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As 5 alterações de consciência do eu | Colunistas

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Você sabe e consegue identificar na sua prática clínica as cinco alterações da consciência do eu descritas na psicopatologia ou ainda tem dificuldade de entender essas alterações? Para evitar confundir-se com suas definições, entenda de uma vez por todas essas manifestações psicopatológicas aqui.

Alteração da consciência da existência do eu

A primeira e mais fundamental. Pode estar aumentada, diminuída ou até abolida. O mais comum, quando alterada, é que esteja diminuída ou abolida. Consiste na consciência do que faz um indivíduo existir, ou seja, sua memória, sentimentos e sensações. Quando diminuída, é relatada grande falta desses fenômenos; embora presentes, estão em uma menor intensidade. Essa alteração é muito presente nos casos de depressão. A abolição dessa consciência se faz presente em algumas síndromes específicas, em que o indivíduo relata a não existência completa, sendo esses casos muito mais fáceis de serem identificados, pois terá o relato de forma direta do paciente.

Alteração da consciência da atividade do eu

O relato do paciente nesses casos é de que ele não tem mais controle sobre nada na sua vida. Seus pensamentos, ações, emoções, sentidos estão todos sendo controlados por algo ou alguém. Está tudo sendo feito por outro e ele sente que não pode fazer nada. É uma alteração muito ligada à esquizofrenia e à religiosidade (muitas vezes se mostra como um sintoma em pacientes portadores dessa doença).

Frequentemente dizem ser vítimas de macumba (muito pelo próprio preconceito existente na sociedade), hipnose ou magias. Também é presente nos chamados estados de possessão. Nos casos de possessão, para poder ser caracterizado como alteração da atividade do eu, é necessário que o “eu normal” não esteja presente, sendo completamente substituído pela “entidade”. Embora podendo ser uma alteração da atividade do eu, essas situações de possessão podem ser melhor caracterizadas como alterações da identidade do eu, que será visto adiante. Caso os dois estejam presentes, é caracterizado como a alteração a seguir.

Alteração da consciência da unidade do eu

Uma alteração fácil de caracterizar, mas difícil de diferenciar. Basicamente, existe mais de um eu presente ao mesmo tempo. Existem várias formas de se manifestar essa alteração, podendo ser a presença simultânea de dois ou mais “eus” no indivíduo, uma divisão do próprio eu em mais de uma parte, o relato de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo ou ainda que é mais de uma pessoa, sempre sem uma “pessoa” substituir a outra. Além de muito presente na esquizofrenia, pode ser sintoma de uso de substâncias psicoativas. Para diferenciar da atividade/identidade do eu, lembre-se: unidade é sempre mais de um eu ao mesmo tempo, nunca substituído.

Alteração da consciência da identidade do eu

Provavelmente é a alteração mais famosa, que ficou muito conhecida devido ao transtorno dissociativo de identidade, antes chamado de transtorno de personalidade múltipla. O indivíduo passa por uma grande transformação da identidade, em que ele para de se identificar como antes do surto, se tornando “uma nova pessoa”, com uma personalidade completamente diferente, muitas vezes nem reconhecendo a sua identidade antiga.

No caso do transtorno dissociativo de identidade, as personalidades se alternam entre si, nenhuma tomando o posto definitivo. Lembrando que o surgimento do transtorno é muito conectado à vivência de um forte trauma pelo indivíduo. Já a alteração da consciência da identidade está muito ligada à esquizofrenia, depressão em estágios graves, uso de substâncias alucinógenas e desdobramentos da ansiedade, como o transtorno do pânico. Pode estar presente, em graus leves, em pacientes sem distúrbios.

Alteração da consciência dos limites do eu

Simplesmente a pessoa perde a noção dos limites do corpo, ou seja, acha que consegue controlar outras pessoas com a mente, fazer com que chova ou ainda sente como se qualquer ação no ambiente ao seu redor tivesse uma reação no seu corpo. Dessa forma, ela pode acreditar, por exemplo, que se você derrubar algo no chão ela sente dor. Outra forma ainda é a chamada “divulgação do pensamento”, que o indivíduo acredita que, ao pensar algo, as outras pessoas ao seu redor já ficaram sabendo.

 Para diferenciar lembre-se: nos limites do eu, a pessoa vai informar estar no meio externo próximo, ou seja, que ela é o chão em que está pisando ou a chuva que está caindo. Diferentemente, na unidade do eu o paciente informará estar em outro lugar ao mesmo tempo que está com você (por exemplo, outra cidade).

Conclusão

Embora muitas vezes confusas, essas definições, as alterações de consciência do eu, estão muito presentes no cotidiano, podendo aparecer inclusive em pessoas sadias. É importante saber identificá-las para poder dar o seguimento correto ao tratamento desse paciente, visto que a forma que você vai abordar o paciente deve ser diferente em cada situação. Para treinar um pouco isso, aconselho assistir ao documentário chamado Estamira, em que algumas dessas alterações podem ser vistas. Você consegue identificar quais?

Autor: Lucas Dias Brito Infante Instagram: @lucasinfante


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

CHENIAUX JUNIOR, E. Manual de psicopatologia (5a. ed.). Sao Paolo: Grupo Gen – Guanabara Koogan, 2015.

SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Compêndio de Psiquiatria: Ciência, Comportamento e Psiquiatria Clínica. 11. ed.

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