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Ansiedade: como identificar e controlar o transtorno mental prevalente no Brasil | Colunista

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É razoável
dizer que se vive a era da ansiedade no contexto atual, já que, segundo a
Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o país com o maior número de ansiosos
no mundo; estima-se que sejam 18,6 milhões de pessoas afetadas.

O problema é
que pouco se discute sobre o problema, visto que admitir um transtorno
psicológico, ainda é um tabu para algumas pessoas, entretanto, a ansiedade gera
muitas consequências negativas para a saúde mental e física dos afetados.

Ansiedade: uma emoção fisiológica que pode se
tornar patológica

A ansiedade
se caracteriza essencialmente como um tipo de emoção normal e esperada dos
seres vivos, que visam preservar sua sobrevivência. Ansiedade tem relação com sentimento
de medo, que é essencial para que os seres vivos possam identificar situações
potencialmente perigosas e se autopreservarem delas, garantindo adaptação
evolutiva inclusive.

Porém,
quando esse sentimento passa a ser excessivo, foge do que é fisiológico e se
torna patológico, sendo prejudicial e limitante para a saúde física e mental do
indivíduo. A ansiedade
patológica é um transtorno mental que causa sentimentos desconfortáveis e um
estado emocional desagradável, diante de eventos presentes e futuros.

Repercussões
mentais e físicas

A patologia
passa a ser identificada quando o indivíduo tem um aumento na frequência dos
casos de ansiedade e isso culmina em prejuízos para o desempenho da pessoa em
seu cotidiano, no que diz respeito à família, trabalho, estudos, relações
interpessoais.

O ansioso
normalmente passa a ter sentimentos extremos e até mesmo irracionais em determinadas
situações que o coloque em prova, como busca pelo sucesso amoroso, situações
que impactam sua autoestima ou como é visto pela sociedade, questões de âmbito
financeiro, decisões que possam envolver a vida acadêmica ou profissional,
dentre outros. É um indivíduo que tem uma grande dificuldade de relaxamento, o
que acaba afetando muito o dia-a-dia.

Ademais,
sintomas físicos também podem estar presentes, afinal, a atividade cerebral
muito exacerbada do paciente ansioso começa a interferir na mente, e isso
reflete no corpo. A noradrenalina é o principal mediador químico envolvido na
fisiopatologia da ansiedade, então a pessoa pode sentir tensão muscular
principalmente em região de cervical, podendo afetar inclusive ombro, pescoço e
até mesmo cabeça.

A adrenalina é outro mediador liberado na situação de ansiedade, podendo causar aceleração dos batimentos cardíacos, o que é preocupante, pois, segundo estudo do psiquiatra Kalil Duailibi, indivíduos com transtorno de ansiedade generalizada possuem risco 30% maior de terem doenças cardiovasculares.

Além disso, a adrenalina favorece outras reações como a dilatação dos brônquios, dilatação da pupila, redução da motilidade intestinal, extremidades frias e liberação de glicose no sangue.

Há liberação, também, de um hormônio importante, o cortisol, ligado ao estresse, pode causar alguns impactos negativos ao indivíduo, como o cansaço, insônia, dores no corpo, cefaleia e sensação de fadiga mental.

Nesse sentido, outra questão importante implicada é que a ansiedade, justamente por favorecer a liberação de adrenalina e cortisol em excesso, predispõe o indivíduo à baixa imunidade e, consequentemente, à diversas doenças que podem transitar desde um resfriado até mesmo psoríase.

Imagem: Psiquiatria Paulista – Disponível em: https://psiquiatriapaulista.com.br/sintomas-fisicos-ansiedade/

Implicações da ansiedade no cotidiano

Sabendo que
a ansiedade é um transtorno que incapacita a pessoa, do ponto de vista físico e
mental, dependendo do grau, é evidente que isso impacta demais nas relações
diárias e na relação do indivíduo consigo mesmo.

Essas
pessoas acabam se afastando do trabalho porque não consegue ter o rendimento de
excelência. Às vezes, acabam se afastando da família, dos amigos e até mesmo
acumulam problemas no âmbito amoroso, pela dificuldade de relacionar com as
pessoas, visto que o ansioso está sempre preocupado e demonstra reações
extremas com questões rotineiras de vida.

O isolamento acaba sendo comum nos ansiosos, dificultando mais ainda a identificação do problema como um transtorno e a busca por tratamento. Outro sentimento presente é a culpa, ou seja, pessoas ansiosas se exacerbam em várias situações e não conseguem controlar, porém, depois que passa, se sentem tristes, arrependidos e culpados.

