Anúncio

Autoanticorpos como um fator patológico para a SARS-CoV-2 | Colunistas

autoanticorpos-como-um-fator-patologico-para-a-sars-cov-2-Carlos_Roberto_Filho

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Em estudos recentes, foi descoberto que pacientes com COVID-19 exibem grandes aumentos nas atividades de autoanticorpos. Foi estabelecido que esses autoanticorpos perturbam a função imunológica e prejudicam o controle virológico, inibindo a sinalização de imunorreceptores e alterando a composição de células imunológicas periféricas. Assim, exacerbando a gravidade da SARS-CoV-2.

No Geral, os dados indicam que além da possível citopatia direta de múltiplos órgãos induzida pelo vírus, existem os anticorpos autorreativos possivelmente patogênicos, mecanismos de autorreatividade podem ser a raiz do cenário patológico que acompanha a infecção por SARS-CoV-2. Pesquisas anteriores com foco em SARS-CoV, que do mesmo jeito do SARS-CoV-2, causa uma síndrome de insuficiência respiratória, demonstrou que a proteína IgG anti-spike poderia causar dano pulmonar ao afetar diretamente mecanismos inflamatórios.

Autoimunidade à Anexina A2

A Anexina A2 é uma proteína de ligação a fosfolipídios que envolve a fibrinólise, estabilizando, reparando a membrana celular e garantindo a integralidade da microvasculatura pulmonar.

Anticorpos anti-Anexina A2

Em um estudo que utilizou autoanticorpos IgG que faziam o reconhecimento da Anexina A2 e A5 entre 86 pacientes hospitalizados por COVID-19 no NYU Langone Health, usando a regressão logística, foi analisado e associado os níveis de anticorpos anti-Anexia A2 com a mortalidade após o ajuste para idade, sexo, raça e comorbidades principais.

Nos casos, foram encontrados níveis elevados de anticorpos anti-Anexina A2 entre os pacientes com COVID-19 hospitalizados que morreram comparado aos pacientes com COVID-19 hospitalizados não graves. Sabe-se que a inibição da Anexina A2 é responsável por induzir a trombose sistêmica, morte celular e edema pulmonar não cardiogênico. Sendo assim, pode ser que os níveis de Anexina A2 possam prever a mortalidade nos casos de COVID-19, sendo o seu mecanismo uma potencial forma de explicar os principais achados clínicos de COVID-19 grave.

Autoimunidade a IgA e IgG

O COVID-19 normalmente acarreta complicações que apresentam semelhanças com doenças autoimunes. Até agora, há poucos dados sobre possíveis respostas autoimunes mediadas por imunoglobulina (Ig).

Em um estudo de coorte retrospectivo, achados clínicos e a aPL de 64 pacientes com COVID-19 foram comparados a partir de 3 hospitais terciários independentes, 1 em Liechtenstein e 2 na Suíça. Resultando numa elevação notória do IgA total que foi significativamente associada com o COVID-19 grave. Em contrapartida, diferente do SARS-CoV, não foi observada nenhuma associação significativa com o IgG total no SARS-CoV-2.

Resposta imune induzida por IgA

Essa resposta imune, possivelmente emerge do tecido linfoide associados aos brônquios quando o SARS-CoV-2 afeta o trato respiratório profundo. A trombose, também pode ser explicada por uma elevação dos anticorpos IgA total e aPL IgA, que foi descoberto estar significativamente associado a doença grave.

Por mais que a associação de aPL elevado e a COVID-19 grave tenha sido sugerida, a elevação de IgA total junto com IgA-aPL ao comparar COVID-19 leve e grave é possivelmente o elo perdido entre a resposta imune e a hipercoagulação, uma vez que sugere uma forte indução da síndrome do anticorpo antifosfolipídeo (SAAF).

Infecção como gatilho para SAAF

Outra forma de gatilho para a SAAF é a infecção, incluindo a pneumonia, que leva à autoimunidade por meio de mimetismo molecular. No caso do COVID-19, esse mecanismo pode ser mediado pelo surfactante pulmonar, por ser rico em proteínas ligantes de fosfolipídios. Esse surfactante é produzido por pneumócitos do tipo II que expressam altos níveis de receptores de enzima conversora de angiotensina 2, sendo o alvo primário do SARS-CoV-2.

Autoimunidade a Interferons (IFNs) do tipo I

Os interferons (IFNs) são genes que codificam citocinas, indivíduos que carecem de IFNs específicos, podem ser mais suscetíveis a doenças infecciosas. Ademais, o sistema de autoanticorpos suaviza a resposta do INF para prevenir danos da inflamação induzida por patógenos.

Pneumonia e IFNs

Neste estudo, pelo menos 10% dos pacientes com pneumonia causada pelo COVID-19 com condição grave tinham autoanticorpos neutralizantes contra IFNs do tipo I. Clinicamente, esses autoanticorpos foram silenciosos até que os pacientes foram infectados com SARS-CoV-2, que é um indutor pobre de IFNs do tipo I. Sugerindo que as pequenas quantidades de IFNs induzidas pelo vírus são importantes para a proteção de casos graves. Os autores, também defendem que esse estudo abre portas para mais intervenções terapêuticas ou preventivas. Incluindo a plasmaférese, plasmablastos de depleção de anticorpos monoclonais e a inibição específica de células B reativas a IFN tipo I.

Conclusão

Assim, tendo a sua comprovação, a autoimunidade da proteína Anexina A2, pode ser útil para prever casos graves e tromboses sistemáticas. Do mesmo modo que a detecção de problemas relacionados ao IgA pode ajudar a prevenir uma trombose, além da SAAF. Além disso, o Interferon do tipo, também pode ajudar na detecção da pneumonia causada pela COVID-19 e trazer mais alternativas terapêuticas ou preventivas. Portanto, diversas teorias de como os autoanticorpos se relacionam estão sendo desenvolvidas, porém a maioria precisa de mais estudos.

Referências

BASTARD, Paul et al. Autoantibodies against type I IFNs in patients with life-threatening COVID-19. Science, [S.L.], v. 370, n. 6515, p. 1-12, 24 set. 2020.

ZUNIGA, Marisol et al. Autoimmunity to the Lung Protective Phospholipid-Binding Protein Annexin A2 Predicts Mortality Among Hospitalized COVID-19 Patients. Medrxiv, [S.L.], p. 1-25, 4 jan. 2021.

KANDUC, Darja. From Anti-SARS-CoV-2 Immune Responses to COVID-19 via Molecular Mimicry. Antibodies, Bari, v. 9, n. 3, p. 1-12, 16 jul. 2020.

ALI, Omar Hasan et al. Severe Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) is Associated With Elevated Serum Immunoglobulin (Ig) A and Antiphospholipid IgA Antibodies. Clinical Infectious Diseases, [S.L.], p. 1-6, 30 set. 2020.

BRASIL. INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. (org.). Observatório de Tecnologias Relacionadas à COVID-19. Brasília, 2021.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