Analgesia paliativa: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
Os cuidados paliativos são uma abordagem médica especializada que se concentra no alívio do sofrimento e na melhoria da qualidade de vida de pacientes com doenças graves ou ameaçadoras à vida.
Em vez de se concentrar exclusivamente na cura da doença, os cuidados paliativos visam proporcionar conforto e apoio tanto ao paciente quanto à sua família.
Objetivo dos cuidados paliativos
O principal objetivo dos cuidados paliativos é melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias enfrentando os desafios associados a doenças graves.
Isso é alcançado por meio da prevenção e alívio do sofrimento, identificando e tratando precocemente a dor e outros problemas físicos, emocionais e sociais.
Princípios de cuidados paliativos e medicina da dor
O primeiro passo no manejo da dor é fazer uma avaliação total da dor. Solicita-se que o paciente escolha um número de 0 a 10 para classificar sua dor, sendo 0 uma dor muito leve e 10 a pior dor.
Tenha em mente 3 princípios importantes ao decidir como controlar a dor. Dessa forma, deve-se tratar a dor imediatamente, visto que um atraso permite que a dor piore.
Assim, a maioria dos problemas de dor pode ser controlada usando a abordagem de cuidados em etapas da Organização Mundial da Saúde:
Etapa 1
Inicia-se com um medicamento anti-inflamatório não esteróide (AINE). Exemplos de AINEs incluem medicamentos de venda livre como ibuprofeno e AINEs.
Uma alternativa aos AINEs para a dor da etapa 1 é o acetaminofeno e o dipirona (permitido no Brasil, mas não é um AINE).
Etapa 2
Se a dor continuar ou piorar, deve-se prescrever um medicamento opioide fraco, como hidrocodona.
Passo 3
Se a dor continuar ou piorar, deve-se prescrever um opióde mais forte. Exemplos de opioides fortes incluem morfina e fentanil.
Analgesia paliativa: entendendo as drogas opioides
As drogas opioides são as drogas mais eficazes e comumente usadas para dor moderada a intensa. Uma ampla gama de medicamentos opioides está disponível e eles podem ser tomados de várias maneiras.
Assim, uma desvantagem desses medicamentos é que, com o tempo, o paciente quase certamente desenvolverá uma tolerância ao que está tomando e precisará de doses mais altas para obter o mesmo efeito. Uma maneira de contornar esse problema é mudando o tipo, a dose ou a maneira como o medicamento é administrado.
Formas de administrar opioides
Estas são maneiras comuns pelas quais os medicamentos opioides podem ser administrados:
- Via oral: tomados em forma de pílula ou líquido, de ação curta ou longa (liberação sustentada)
- Intramuscular: administrada sob a pele ou em um músculo
- Intravenoso: administrado diretamente no sangue através de uma linha intravenosa
- Bomba de infusão: administrados através de uma bomba conectada, consiste em uma analgesia controlada pelo paciente.
Analgesia paliativa: entendendo as drogas auxiliares
Esses medicamentos, chamados analgésicos adjuvantes, ajudam a controlar a dor em determinadas situações.
Esteróides
Os esteróides, também conhecidos como corticosteroides, consistem em medicamentos potentes frequentemente utilizados em cuidados paliativos e medicina da dor devido às suas propriedades anti-inflamatórias e imunossupressoras.
Assim, são extremamente úteis no manejo de uma variedade de sintomas em pacientes com doenças graves.
Antidepressivos
Em primeiro lugar, os antidepressivos são essenciais para o tratamento da depressão e ansiedade em pacientes com doenças graves.
Além disso, esses medicamentos ajudam a melhorar o estado emocional dos pacientes, o que é importante para a qualidade de vida.
Anticonvulsivantes
Os anticonvulsivantes, tradicionalmente usados para tratar epilepsia, mostram-se eficazes no manejo da dor neuropática.
Por exemplo, medicamentos como a gabapentina e a pregabalina são amplamente utilizados para condições como neuropatia diabética e neuralgia pós-herpética. Além disso, esses medicamentos ajudam a estabilizar as membranas nervosas hiperexcitáveis, reduzindo a transmissão de sinais de dor.
Anestésicos locais
Os anestésicos locais atuam bloqueando os canais de sódio nas membranas das células nervosas, impedindo a condução dos impulsos nervosos.
Consequentemente, ocorre uma perda temporária de sensibilidade na área onde aplica-se o anestésico. Além disso, essa ação permite o alívio da dor sem afetar a consciência ou causar sedação, o que é especialmente benéfico em várias situações clínicas.
Por exemplo, os anestésicos locais são usados para aliviar a dor associada a feridas, úlceras por pressão e infiltração tumoral.
Relaxantes musculares
Pode-se utilizar medicamentos ansiolíticos e relaxantes musculares junto com analgésicos caso ocorra agravo da dor por tensão ou espasmos musculares.
Bisfosfonatos
Os bisfosfonatos agem inibindo a atividade dos osteoclastos, células responsáveis pela reabsorção óssea. Consequentemente, isso reduz a destruição óssea e fortalece a estrutura do osso.
Além disso, ao diminuir a atividade osteoclástica, os bisfosfonatos ajudam a manter a densidade óssea e prevenir fraturas.
Outras intervenções de controle da dor
A decisão de considerar intervenções cirúrgicas em pacientes no fim da vida é complexa e requer uma avaliação cuidadosa dos potenciais benefícios e riscos envolvidos. Assim, embora a cirurgia não tenha o objetivo de curar a doença subjacente ou prolongar a vida, pode oferecer alívio significativo da dor e melhorar a função em situações específicas.
Em pacientes com câncer avançado, como aqueles com fratura de quadril, pode-se recomendar a cirurgia para estabilizar a região afetada. Por exemplo, uma fratura de quadril pode ser uma fonte significativa de dor e limitação funcional, e a estabilização cirúrgica pode proporcionar alívio imediato desses sintomas.
Radioterapia no controle de sintomas
Em certos cenários, prefere-se a radioterapia como uma intervenção menos invasiva para controlar sintomas como dor óssea metastática.
Por exemplo, o uso de radioterapia para tratar metástases ósseas pode reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida, sem os riscos associados à cirurgia.
A radioterapia também desempenha um papel importante no controle sintomático, especialmente em casos em que a cirurgia não é viável devido ao estado geral do paciente ou outras considerações médicas.
Considerações multidisciplinares e comunicação efetiva
A comunicação efetiva envolve estabelecer um diálogo aberto com o paciente e seus familiares, discutindo de maneira clara e empática sobre o prognóstico, opções de tratamento e objetivos dos cuidados paliativos.
Portanto, isso promove a compreensão mútua e ajuda na tomada de decisões informadas sobre o plano de cuidados. É essencial respeitar as preferências e valores individuais do paciente em relação aos cuidados no fim da vida, incluindo questões de dignidade, autonomia e qualidade de vida.
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Referências bibliográficas
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). National cancer control programmes: policies and managerial guidelines. 2.ed. Geneva: WHO, 2002.
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