O atendimento domiciliar, ou atendimento médico no domicílio, remonta desde séculos antes de Cristo quando já no Egito e na Grécia médicos iam prestar serviços nas residências das pessoas, sobretudo, dos mais ricos.
Posteriormente, tal prática se mantêm desde o fim do século XIX até início do século XX de modo mais organizado onde o médico de fato atendia no domicílio e estabelecia uma relação com a família inclusive para além da assistência à saúde, onde o médico participava dos ciclos e comemorações dos membros da família.
Essa imagem do médico de família e comunidade dentro da casa do paciente, à beira da cama, permanece ainda no imaginário das pessoas, muitas vezes com o sentimento de nostalgia de uma medicina mais simples e próxima do outro.
Com a urbanização e aumento do aparato tecnológico da saúde, houve uma valorização das especialidades médicas e com isso, mudança do local de atendimento para o ambiente dos hospitais e ambulatórios retirando o protagonismo daquele cuidado feito em casa e centrado na família.
No Brasil, a primeira experiência de assistência domiciliar de forma organizada surge em 1949 seguida de outras experiências que se aproximavam muito do papel da Atenção Primária à Saúde (APS), incentivando a promoção da saúde, prevenção de doença e monitoramento de vulneráveis e condições de saúde.
Já na década de 90, surge, em nível mundial, uma estratégia de cuidado domiciliar ou home care por meio de empresas privadas em grandes centros urbanos, ao passo que a nível municipal e estadual surgem as primeiras experiências de Serviço de Assistência Domiciliar (SADs), que com o surgimento da Estratégia de Saúde da Família, em 1994, foram concretizadas com uma percepção ampliada da necessidade de cuidados domiciliares.
Atualmente, a APS disponibiliza o maior serviço de Atenção Domiciliar (AD) do Brasil com equipes que cuidam dos pacientes e familiares que possuem AD diretamente sob responsabilidade da APS e, inclusive, se responsabilizam por outros pacientes que recebem assistência domiciliar não diretamente sob gestão da APS, mas que ainda assim estão no território e, portanto, sob responsabilidade das equipes da APS.
Com isso, as visitas domiciliares (VDs) são atualmente reconhecidas pelo seu potencial na descoberta, abordagem, diagnóstico e prevenção de problemas e agravos de saúde e principalmente uma estratégia importante para a promoção da saúde.
Atendimento domiciliar: o que é atenção domiciliar e quais são as suas ações?
Diante do exposto, cabe agora realizar algumas conceituações para evidenciar alguns conceitos como atenção domiciliar (AD), assistência domiciliar e atendimento domiciliar.
A atenção/cuidado domiciliar é uma categoria ampla onde a interação profissional de saúde-paciente-familiar e/ou cuidador ocorre por meio de atividades realizadas no domicílio de modo programado e conforme a necessidade, englobando desde práticas de promoção da saúde até ações curativo-assistenciais.
Já a assistência domiciliar é qualquer atendimento prestado por profissionais de saúde em domicílio, desde níveis mais simples, como uma orientação, até níveis mais complexos, como a oferta de suporte ventilatório.
O atendimento domiciliar, por sua vez, está de fato atrelado a atuação do profissional, que pode ser realizada por meio de uma visita domiciliar pontual programada em que se faz diagnósticos da realidade e planejamento de ações; ou ainda, pode se configurar por meio da internação domiciliar que envolve aparato tecnológico, sendo uma continuidade (e não substitutiva) da internação hospitalar.
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