Por isso, a ansiedade generalizada muitas vezes está coexistindo com outros transtornos mentais, como a depressão, estresse pós-traumático, síndrome do pânico, compulsão alimentar, os quais podem começar devido a uma sequência de crises de ansiedade generalizada.

Por
isso, saber identificar, acolher, compreender e tratar essas pessoas é tão
importante e necessário para garantir qualidade de vida para elas e para quem
as cerca.

Controlando o transtorno de ansiedade

O controle
da ansiedade precisa ser feito por uma rede multidisciplinar, em uma atenção
continuada. É necessário buscar o auxílio de profissionais da saúde mental,
como psiquiatras e psicólogos, mas a família e os amigos também precisam se
envolver numa ampla rede de apoio para que a pessoa consiga superar o
transtorno.

Atualmente, há uma vasta gama de fármacos ansiolíticos que podem ser utilizados para controle da ansiedade, mas é preciso lembrar que nem todo quadro de ansiedade vai demandar uso de medicamentos, a psicoterapia já consegue amenizá-lo.

Segundo opinião do médico psiquiatra Derek Moreira, uma forma de identificar se o indivíduo precisa de medicamento para tratar a ansiedade é observar se o quadro está interferindo nas relações interpessoais e nas atividades do dia-a-dia.

É preciso
lembrar ainda que só o uso de fármacos não melhora totalmente o quadro de
ansiedade, a psicoterapia precisa estar envolvida, até mesmo para que o
indivíduo possa trabalhar as questões desencadeadoras das crises de ansiedade,
resolvendo assim o cerne da situação.

Rede de apoio: amigos e família

É importante envolver as pessoas que convivem com o ansioso no seu processo de tratamento. Como o indivíduo convive intimamente com essas pessoas, provavelmente é a elas que ele irá recorrer se precisar e é com elas que ele vai lidar rotineiramente.

Primeiro, é preciso que a família e os amigos entendam que a pessoa não age descontroladamente porque ela quer, mas sim porque perece de um transtorno mental que a incapacita de agir moderadamente em dadas situações.

Essa
compreensão é essencial para que relevem eventuais conflitos e consigam acolher
esse indivíduo. O recomendável é mostrar ao ansioso que se importam com ele,
que entendem o sentimento dele e se prestar a auxiliar sempre que precisarem.
Isso é uma forma de dar força a essas pessoas, evitar que se isolem, que rompam
laços importantes e se sintam sozinhas.

Logo,
empatia é a chave da questão. Entender sem julgar, evitar cobranças e exercer a
paciência para lidar com o ansioso são algumas atitudes essenciais por parte da
família e dos amigos que podem ajudar muito.

Imagem: Projeto Sem Transtorno – Disponível em: http://www.semtranstorno.com.br/tag/apoio-familiar/

Outros coadjuvantes para controle da ansiedade

Ademais,
existem algumas práticas e exercícios que podem amenizar o quadro de ansiedade,
proporcionando maior relaxamento ao indivíduo, como exercícios físicos, dança,
yoga, meditação, prática de hobbies. São ferramentas que reduzem o estresse, aumentam
a liberação de mediadores como serotonina, endorfinas, dopamina e ocitocina,
excelentes para amenizar o quadro ansioso.

A alimentação também deve ser olhada nos ansiosos e deve se basear em alimentos que contenham ativos que atuem no combate ao estresse, aumentando níveis de serotonina.

Exemplos são: peixes, chocolate amargo, vegetais verdes, carne vermelha, ovos, frutas como laranja, maçã, limão, frutas vermelhas, grãos diversos.

 Imagem: Portal Psicologia Viva – Disponível em: https://blog.psicologiaviva.com.br/questionario-ansiedade/

Conclusão

Vivemos a era
da ansiedade, transtorno que incapacita o indivíduo física e psicologicamente,
retirando sua qualidade de vida e afetando relações cotidianas. Por isso, é
preciso saber identificar o quanto antes a pessoa que sofre de ansiedade e
buscar o controle para a patologia.

A equipe de
cuidado à saúde mental, como psiquiatras e psicólogos, é essencial, mas também
a família e amigos, devem formar uma rede de apoio para auxiliar o paciente no
tratamento. A empatia e a compreensão são fundamentais nesse momento, para
entender que a ansiedade não é frescura, mas sim uma doença, que precisa de
tratamento.

É importante identificar e tratar o transtorno de ansiedade, garantindo qualidade de vida para o indivíduo que sofre e impactando positivamente em quem o cerca.

Autoria: Gabriella Mares Duro –
Acadêmica de Medicina

Instagram: @gabriellamaresduro

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