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Anatomia do estômago e duodeno: as estruturas dos principais órgãos da digestão

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Descubra a anatomia do estômago e do duodeno, conheça suas principais estruturas e entenda como esses órgãos essenciais atuam na digestão dos alimentos.

O estômago e o duodeno desempenham papéis fundamentais no processo de digestão, sendo responsáveis por etapas essenciais na quebra e absorção dos alimentos que consumimos diariamente.

Todos sabem da importância desses dois órgãos para o funcionamento do sistema digestivo, mas será que você realmente conhece a anatomia detalhada deles? Se a resposta for não, está na hora de mudar isso!

Aproveite para conferir o conteúdo abaixo e descubra como o estômago e o duodeno estão organizados anatomicamente, quais suas principais estruturas e como cada parte contribui para a digestão eficiente dos nutrientes.

Anatomia do estômago 

O estômago é a porção mais dilatada do trato digestório e desempenha um papel essencial no processo de digestão.

Sua anatomia inicia-se na cárdia, região que marca a transição entre o esôfago e o estômago. Superiormente, localiza-se o fundo gástrico, enquanto logo abaixo encontra-se o corpo do estômago, a maior parte desse órgão. Em sequência, temos o antro pilórico, seguido pelo canal pilórico, que se afunila até o píloro — um esfíncter muscular responsável por controlar a liberação do quimo (mistura de alimento parcialmente digerido, ácido gástrico e enzimas digestivas) para o duodeno, a primeira porção do intestino delgado.

Ângulos do estômago 

O ângulo externo formado entre a porção terminal do esôfago e o fundo do estômago é denominado incisura cárdica. Já entre o canal pilórico e o corpo do estômago, há outro ponto de curvatura importante, conhecido como incisura angular, que marca uma transição anatômica entre essas regiões.

Curvatura menor do estômago 

A curvatura menor corresponde à margem medial (direita) do estômago. É uma estrutura côncava e significativamente mais curta do que sua curvatura oposta. Além disso, nessa região encontra-se a incisura angular, que marca a transição entre o corpo gástrico e o canal pilórico.

Curvatura maior do estômago 

Localizada na margem lateral (esquerda) do estômago, a curvatura maior é a mais extensa das duas. Inicia-se na incisura cárdica e apresenta uma forma convexa, com um comprimento de aproximadamente quatro a cinco vezes maior que o da curvatura menor.

Figura 1. SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana Volume Dois: Tronco, Vísceras e Extremidade Inferior.  21ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2000.

Vascularização

A irrigação do estômago é realizada por diversos ramos arteriais que se distribuem conforme a anatomia do órgão.

A porção superior da curvatura menor é irrigada pela artéria gástrica esquerda, que origina-se do tronco celíaco. Já a porção inferior dessa mesma curvatura recebe sangue da artéria gástrica direita, um ramo da artéria hepática própria.

Por outro lado, na curvatura maior, a vascularização ocorre por meio da artéria gastroepiploica esquerda, derivada da artéria esplênica, e da artéria gastroepiploica direita, que tem origem na artéria gastroduodenal; ademais, essas duas artérias anastomosam-se ao longo da curvatura maior, garantindo uma rica rede de suprimento sanguíneo.

O fundo do estômago, por sua vez, é vascularizado pelas artérias gástricas curtas, que também são ramos da artéria esplênica.

A drenagem venosa do estômago acompanha a distribuição arterial, sendo feita por veias homônimas às artérias, que desembocam principalmente no sistema porta hepático, completando a circulação sanguínea desse importante órgão do sistema digestivo.

Figura 2. F.H.N. Netter – Atlas de Anatomia Humana. 2018

Drenagem linfática 

Ao redor da região gástrica, encontram-se diversas cadeias de linfonodos responsáveis pela drenagem linfática do estômago. Portanto, as principais cadeias linfáticas envolvidas são: os linfonodos gástricos esquerdos, os linfonodos gastromentais esquerdos, os linfonodos pilóricos, os linfonodos gastromentais direitos e os linfonodos gástricos direitos.

Inervação

A inervação do estômago é realizada principalmente pelos troncos vagais anterior e posterior.

O tronco vagal anterior origina o ramo hepático, o ramo celíaco e os ramos gástricos anteriores, enquanto o tronco vagal posterior dá origem ao ramo hepático e aos ramos gástricos posteriores

Anatomia do duodeno

O duodeno é a primeira e mais curta parte do intestino delgado, apresentando um formato característico em “C” e medindo entre 25 a 30 centímetros de comprimento. Além disso, ele precede o jejuno e o íleo, que juntos completam o intestino delgado.

A superfície interna do duodeno é formada por pregas revestidas por vilosidades intestinais, estruturas que aumentam significativamente a área disponível para a absorção dos nutrientes provenientes da digestão.

