Em conjunto com os agentes da síndrome
respiratória aguda grave (SARS) e da síndrome respiratória do Médio Oriente
(MERS)(2), o SARS-COV- 2 representa o terceiro coronavírus humano, com elevada
patogenicidade, a ter aparecido nas últimas duas décadas,sendo descrito pela
primeira vez em 2015 por pesquisadores chineses.(SHI et al., 2015)
Os relatos da doença (COVID-19) que se
originou em Wuhan, província de Hubei, no centro da China, está ligado diretamente a um Mercado
Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, que também comercializava animais
vivos e pelo alto abrupto número de infectados, levando a crer que o vírus
tenha ligação zoonótica.(ZHU et al., 2020)
O SARS-CoV-2, agente etiológico do
COVID-19, é um RNA vírus, que afeta células humanas a partir da interação de
uma proteína de membrana (Proteína S) com a enzima conversora de angiotensina
(ACE2).
Em todo organismo, a presença de enzima
ACE2, que fisiologicamente é
caracterizada por contribuir na regulação da pressão arterial, marca os tecidos
susceptíveis à infecção, visto que o vírus exige entra na célula através
dela. Uma vez dentro da
célula, o agente viral solta seu material genético, o RNA, sequestrando a
maquinaria celular, replicando-se e invadindo novas células. (WADMAN, 2020)
Há indivíduos que, pelos fatores
intrínsecos ao organismo, possuem uma maior quantia
de angiotensina II ou fazem
uso de medicamentos que induzem
o aumento da quantidade desses receptores na célula, tornando-as mais
susceptíveis ao vírus, e consequentemente, à doença. (WADMAN, 2020)
É também conhecido o fato de que, para
a grande maioria das doenças infecciosas, o número de indivíduos expostos à
infecção é bem superior ao dos que apresentam doença, indicando que a maioria
dos indivíduos tem condições de destruir esses microorganismos e impedir a
perpetuação da infecção. (MACHADO, 2020)
A transmissão do vírus constitui-se através de gotículas suspensas no ar, que podem ser disseminadas pela pessoa infectada ao tossir, falar ou espirrar. É importante salientar que, ao tossir ou espirrar na mão, a transmissão pode ocorrer com o contato, portanto, destaca-se a notoriedade de cobrir a boca ao realizar tais atos, conforme o Ministério da Saúde (2020).
Uma maneira de estimar a capacidade de
transmissibilidade de um vírus é pelo cálculo
de seu número reprodutivo (R0),
o que representa uma medida
de sua taxa de ataque, ou seja, traduz o número de infecções secundárias
que ocorrem a partir de um indivíduo infectado em uma população susceptível.
Estudos preliminares apontavam que este novo coronavírus COVID-19 estaria
associado a taxas de R0 de 1,5 a 3,5, sendo os
dados mais recentes sugerindo um R0 de 4,08, ou seja, para cada caso, em
média, haveria quatro novos indivíduos infectados. (Cao Z et al, 2020).
O período de incubação estimado do novo
coronavírus COVID-19 é de aproximadamente 5 dias (IC95% de 4,1-7,0 dias),
apesar de termos descrições de casos com até 2 semanas desde a infecção
até o início dos sintomas. (Rothe C et al., 2020)
À medida que o vírus se multiplica, um
indivíduo infectado pode disseminar grandes quantidades dele, primordialmente
durante a primeira semana de infecção.
Cerca de 80% dos indivíduos infectados não manifestam a doença, ou seja, são assintomáticos. Já os pacientes
sintomáticos podem desenvolver febre, tosse seca, dor de garganta, perda de
olfato e paladar ou dores na cabeça e no corpo.
Devido a rapidez de crescimento do
número de infectados, gerou-se, no Brasil, uma preocupação com as condições do
sistema de saúde para enfrentar a pandemia iminente. Muitos esforços têm sido
implementados pelo Ministério da Saúde para evitar a saturação do Sistema de
Saúde, no entanto começam a faltar leitos e atendimento em determinadas regiões
do Brasil. Como disse o ex- ministro da Saúde, Luiz Henrique
Mandetta, “Não tem receita de bolo. Essa covid-19 não é assim, pois ela é
uma doença que ataca o sistema de saúde e a sociedade como um todo”.A quarentena e o isolamento social,
bem como outras práticas de controle da pandemia
têm sido implementadas no sentido
de reduzir os impactos da pandemia no Brasil, suportados em algumas poucas
evidências científicas.(Oliveira et. al, 2020; Estadão Conteúdo, 2020;
Nussbaumer-StreitB, 2020)
Segundo dados internacionais, até 17 de abril de 2020, foram confirmados 2.222.699 casos de Covid-19 com 149.995 óbitos (Tabela 1). Os Estados Unidos da América são o país com maior número de casos (684.427). O Brasil é o 11º em número de casos confirmados e o 11º em número de óbitos. No Brasil, até o dia 17 de abril de 2020, foram confirmados 33.682 casos de Covid-19. A tabela 2, a seguir, mostra a distribuição de casos confirmados de Covid-19 no Brasil.



Polêmica: Uso de BRA/IECA para tratamento de HAS poderia deixar os indivíduos mais susceptíveis ao vírus?
Foi sugerido por alguns estudos que, ao usar medicamentos que interfiram no Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA), pode se aumentar a quantidade de Angiotensina II e de bradicinina, podendo assim deixar a pessoa mais suscetível ao vírus. As evidências ainda são pequenas que essas drogas possam vir a piorar o prognóstico de pacientes, no entanto observa-se o pior desempenho de pacientes com comorbidades cardiovasculares com relação ao vírus. Segundo as Sociedades de Cardiologia não há motivo para deixar de usar esses medicamentos ou interromper tratamentos já iniciados com essas drogas, uma vez que representam medicamentos de primeira linha para hipertensão e continuam apresentando melhor custo benefício para tratamento da comorbidade. (Sociedade Brasileira de
Cardiologia,2020)

Professores organizadores:
- Dr. Rogério Grande
- Dra. Roseane Souza Candido Irulegui
Colaboradores:
- Ana Flávia Dionísio Silveira
- Eduarda Ribeiro da Silva Dantas
- Felipe Gutierrez Luna de Almeida
- Fernanda de Siqueira Silveira
- Fernanda Ribeiro Guida
- Fernanda Santos Mendes
- Isadora Loiola Franco
- Izabela Silva Brito
- Karen Evelyn Rezende de Souza
- Khaíza da Vitória Nascimento
- Laura Luiza Pereira Silveira
- Raíssa Monteiro Silva
- Yasmin Dias Ribeiro
LIGA DE PATOLOGIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE ITAJUBÁ (LAP- FMIT)MONITORIA DE PATOLOGIA FMIT 2020