Anúncio

Articulação de Lisfranc | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A articulação de Lisfranc recebeu esse nome em homenagem ao médico Jacques Lisfranc, por ser o primeiro a descrever a técnica de amputação através dessa articulação. Ela é considerada um complexo articular, uma vez que é composta por cinco articulações tarsometatársicas que ligam o antepé e o médio-pé.

O pé

Com relação à anatomia óssea, o pé é composto por 26 ossos, que são divididos em três principais grupos, sendo eles: falanges, metatarsos e tarso.

As falanges, que são os ossos mais distais do pé, ainda são subdivididas em distal, média e proximal, sendo que todos os dedos do pé – com exceção do hálux (primeiro dedo) – possuem as três subdivisões. Sendo assim, cada pé apresenta um total de catorze falanges.

Já os ossos do metatarso, que é a região mediana do pé, apresentam cinco ossos. Eles são longos e sua função é ligar os ossos do tarso às falanges.

Por último, há os ossos do tarso, que podem ser subdivididos ainda em proximal (retropé), sendo composto pelo tálus e pelo calcâneo, e distal (médiopé), sendo composto por cinco ossos, sendo o navicular, o cuboide, o cuneiforme medial, o cuneiforme intermérdio e o cuneiforme lateral.

Imagem 1: ossos do pé.
Fonte: https://www.todamateria.com.br/ossos-do-pe/

A articulação de Lisfranc

A articulação de Lisfranc é uma articulação tarsometatársica (TMT), sinovial e plana, formada por elementos ósseos, ou seja, pelas bases dos cinco metatarsos, com os três cuneiformes e o cuboide, além dos elementos que oferecem estruturação e sustentação, cujo principal componente são os ligamentos. Sendo que a sustentação e estabilização principal é feita pela base do segundo metatarso.

Essa articulação possui três colunas/raios: medial, intermédia e lateral. Cada uma delas possui a capacidade de sustentar certo grau de mobilidade, decrescendo latero-medialmente. Sendo assim, a gravidade da lesão em cada uma delas torna-se diferente.

Imagem 2. Articulação de Lisfranc.
Fonte: http://nfldebolsa.com/lesoes-em-pauta-entenda-a-lesao-de-cam-newton/

O ligamento de lisfranc

Nessa região há inúmeros ligamentos, como o ligamento de lisfranc, que une a base do segundo metatarso (2° dedo) ao primeiro cuneiforme.

Fraturas

As fraturas ou luxações no local da articulação de Lisfranc (FLTM) são raras, correspondendo a 0,1% de todas as fraturas e, geralmente, possuem como causa, um trauma de alto impacto no nível do médiopé. Além disso, aproximadamente um terço não é diagnosticado, acarretando em dor crônica no pé, osteoartrose ou até mesmo deformidades. Elas podem ter causas indiretas ou diretas no dorso do pé, sendo que a causa mais descrita na literatura é a indireta, causada por acidentes automobilísticos (40% dos casos), seguida das quedas de alturas.

Essas lesões podem ser mediais, dorsais, laterais, plantares, ou até mesmo combinadas. Sendo que o mais frequente é o desvio dorsal, que normalmente ocorre por mecanismo indireto após a abdução forçada do antepé.

Imagem 3: Lesões no Ligamento Lisfranc.
Fonte: https://www.clinicaecirurgiadope.com.br/artigos/24?artigo=34

A história clínica e o exame físico são essenciais no diagnóstico. Normalmente, durante a anamnese, o paciente refere dor na região do médiopé, podendo variar de intensidade, que piora ao correr, saltar ou realizar outros movimentos esportivos de impacto. Durante o exame físico é necessário realizar a palpação da base do primeiro e do segundo metatarso. Associado a isso, podem ser realizados os testes provocativos, sendo que os mais utilizados são o Teste da pronação passiva com abdução do antepé com o retropé fixo (específico para lesões tarsometatarsais), Teste de Compressão Lateral e o Teste de Estabilidade Axial, que são positivos quando causam dor no médiopé durante sua realização.

O principal exame a ser realizado é a radiografia do pé (incidências anteroposterior/AP, perfil/P, oblíqua), podendo ser feita do pé contralateral para comparação. Quando visualizamos a incidência anteroposterior, é normal se a face medial do cuneiforme intermédio aparecer de maneira alinhada com a face medial do segundo metatarso. Já na incidência oblíqua, é normal quando a face medial do cuboide está alinhada com a face medial do quarto metatarso. Enquanto que, no perfil, será possível observar a presença ou ausência de luxação ou subluxação anterior ou posterior das articulações tarsometatarsais.

Lesão de Turco

É uma lesão que ocorre por baixa energia, normalmente em atletas de alto nível, causando apenas a ruptura do ligamento de Lisfranc, podendo ou não estar associada à luxação dessa articulação. Portanto, ela é caracterizada pela abertura de no máximo cinco milímetros do espaço intermetatarsal, entre o primeiro e o segundo metatarso.

Essa lesão é classificada utilizando-se da Classificação de Nunley e Vertullo. No estágio I não ocorre diástase ou perda do arco plantar, no estágio II ocorre diástase entre dois a cinco milímetros sem perda do arco plantar, já no estágio três também há diástase, ocorrendo entre o primeiro e o segundo metatarsos e com perda do arco plantar.

No caso da lesão grau I pode ser indicado o tratamento conservador, já nos casos das lesões grau II e III, o tratamento é de preferência cirúrgico, podendo ser realizada a redução fechada com fixação percutânea utilizando fios ou parafusos, ou a redução aberta com fixação interna utilizando os mesmos materiais, ou até mesmo optar pela artrodese primária.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

  1. SILVA, Ana Paula Simões da et al . Lesão de Turco: diagnóstico e tratamento.Rev. bras. ortop.,  São Paulo ,  v. 49, n. 4, p. 321-327,  Aug.  2014 .   Available from . access on  25  Feb.  2021.  https://doi.org/10.1016/j.rboe.2014.04.018.
  2. Nunley JA, Vertullo CJ. Classification, investigation, and management of midfoot sprains: Lisfranc injuries in the athlete. Am J Sports Med. 2002;30(6):871–8.
  3. Englanoff G, Anglin D, Hutson HR. Lisfranc fracture-dislocation: a frequently missed diagnosis in the emergency department. Ann Emerg Med. 1995;26(2):229–33.
  4. Cassebaum WH. Lisfranc fracture-dislocations. Clin Orthop Relat Res. 1963;30:116–29.
  5. Pereira CJ, Espinosa EG, Miranda I, Pereira MB, Canto RS. Avaliação do tratamento cirúrgico da fratura luxação de Lisfranc. Acta Ortop Bras. 2008;16(2):93–7. 
  6. Myerson MS, Fisher RT, Burgess AR, Kenzora JE. Fracture dislocations of thetarsometatarsal joints: end results correlated with pathology and treatment. Foot Ankle. 1986;6(5):225–42.

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