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Anatomia do joelho e condromalácia patelar | Colunistas

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Introdução

A condromalácia patelar é uma das principais causas de dor anterior do joelho é uma doença caracterizada pelo amolecimento da cartilagem hialina que reveste a articulação femoropatelar. O amolecimento da cartilagem, caraterístico da doença, deve-se a alterações histológicas da matriz extracelular da cartilagem hialina que reveste esta porção do joelho, tais alterações levam a ruptura das fibras colágenas e perda de componentes estruturais como proteoglicanos. Consequentemente, toda a homeostase tecidual fica comprometida dando início ao ciclo de degeneração de condrócitos e necrose da cartilagem articular que com o passar do tempo se torna cada vez mais delgada, podendo chegar, em situações mais graves, a total exposição do osso subcondral.

Ademais, indivíduos com diagnóstico de condromalácia patelar costumam apresentar dor na região anterior do joelho, edema, estalidos e instabilidade femoropatelar. A etiologia da doença é multifatorial e envolve fatores como o envelhecimento, obesidade, prática esportiva e sexo, sendo mais prevalente em mulheres. Além disso, trata-se de uma doença com alto potencial incapacitante para o desempenho de atividades cotidianas, tendo em vista que indivíduos com condromalácia apresentam dificuldade para descer e subir escadas, não podem permanecer por longos períodos com o joelho em flexão entre outros, tudo isso contribui para limitar as atividades cotidianas dos indivíduos acometidos pela doença.

Portanto, tendo em vista a elevada incidência mundial da condromalácia patelar e todas as possíveis consequências á rotina normal dos indivíduos acometidos, o objetivo do texto é contribuir para a disseminação do conhecimento geral a respeito dos principais fatores que predispõem ao seu desenvolvimento, assim como mecanismos de prevenção a doença.

Anatomia do joelho:

Os joelhos consistem em uma das mais importantes articulações do corpo humano, é por meio delas que atividades comuns como a deambulação (ato de caminhar) e sustentação do corpo são possíveis. A estrutura articular do joelho é formada pelos côndilos femorais, tibiais e patela sendo essas estruturas revestidas por cartilagem hialina.

O joelho é uma articulação morfologicamente classificada como sinovial e por isso apresenta estruturas essenciais tais quais a cápsula articular, que juntamente com ligamentos fornece estabilidade articular; a membrana sinovial, que trata-se de um tecido delgado localizado internamente a capsula articular com a função de produção do ácido hialurônico, principal constituinte do líquido sinovial; o líquido sinovial que é produzido pelos sinoviócitos (células especializadas presentes na membrana sinovial) sendo caracterizado como um filtrado sanguíneo responsável por facilitar o deslizamento articular e  pela nutrição da cartilagem hialina que reveste as epífises ósseas do fêmur e da tíbia e pôr fim a cavidade articular, que corresponde ao espaço onde se mantêm alojado o líquido sinovial.

Além disso, os joelhos apresentam formações fibrocartilagíneas denominadas meniscos. Os meniscos medial e lateral são estruturas intra-articulares com formato semelhante a uma “meia lua”, são formados por fibras colágenas, proteoglicanos, glicoproteínas e elastina. Essas estruturas fibrocartilagíneas, os meniscos, têm a função de melhorar o encaixe dos côndilos femorais com os côndilos tibiais, garantindo melhor congruência articular, além de contribuem para o amortecimento de impactos mecânicos e sustentação da articulação do joelho.

Ademais, o joelho é uma articulação complexa e paradoxal, pois reúne propriedades opostas como mobilidade e estabilidade, por esse motivo para o seu bom desempenho articular estruturas como ligamentos, que fornecem estabilidade estática, e músculos que fornecem estabilidade dinâmica precisam atuar de forma harmônica. Os principais ligamentos encontrados nessa articulação são os ligamentos patelar, cruzado anterior, cruzado posterior, colateral medial e colateral lateral. Enquanto, os principais músculos com atuação direta sobre o joelho são o quadríceps femoral, ísquio-sural, grácil e o tensor da fáscia lata.

