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As principais implicações hormonais da menopausa | Colunistas

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1. Definição da menopausa:

Muito se fala sobre a menopausa nas mulheres e os seus efeitos, já que ela determina o começo de uma nova fase no ciclo de vida feminino, mas você sabe quando esse período de fato se inicia?

O fim do período do ciclo reprodutivo e menstrual da mulher é marcado pelas fases de climatério e menopausa. O climatério se trata do início dos sintomas – nele se iniciam as alterações nos ciclos menstruais com consequente diminuição da fertilidade e esse período termina quando a menopausa começa. São poucas as mulheres que são assintomáticas nessa fase.

A menopausa em si é determinada pela interrupção da menstruação por doze meses seguidos e a idade de início desse processo é diversificado, tendo como média os 50 anos.

O climatério é caracterizado pela diminuição da produção de hormônios sexuais femininos, característica que explica muitos sintomas e possíveis problemas referidos pelas mulheres na menopausa, sendo o início de uma fase com diversos fatores de risco. Portanto, um fator em comum, que está por trás do surgimento da osteoporose e de alterações cardiocirculatórias, é o déficit de estrogênio.

1.1 Estrogênio versus aterosclerose:

Atualmente a Medicina tem uma visão muito clara sobre os problemas resultantes da diminuição do estrogênio na vida de mulheres na menopausa.

Alguns problemas são bem significativos em termos de mortalidade – por exemplo, doenças cardiovasculares como aterosclerose e infarto do miocárdio. Mas qual é de fato a relação do estrogênio com o endotélio? Para entender a resposta da pergunta, você precisa entender um pouco sobre a fisiopatologia da aterosclerose.

Basicamente, a aterosclerose é uma resposta do corpo em forma de inflamação crônica a uma lesão endotelial na parede arterial. A aterosclerose possui certos pilares, como o acúmulo de lipoproteínas (LDL), a adesão de monócitos ao endotélio, a liberação de citocinas inflamatórias, proliferação de células musculares lisas e adesão leucocitária e trombose.

Além disso, a aterosclerose está intimamente ligada a síndromes coronarianas agudas, incluindo o infarto do miocárdio. Agora que a aterosclerose foi esclarecida, fica mais fácil de entender a relação do estrogênio com essa patologia.

Estudos mostram que o estrogênio previne necrose das células cardíacas endoteliais (causa do infarto de miocárdio), aumenta a produção de óxido nítrico, influencia no relaxamento vascular e já foi comprovado que o estrogênio também consegue diminuir a adesão de monócitos.

Além disso, ele diminui o LDL e aumenta o HDL, e este mobiliza as placas de colesterol em desenvolvimento para serem excretadas. Devido à queda desse hormônio no climatério, as doenças cardiovasculares se tornam a principal causa de morbidade e mortalidade nas mulheres durante esse período.

1.2 Estrogênio e sua relação com a osteoporose:

Outra doença comumente vista em mulheres na menopausa é a osteoporose, que é extremamente relevante para a área da saúde, considerando que é uma das doenças metabólicas mais significativas e dramáticas em mulheres mais velhas.

É necessário relembrar rapidamente a fisiopatologia dessa doença. Ela ocorre devido a um desequilíbrio entre a formação (osteoblastos) de tecido ósseo e a reabsorção (osteoclastos) deste. Os ossos se tornam mais frágeis, mas a concentração de cálcio na matriz orgânica permanece praticamente a mesma.

Existe também uma perda mais intensa de tecido ósseo, tanto cortical como trabecular, o que explica o elevado número de fraturas osteoporóticas em mulheres, quando comparado ao número das mesmas fraturas em homens.

A diminuição da atividade ovariana na menopausa leva a um aumento de citocinas, como IL-6 e TNF, e estas estimulam a atividade do RANK-RANKL, cujo papel principal é a estimulação da ativação osteoclástica e a inibição de sua apoptose. Portanto, o estrogênio tem uma função antirreabsortiva, atuando na prevenção da perda óssea.

1.3 Reposição hormonal:

A prescrição hormonal feminina deve ser individualizada, ou seja, cada mulher deve receber uma dose de acordo com sua idade e comorbidades prévias. Quando o objetivo da reposição é a diminuição dos fatores de risco, especialmente os cardiovasculares, é importante que o médico observe a chamada Janela de Oportunidade, que é o período mais indicado para a reposição de estrogênio.

A redução da progressão da aterosclerose é mais potente se o estradiol oral for inserido na rotina da mulher que está na menopausa por cinco ou seis anos, perdendo o efeito se iniciado de dez anos em diante, e que possuam baixo risco cardiovascular.

Essa faixa de idade ideal para prevenção da aterosclerose é explicada a partir de estudos que mostram que a administração oral do hormônio sexual aumenta fatores pró-inflamatórios, como a metaloproteinases de matriz 9 (MMP-9), que pode agir na placa aterosclerótica e gerar uma instabilidade com consequente ruptura, gerando eventos tromboembólicos e possível infarto do miocárdio.

O raloxifeno, modulador seletivo do receptor de estrógeno, reduz o LDL e o fibrinogênio. Por isso, essa reposição se torna mais efetiva em mulheres mais jovens que possuem pouco ou nenhum substrato aterosclerótico. Logo, a reposição varia entre as mulheres, pois deve sempre ser analisado a relação risco/benefício em cada indivíduo.

Essa terapia de reposição também tem papel essencial na prevenção da osteoporose, já que estudos recentes mostram uma diminuição de fraturas com a utilização do TRH, porém obviamente existem riscos a longo prazo que devem ser esclarecidos pelo profissional de saúde.

O raloxifeno tem como função aumentar a massa óssea feminina e reduzir o risco de fratura vertebral de cerca de 50% das mulheres com osteoporose. Por outro lado, a progesterona associada ao estrogênio isolado age com eficácia em pacientes de baixo risco e que estejam abaixo dos 60 anos de idade.

É de extrema importância que o médico tenha uma postura esclarecedora com sua paciente, para que a função dos hormônios recomendados seja bem explicada e franca, já que existem efeitos colaterais e contraindicações. O uso prolongado da reposição hormonal pode causar carcinoma de mama invasivo e eventos tromboembólicos venosos, incluindo embolia pulmonar.

Além disso, é notável que a reposição hormonal não deve ser a única medida adotada pela mulher na menopausa, sendo que a alimentação correta e os exercícios físicos são valiosos coadjuvantes.

É imperioso que os profissionais de saúde se atentem quanto à importância de conhecer o tratamento de reposição hormonal, tendo em vista a crescente expectativa de vida do país. Portanto, é importante que você esteja informado sobre as modificações físicas, endócrinas e psicológicas da menopausa para entender e aplicar as medidas preventivas corretas para melhorar a qualidade de vida das pacientes.

Autora: Luiza Soares, estudante de Medicina.

Instagram: @luizafms

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