Ademais, o duodeno é dividido em quatro porções distintas, que se encontram tanto na região intraperitoneal quanto na retroperitoneal, refletindo sua complexa localização anatômica.

Figura 3. SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana Volume Dois: Tronco, Vísceras e Extremidade Inferior.  21ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2000.

Secções do duodeno

O duodeno é dividido em quatro seções distintas, cada uma com características anatômicas específicas.

A primeira delas é conhecida como a região superior do duodeno, que possui uma porção proximal dilatada chamada bulbo duodenal. Essa seção está diretamente ligada ao piloro, que é a última parte do estômago, e é a única parte do duodeno localizada dentro do peritônio, ou seja, intraperitoneal. Além disso, a parte superior do duodeno está conectada ao fígado pelo ligamento hepatoduodenal e termina na flexura duodenal superior.

Em seguida, encontramos a segunda região do duodeno, denominada porção descendente, que já localiza-se retroperitonealmente. Essa porção apresenta duas papilas importantes: a papila maior e a papila menor. A papila maior, também conhecida como papila de Vater, é onde desembocam o ducto colédoco e o ducto pancreático, que unem-se na chamada ampola de Vater para liberar suas secreções no duodeno. Já a papila menor, ou papila de Santorini, funciona para aqueles que possuem o ducto pancreático acessório, que, quando presente, desemboca nessa papila localizada superiormente à papila maior.

Logo após, ocorre a transição da segunda para a terceira parte do duodeno na flexura duodenal inferior. A terceira porção, conhecida como porção horizontal, atravessa a região ventral, deslocando-se da direita para a esquerda, passando à frente dos vasos da aorta abdominal e da veia cava inferior.

Por fim, temos a quarta e última porção do duodeno, chamada porção ascendente, que retorna à posição intraperitoneal na região da flexura duodenojejunal. Essa porção é cruzada anteriormente pelos vasos mesentéricos superiores e está firmemente presa à parede abdominal posterior pelo ligamento de Treitz, também conhecido como ligamento suspensor do duodeno. Esse ligamento tem grande importância clínica, pois marca a transição entre o trato gastrointestinal superior e o inferior.

Flexuras duodenais 

  • Flexura duodenal superior;
  • Flexura duodenal inferior;
  • Flexura duodenojejunal.

Vascularização

A irrigação do duodeno ocorre por meio das artérias pancreatoduodenal superoanterior e pancreatoduodenal superoposterior, que são ramos da artéria gastroduodenal, além da artéria pancreatoduodenal inferior, que se origina da artéria mesentérica superior.

Quanto à drenagem venosa, o duodeno é irrigado pelas arcadas venosas pancreatoduodenais anterior e posterior, formadas pelas anastomoses entre veias homólogas às artérias correspondentes. Além disso, a região superior do duodeno também realiza sua drenagem venosa por meio de tributárias da veia gástrica direita. Um destaque importante é a veia de Mayo, situada logo à frente do piloro, que serve como ponto anatômico de referência durante cirurgias gástricas para a localização dessa estrutura.

Figura 4. Vascularização do baço (MOORE, 2018). Adaptado.

Drenagem linfática 

A drenagem linfática do duodeno ocorre principalmente através dos linfonodos pancreatoduodenais anteriores e posteriores.

Vale destacar que apenas a primeira porção do duodeno possui parte de sua drenagem direcionada aos linfonodos pilóricos. Essas cadeias linfáticas, por sua vez, conduzem a linfa para os linfonodos celíacos e mesentéricos superiores, garantindo a circulação linfática adequada dessa região.

Inervação

  • Simpática: realizada pelo plexo celíaco.
  • Parassimpática: levada pelo nervo vago, conhecido como no X par de nervo craniano. 

Portanto, vê-se que para compreender a fisiologia da digestão, bem como para entender e/ ou realizar intervenções cirúrgicas (técnica da cirurgia bariatrica ou da gastropancreatectomia), é necessário aprender sobre a anatomia do estômago e do duodeno.

Colunista: Rafaela Moreno 

Instagram: @rafaelaamoreno

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Referências

  • Celeno P. Semiologia Médica, 8ª edição. 2019; Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527734998/ [2022 Jan 02].
  • F.H.N. Netter – Atlas de Anatomia Humana. 2018; Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595150553/ [2022 Jan 02].
  • MOORE, K. L.; DALLEY A. F. Anatomia orientada para a clínica. 5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
  • Oriá, R. B., & Brito, G. D. C.. Sistema digestório: integração básico-clínica. 1ª edição, cap 2, 61-88. Editora Blucher, 2016.SOBOTTA, J. Atlas de Anatomia Humana Volume Dois: Tronco, Vísceras e Extremidade Inferior.  21ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2000

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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