentas e planos de ação para o enfrentamento da pandemia.
Desta forma, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, por unanimidade, uma prática que há muito já vinha sendo feita em países mais desenvolvidos: o uso de autotestes de Covid.
Burocracia:
Após ter sido adiada a decisão sobre a liberação dos autotestes devido a falhas na documentação enviada pelo Ministério da Saúde à Agência, uma nota técnica foi emitida pela entidade informando que os autotestes seriam incluídos como estratégia de triagem para novos casos de coronavírus e fariam parte do Plano Nacional de Expansão de Testagem (PNE-Teste). Com isso, segundo o governo, essa ferramenta iria ampliar a oferta de testagem e permitir o isolamento precoce de doentes.
Em alguns países como o Reino Unido, os autotestes são distribuídos de graça pelo governo. Já nos Estados Unidos, é possível compra-los em farmácias e outros estabelecimentos.
Onde obter os testes?
Apesar de ainda não estar liberada a venda dos autotestes, conforme o decidido pela ANVISA, eles poderão ser adquiridos em farmácias, drogarias e outros estabelecimentos de saúde que possuam licença para sua comercialização. Já as vendas online, só serão permitidas se forem feitas em plataformas de estabelecimentos de saúde já autorizados. Sites como Amazon, Mercado Livre, Americanas, dentre outros, não terão autorização para a venda.
Além disso, governos estaduais poderão adquirir o produto e distribuí-lo à população. Ainda não há, contudo, indicações de que o Governo Federal tenha pretensão de fazer isso.
Quanto eles vão custar?
Embora não haja uma definição sobre o preço médio desses produtos no Brasil, a ANVISA se mostrou cautelosa com a possibilidade de que a alta procura possa fazer com que os autotestes cheguem com preços exorbitantes ao país. O diretor da agência, Romisson Rodrigues Motta, durante uma sessão, lembrou que o governo espanhol estabeleceu em 2,94 euros o preço máximo dos kits no país. Isso significa um valor equivalente a R$ 17,6.
Como fazer o autoteste?
A princípio, a realização do autoteste é de fácil manejo. Basta que o usuário colete o material (que pode ser saliva ou líquido da cavidade nasal) com um swab (um tipo de cotonete), coloque ele em um recipiente próprio com reagente e depois despeje essa solução em uma espécie de caixa onde o resultado será exibido. O resultado deve sair entre 10 e 20 minutos desde realização do teste.
Esse teste é o igual ao RT-PCR?
Não. Segundo informações disponibilizadas pela ANVISA, os autotestes liberados são do tipo que detecta se o usuário tem antígenos do coronavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, os testes devem ter uma sensibilidade acima de 80%, mas apesar de serem considerados seguros e precisos, os RT-PCR são os únicos considerados “padrão-ouro” para diagnóstico de Covid-19.
O que fazer se o resultado for positivo?
Caso o resultado seja positivo, a orientação dada pelo Ministério da Saúde é que o usuário procure a unidade de saúde mais próxima ou o teleatendimento para que seja feita a confirmação do diagnóstico. É nesse momento que, se o resultado for confirmado, haverá a notificação do caso às autoridades sanitárias para que se tome as medidas necessárias. Nessas situações, em um primeiro momento, a orientação é para que o paciente entre em isolamento imediato.
O que fazer se o resultado for negativo?
Nesta caso, a orientação fica a cargo dos sintomas apresentados ou não pelo usuário. Se ele não possui sintomas da doença, é necessário observar se eles aparecerão ou não posteriormente. Se o exame der negativo, mas o usuário sabidamente teve contato recente com uma pessoa positivada para Covid, a orientação é que ele faça um exame de RT-PCR.
Naqueles usuários que estão apresentando sintomas, mas que o resultado do teste deu negativo, a orientação é que ele repita o teste ou procure uma unidade de saúde para avaliação médica.
O resultado negativo do autoteste poderá ser usado para embarque em voos internacionais?
De jeito nenhum. De acordo com o diretor da ANVISA, Alex Campos Machado, o resultado negativo apontado não poderá ser utilizado pelo usuário como comprovante de que não está infectado para embarque em voos internacionais para países que exigem esse tipo de comprovação, o motivo é que se trata de um teste de rastreio e não de diagnóstico como o RT-PCR.
O resultado positivo do autoteste vai ser suficiente para obter licença ou afastamento médico?
Também não. Para a ANVISA, a licença ou o afastamento médico em decorrência da Covid-19 só pode ocorrer após a análise de um profissional de saúde.
Empresas poderão comprar autotestes e distribuir aos seus funcionários?
Sim. Conforme o informado pela ANVISA, não há nenhuma restrição para que empresas façam a distribuição de autotestes para seus funcionário.
Para finalizar:
Os autotestes são uma nova aposta para o controle da pandemia no mundo. No Brasil, eles são importantes para que se mapeie a doença no cenário atual, identificando as falhas no sistema de saúde e nas políticas adotadas para seu combate, possibilitando um olhar mais estratégico e implementando novas medidas para corrigi-las. Contudo, para que de fato isso funcione, é necessário que se tenha um governo interessado em aplicar esta ferramenta de forma correta, caso contrário, será apenas mais um grande desperdício de dinheiro.
Autoria: Narjana Rösler Stamborowski
Instagram: @narjannaa
Referências:
Covid: Anvisa libera autotestes no Brasil; entenda como irá funcionar – BBC News Brasil
Anvisa autoriza por unanimidade o uso de autotestes de Covid-19 no Brasil | CNN Brasil
PerguntasfrequentesAutotestesCovid.pdf (www.gov.br)
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