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Aplicação de Peeling: o que preciso saber para prática médica?

paciente fazendo peeling

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Confira um miniguia com as principais orientações sobre a aplicação de peeling, suas indicações e benefícios.

O peeling é um tratamento dermatológico que tem como objetivo a promoção de renovação das células da pele por meio da indução de um processo descamativo. O uso dessa técnica pode ser benéfico para fins estéticos como a diminuição de marcas de expressão, cicatrizes de acne, controle da oleosidade da pele e outros, além de auxiliar a reduzir sinais de envelhecimento precoce.

Pela busca crescente por esse tratamento no Brasil, é válido que todo médico esteja ciente sobre o que é o peeling enquanto tratamento, quais os agentes utilizados e suas indicações.

O presente artigo visa servir como um miniguia sobre o peeling, as técnicas apropriadas de aplicação, cuidados pré e pós procedimento, além de possíveis complicações e efeitos colaterais desse tratamento.

Classificação dos Peelings

Peelings químicos

O Peelings químicos, também conhecido como resurfacing químico, esse tipo de procedimento tem um longo histórico de segurança e eficácia na melhoria de múltiplas condições de pele, seja no aspecto estético quanto no contexto de patologias.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os agentes mais utilizados para a realização dos peelings químicos são:

  • Fenol;
  • Ácido tricloroacético (ATA);
  • Ácido salicílico;
  • Solução de Jessner e ácido glicólico;
  • 5-fuoruracil;
  • Ácido retinóico.

Para cada um desses agentes, existe uma indicação específica que considera o objetivo final do tratamento.

Se a intenção é a realização de um peeling profundo em um paciente com múltiplas rugas e de pele clara, o peeling com fenol tende a ser o mais indicado. Contudo, o uso dessa substância requer obrigatoriamente uma avaliação cardiovascular prévia. Isso ocorre principalmente pelos efeitos colaterais que o fenol pode provocar.

Peelings físicos (ou mecânicos)

Os peelings físicos consistem no uso de agentes que induzem a descamação a partir da ação de lixas, cremes ablasivos, aparelhos de microdermoabrasão por fluxo de cristais, além de lixas de pontas de diamante. Como vantagem, esse tipo de peeling é indolor, seguro e apresenta resultado mais rápido.

Como desvantagem, no entanto, os resultados não são tão duradouros porque as camadas mais profundas da pele não são atingidas.

Indicações para Peeling

Indicações e contraindicações para o peeling químico

O peeling químico é utilizado com finalidade estética para diminuir o aspecto de rugas, cicatrizes e manchas. Contudo, esse tipo de peeling também tem ação terapêutica para condições como:

  • Diminuição de lesões pré-malignas como queratoses actínicas;
  • Auxílio no tratamento de acnes.
  • Contraindicação de peeling químicos

Essa modalidade de peeling é contraindicado em algumas situações como:

  • Exposição solar;
  • Presença de ferida ou lesão no local onde o peeling será aplicado;
  • Gestação;
  • Intenso estresse físico ou mental.

Indicações e contraindicações para o peeling físico

O peeling físico pode ser utilizado no tratamento de condições como fotoenvelhecimento, cicatrizes superficiais, alterações de pigmentação da pele, envelhecimento e acnes.

Contudo, é válido lembrar que essa é uma técnica que não atinge áreas mais profundas da pele e, por isso, pode não apresentar resultados tão duradouros como os peelings químicos.

O peeling físico é contraindicado diante de atividade infecciosa viral ou bacteriana, rosáceas, acnes pápulo-pustulosas e uso de isotretinoína oral.

Como funciona a seleção do tipo de Peeling?

O tipo de peeling a ser utilizado é norteado pela finalidade do tratamento, então elencamos as condições mais comuns na prática clínicas que requerem o uso de peeling.

A grande parte das condições, no entanto, utilizam o peeling químico.

Tratamento de comedões

Comedões, também conhecidos como cravos, podem ser tratados com peelings químicos de baixa concentração.

Os agentes mais comuns para esse contexto são: ácido glicólico, ácido salicílico e o ácido tricloacético.

Eles atuam diminuindo a coesão dos comeócitos na abertura dos folículos e ajudam na extrusão dos tampões do comedão, que conferem o aspecto de bolinha preta na pele.

É possível usar ainda ácido glicólico em maior concentração (entre 20 e 70%) ou o fenol para esse tratamento, mas essa escolha depende do tipo de pele do paciente e se houve insucesso no uso dos outros agentes preferenciais.

Tratamento de Melasma

Em combinação com a hidroquinona 2 a 4%, tretinoína 0,5 a 0,1% e um corticoide, o peeling químico é utilizado como terapia adjunta em alguns casos.

Para o melasma, indica-se peeling químico com ácido salicílico ou ácido glicólico.

Tratamento de líquen espinhoso

Esse tipo de dermatite superficial crônica que se manifesta como grupos de pápulas foliculares de textura semelhante a um ralo pode se beneficiar do peeling com ácido glicólico e ácido salicílico a 6%.

Quais são as técnicas para aplicação de peeling?

Peelings químicos

Aplicação dos peelings depende do tipo escolhido e da finalidade do tratamento:

  • Superficiais: realizados em sessões e apresentam descamação mais finas;
  • Profundos e médios: aplicados apenas uma vez, porém o processo de cicatrização é mais demorado e apresentam descamação mais intensa e é possível que sejam formadas crostas nesse contexto.

Peelings físicos

O peeling de cristal (ou microdermoabrasão) é a técnica mais comum de peeling físico. Essa técnica produz pressões positivas e negativas simultâneas com grânulos minúsculos de hidróxido de alumínio.

A ação desse agente promove o rompimento de algumas camadas da epiderme ao mesmo tempo que aspiram esses debris pela pressão negativa.

