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Atrofia de nervo óptico: O que é e como conduzir?| Colunistas

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A evolução para atrofia de nervo óptico é muito rápida, sendo ela considerada um caso grave de perda de visão, pois geralmente é irreversível. A atrofia do segundo par craniano resulta na impossibilidade de transmitir os sinais luminosos para o lobo occipital, onde a imagem é de fato processada, ou seja, ocorre uma desconexão entre as fibras que levam a informação do olho para o cérebro. Entretanto, em raros casos, é possível recuperar o nervo atrofiado quando o diagnóstico é feito de forma precoce.

Nervo óptico

O nervo óptico direito e esquerdo formam o segundo par de nervos cranianos. Eles são puramente sensitivos, pois suas fibras conduzem somente as informações visuais. Ambos os nervos ópticos são constituídos por um grosso feixe de fibras nervosas originadas na retina, que emergem próximas ao polo posterior de cada bulbo ocular e que penetram o crânio através do canal óptico.

O circuito visual pode ser resumido com a seguinte sequência: nervos ópticos cruzam e formam o quiasma óptico, a informação segue pelo trato óptico até o corpo geniculado lateral e depois vai para a margem do sulco calcarino no lobo occipital, onde a informação visual vai ser processada e a imagem formada de forma não invertida.

Causas

As causas de atrofia de nervo óptico são variadas, podendo ser hereditária ou adquirida, sendo que existem diversas lesões que podem resultar nesta atrofia.

A mais comum das atrofias hereditárias ópticas é a Neuropatia óptica hereditária de Leber ou LHON, que é uma doença genética caracterizada pela diminuição da capacidade mitocondrial de realizar a fosforilação oxidativa, resultando na redução de ATP (adenosina trifosfato). Apesar de ser uma doença genética, os pacientes com esta mutação costumam perder a visão no período da adolescência. Além disso, sabe-se que os homens são mais afetados e, na maioria dos casos, a perda da visão é permanente e profunda.

Outra causa para atrofia de nervo óptico é a elevação da pressão ocular, a qual ocorre por um desequilíbrio entre síntese e eliminação de humor aquoso, que é um líquido que fica dentro dos olhos. As causas que podem levar a este desequilíbrio são muitas, pode-se citar: histórico de glaucoma, obstrução do sistema de drenagem ocular, uso prolongado de corticoides, trauma ocular mecânico, tumores, inflamações e realização de cirurgias nos olhos.

Sinais e sintomas

A atrofia de nervo óptico é responsável por 10,5% dos casos de cegueira infantil no Brasil. Dessa forma, os profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais e sintomas de atrofia ocular, para que o tratamento seja realizado o quanto antes, a fim de aumentar as chances de recuperar o nervo óptico atrofiado. Os sintomas principais são: redução da visão periférica, dor intensa na região dos olhos, dores de cabeça, olhos avermelhados, dificuldades para enxergar, aumento da dilatação das pupilas, visão turva e perda aguda da capacidade de distinguir as cores.

Exames

É preciso realizar alguns exames para que o diagnóstico de atrofia de nervo óptico seja confirmado. Entre os exames a serem feitos, pode-se destacar: o exame de fundo de olho, a campimetria (este exame mede o campo visual do paciente), a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, sendo imprescindível a avaliação neurológica por um médico especialista.

Diagnóstico e tratamento

Normalmente, os casos de atrofia ocular cursam com mau prognóstico e perda da visão. Entretanto, quando o diagnóstico é feito de forma precoce, é possível recuperar o nervo óptico atrofiado com a realização de exercícios, por exemplo: expor os olhos a variados tipos de luminosidade, o que fortalece a musculatura da pupila; incentivar a visão de objetos de longe e de perto, o que torna mais flexível a lente do cristalino, e massagear ao redor dos olhos para aumentar o fluxo sanguíneo. Dessa forma, é de grande importância que o tratamento seja feito de forma multiprofissional especializada.

Ressalta-se, ainda, que o tratamento deve ser feito de acordo com a causa da atrofia do nervo óptico, por isso, é relevante que o oftalmologista seja consultado e que os exames comprovem a real causa da atrofia. Uma atrofia causada por glaucoma, por exemplo, não é reversível, mas o tratamento pode estagnar a perda da visão e proporcionar ao paciente mais conforto; em outras situações, é possível reverter a atrofia tratando a sua causa precocemente. Contudo, neuropatias ópticas hereditárias, como o caso da atrofia de nervo óptico na doença de Leber, não possuem tratamento eficaz.

Outras patologias que podem causar perda da visão

Existem várias patologias que podem levar a perda da visão se não tratada adequadamente. Exemplos:

Catarata

A catarata é a principal causa de deficiência visual no mundo, sendo responsável por 47,8% dos casos. Dentre os fatores de risco para catarata, pode-se citar: exposição à luz UV-B (que aumenta a lesão oxidativa), tabagismo, álcool, diabete e hipertensão.

Glaucoma

O glaucoma é a segunda principal causa de deficiência visual no mundo. Os fatores de risco incluem: histórico familiar, hipertensão, tabagismo e álcool. Entretanto, existem tipos de glaucomas e cada um possui as suas principais características.

Degeneração macular

A degeneração macular relacionada à idade é a principal causa de deficiência visual irreversível em idosos. Os fatores de risco incluem: idade acima de 70 anos, histórico familiar e aterosclerose. Os sintomas na fase inicial geralmente são imperceptíveis, porém, conforme a doença progride, os pacientes queixam de visão turva e embaçada ou metamorfopsia, capacidade diminuída para leitura e dificuldade de enxergar em baixa luminosidade.

Conclusão

Conclui-se, então, que a atrofia de nervo óptico é uma das diversas causas de deficiência visual no mundo. Sendo assim, é necessário que um médico especialista avalie o paciente, a fim de oferecer o tratamento correto de acordo com a causa da atrofia, pois o tratamento precoce pode reverter o quadro e melhorar a qualidade de vida do paciente.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

YANOFF, M.; DUKER, J. S.; Oftalmologia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.

MACHADO, A. Neuroanatomia funcional. São Paulo: Atheneu, 2000.

MULSER, J. Atrofia do nervo óptico deve ter diagnóstico precoce. [S.l. : s. n.];, 01 nov. 2017. Disponível em: <http://portaldaoftalmologia.com.br/noticias/2778-atrofia-do-nervo-%C3%B3ptico-deve-ter-diagn%C3%B3stico-precoce>. Acesso em 09 fev. 2021.

FREITAS, T.; XAVIER, J. Diagnóstico precoce e cuidado multidisciplinar podem evitar cegueira infantil. Rio de Janeiro: Fiocruz, 13 set. 2016. Disponível em: <https://portal.fiocruz.br/noticia/diagnostico-precoce-e-cuidado-multidisciplinar-podem-evitar-cegueira-infantil>. Acesso em 09 fev. 2021.

BLOG HOSPITAL DE OLHOS. Como recuperar o nervo óptico atrofiado. São Paulo, 06 ago. 2020. Disponível em: <https://hospitaldeolhos.net/doencas/como-recuperar-o-nervo-optico-atrofiado/>. Acesso em 09 fev. 2021.

WIKIPÉDIA. Neuropatia óptica hereditária de Leber. [S.l. : s. n.];, 2016. Disponível em: <https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Neuropatia_%C3%B3ptica_heredit%C3%A1ria_de_Leber>. Acesso em 09 fev. 2021.

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