Figura 1: Vista superior, anatomia do joelho.
Fonte: Anatomia Online, disponível em: https://www.anatomiaonline.com/articulacoes-membro-inferior/
Figura 2: Vista anterior, anatomia do joelho.
Fonte: Netter, 2005.

Fatores de predisposição à condromalácia patelar:

  • Envelhecimento, é um processo natural que entre outras coisas vem acompanhado de amolecimento das cartilagens articulares, portanto todos os indivíduos tem grandes chances de desenvolver algum grau de condromalácia com o avançar da idade.
  • Atletas, essas pessoas devido a prática prologada de exercícios de alta intensidade acabam submetendo suas articulações a sobrecarga mecânica, resultando no amolecimento e fragmentação das cartilagens articulares. No grupo dos atletas os corredores merecem destaque, pois o movimento de frenagem realizado por eles ao final de um percurso pode ser avaliado como um fator risco a integridade da cartilagem patelar.
  • Mulheres, trata-se de um grupo mais predisposto ao desenvolvimento da condromalácia devido fatores como maior “ângulo Q”, sendo que esse ângulo se forma em cima da patela devido o cruzamento de uma linha imaginária traçada sobre o fêmur e a tíbia como mostrado na figura 3. Nas mulheres o quadril tende a ser mais largo comparado com os homens e por isso nas mulheres o “ângulo Q” tende a ser maior e quanto maior esse ângulo maior a sobrecarga sobre a parte lateral da patela, levando a um maior desgaste da cartilagem nesse local. Além disso, as mulheres costumam apresentar uma característica fisiológica natural do organismo feminino que é o “Valgo dinâmico”, ou seja, durante movimento de frenagem, em uma corrida, nas mulheres o quadríceps se contrai antes do músculo glúteo médio e por isso o joelho tende a rotacionar para medial (para dentro), causando maior sobrecarga lateral da patela e consequente desgaste e amolecimento cartilaginoso nessa região.
Figura 3: Ilustrando o ângulo Q.
Fonte: Machado, 2005.
  • Alterações anatômicas, como patela alta, tróclea rasa (o sulco onde a patela deve deslizar não se encontra bem definido), patela hiperlateralizada e outros.
  • Obesidade, contribui não apenas para a sobrecarga mecânica de articulações de sustentação corporal, como o joelho, mas também favorece o processo inflamatório, uma vez que indivíduos com sobrepeso tendem a apresentar maiores índices de citosinas, fator de necrose tumoral alfa e demais mediadores químicos com potencial ação inflamatória sobre a cartilagem das articulações.

Conclusão

Dessa forma, estudar os mecanismos da condromalácia patelar, bem como os principais fatores que favorecem sua prevalência torna-se fundamental para que as formas de prevenção e tratamento possam ser melhor aplicadas e com isso melhorar o prognóstico da doença e garantir que um menor contingente populacional tenha sua rotina e qualidade de vida drasticamente alteradas.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

MOORE, K. L.; DALEY II, A. F. Anatomia orientada para a clínica. 7ª.edição. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2014.

Machado Fabio, Amorin Álvaro. Condromalacia patelar: Aspectos estruturais, moleculares, morfológicos e biomecânicos. Revista de Educação Física. 2005 Feb 25;

O que é condromalacia patelar [Internet]. [place unknown]: Adriano Leonardi; ca. 2021. Condromalacia patelar: Aspectos estruturais, moleculares, morfológicos e biomecânicos; [cited 2021 Aug 4]; Available from: https://adrianoleonardi.com.br/joelho/cartilagem/condromalacia-patelar/o-que-e-condromalacia-patelar/.

Netter, F. H., Hansen, J. T., & Lambert, D. R. (2005). Netter’s clinical anatomy. Carlstadt, N.J: Icon Learning Systems.

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