É comum que outros procedimentos como esfoliações químicas sejam associados a essa técnica.

Cuidados pré e pós-procedimento de peeling

O tipo de peeling utilizado, bem como a substância escolhida, norteia os cuidados pré e pós-operatórios necessários para o tratamento.

O período de cicatrização do peeling é, por exemplo, um aspecto variável conforme o agente escolhido:

  • Peelings químicos profundos ou médios levam, em média, uma a duas semanas para iniciar o processo de cicatrização;
  • Peelings químicos superficiais apresentam cicatrização em até quatro dias.

Além disso, o uso de protetor solar é obrigatório e inegociável durante o processo de cicatrização do peeling. É preciso que o paciente seja devidamente instruído sobre esse aspecto antes de iniciar o tratamento.

Cuidados pré-operatórios

A consulta pré-operatória é fundamental para identificar os riscos inerentes ao tratamento e confirmar se o peeling selecionado está adequado para o resultado esperado pelo paciente, além disso, observa-se se há condições para sua realização com segurança.

Aspectos gerais abordados no pré-operatório são:

  • Evitação de exposição solar e uso de tabaco;
  • Utilização obrigatória de proteção contra raios ultravioletas;
  • Alinhamento das expectativas sobre o tratamento;
  • Definição de sedação e custos extras que podem ocorrer conforme a modalidade anestésica escolhida;
  • Evitação de uso de qualquer cosmético no dia do procedimento;
  • Dieta leve no contexto de sedação mínima ou nenhuma sedação e dieta zero para sedações mais profundas.

Cuidados pós-operatórios

Peelings superficiais

Peelings superficiais, geralmente, não se estendem para além da epiderme e, por isso, os mecanismos de cicatrização da derme não são ativados. Contudo, os profundos e médios estimulam quatro estágios de cicatrização da derme:

  • Inflamação e coagulação;
  • Reepitelização;
  • Fibroplastia e formação de matriz;
  • Remodelagem de colágeno.

Essa compreensão é importante para entender os processos inerentes aos cuidados pós-operatórios.

Portanto, os peelings superficiais não requerem grandes cuidados além dos esperados como a lavagem regular com sabão leve, uso de hidratantes e bloqueador solar durante os dias de cicatrização.

Peelings médios

Os peelings médios cursam com edema quase imediato e que pioram nas 48h posteriores ao procedimento. Assim, além da lavagem 4 vezes ao dia com compressas mornas e uso de emolientes pós-lavagem, é necessário o uso de soluções.

Dessa forma, nesses quadros, o ácido acético a 0,25% é preferencial por ter uma leve acidez que auxilia o tecido de granulação que está sendo cicatrizado, além de atuar como desbridante leve e ter efeitos antibacterianos.

Portanto, o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) ou aspirina pode ser recomendado para diminuir o edema e aliviar o desconforto.

Nesse estágio é comum o surgimento de eritema.

Peelings profundos

Em peelings profundos, pode ser necessário o uso de fita oclusivas ou curativos biossintéticos nas primeiras horas ou dias. As feridas abertas se beneficiam de banhos com ácido acético a 0,25% de 4 a 6 vezes ao dia e aplicações de pomadas oclusivas, além de hidratantes.

Banhos de sol são contraindicados durante 3 a 6 meses após esse procedimento. É indicado a manutenção do uso de bloqueadores solar e terapia com retinóides desde a segunda semana após a Reepitelização do tecido, conforme tolerado.

Efeitos colaterais e possíveis complicações da aplicação de peeling

O peeling é um tratamento que se utiliza da criação de lesão em um contexto controlado para promover o resultado esperado.

O tratamento é capaz de produzir resultados expressivos, sobretudo na cabeça e no pescoço. Essas regiões exigem cuidados redobrados por serem regiões com valor estético alto.

Quando falamos de complicações, é preciso compreender que elas podem ocorrer em qualquer tipo de peeling, mas são mais comuns nos médios e profundos. Para tanto, é melhor preveni-las do que as tratar.

Efeitos colaterais

Como são esperados de ocorrer, os seguintes sinais e sintomas não são considerados como complicações:

  • Eritema transitório;
  • Rubor;
  • Aumento da temperatura da pele;
  • Prurido;
  • Edema;
  • Leves alterações no humor.

Complicações possíveis

As verdadeiras complicações que podem ocorrer após o tratamento com peeling são:

  • Infecção;
  • Retardo de cicatrização;
  • Persistência do eritema;
  • Formação de cicatrizes;
  • Anormalidades pigmentares ou de textura.

As complicações podem surgir como resultado da reação do corpo do paciente a:

  • substância utilizada,
  • seleção do paciente e do procedimento;
  • técnica cirúrgica, ou
  • cuidados pré ou pós-operatórios insuficientes.

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Referências

  • BOLOGNIA, J.L. et al. Dermatologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. 2792 p.
  • RIVITTI, E. Manual de Dermatologia Clínica. São Paulo: Artes Médicas, 2014.
  • AZULAY, R. D. et al. Azulay Dermatologia. 8 ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2022. 1280p.
  • GEN. Atlas da Dermatologia: da semiologia ao diagnóstico. 3 ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.
  • SAMPAIO, S.A.P.; RIVITTI, E.A. Dermatologia. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018.
  • SAAVEDRA, A.P. Dermatologia de Fitzpatrick: Atlas e Texto. 2015
  • Carretero HG. The relevance of dermatologic semiology in the diagnosis of skin disease. Med Cutan Iber Lat Am. 2014;42(1-3):5-11.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Peelings químicos. Disponível em: https://www.sbd.org.br/tratamentos/peelings-quimicos/. Acesso em Mar 2024.

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