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Anafilaxia: o que é, sintomas e como tratar

anafilaxia

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A anafilaxia é uma reação potencialmente fatal de hipersensibilidade sistêmica grave, que pode cursar com hipotensão grave ou comprometimento das vias aéreas.

É uma reação em cascata causada pela liberação de mediadores de mastócitos e basófilos de uma forma dependente de IgE.

Como ocorre a anafilaxia?

A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal que ocorre rapidamente após a exposição a um alérgeno específico. Ela é uma resposta do sistema imunológico a uma substância que o corpo percebe como uma ameaça, desencadeando uma série de reações que afetam vários sistemas do corpo.

Em crianças, os alimentos são as maiores causas de procura de serviços de emergência por reações alérgicas ou anafiláticas. Ainda nas crianças, o risco de alergia ao látex é maior naquelas submetidas a múltiplas cirurgias ou com espinha bífida. Sabe-se ainda que pode ocorrer alergia cruzada entre látex e outros alérgenos, como abacate, banana e figo.

Assim, mulheres jovens também são especialmente afetadas por anafilaxia a alimentos, e homens idosos apresentam pior evolução após alergias ocorridas por picadas de inseto.

Definição de anafilaxia

A definição mais utilizada de anafilaxia, proposta por Sampson et al, em 2006, denominando-a como uma grave reação alérgica, com rápida instalação e potencialmente causadora de complicações graves que incluem a morte.

Dessa forma, observa-se que as reações da anafilaxia desencadeiam-se quase sempre por reações mediadas pela IgE, após exposição a um antígeno em indivíduos previamente sensibilizados; porém, hoje o termo inclui também as reações causadas por outros mecanismos ou com associação a outros mecanismos.

Epidemiologia da anafilaxia

A incidência e a prevalência da anafilaxia são difíceis de determinar devido a importante subnotificação que ocorre nesses casos.

A incidência estimada é de 4-50 ocorrências a cada 100.000 habitantes ao ano e a prevalência é de 0,05% a 2%, sendo causa responsável por 1 a cada 2.300 atendimentos nos serviços de emergência do Reino Unido e 1 a cada 250 internações nos Estados Unidos. Estima-se ainda que seja responsável por cerca de 1.000-1.500 mortes ao ano apenas nos Estados Unidos.

Estes números seriam responsáveis por cerca de 1 % dos atendimentos em departamentos de emergência (DE). A prevalência de reações alérgicas menos graves no DE é muito maior, mas os dados são raramente relatados.

Acredita-se, no entanto, que as reações de anafilaxia parecem estar apresentando uma incidência maior, em particular na população jovem. Infelizmente, em 50% dos pacientes que procuram o DE, não realiza-se o diagnóstico em 80%.

Idade, ocupação, raça, sexo e fatores geográficos não parecem aumentar o risco de anafilaxia. Os únicos fatores conhecidos que aumentam o risco de desenvolver anafilaxia são atopia e episódio prévio de anafilaxia.

A taxa de recorrência de anafilaxia é de 40 a 60% para picadas de insetos, de 20 a 40% para os agentes de radiocontraste e de 10 a 20% para o uso de penicilina. As causas mais comuns de anafilaxias graves são uso de antibióticos, picadas de insetos e alimentos.

Entre os antibióticos, os betalactâmicos, como a penicilina, causam 400 a 800 mortes nos Estados Unidos anualmente, com uma reação alérgica sistêmica que ocorre em 1 a cada 10.000 exposições. A picada pela Hymenoptera constitui a segunda causa mais comum de anafilaxia atualmente. Na população pediátrica, a alergia alimentar é a maior causa da condição.

Qual a fisiopatologia da anafilaxia?

O mecanismo básico subjacente às reações alérgicas é a degranulação de mastócitos e liberação de mediadores por basófilos.

A reação pode ocorrer com dois mecanismos predominantes, uma reação dependente de IgE e outra independente de IgE (anafilactoide).

Mecanismo mediado por IgE

O mecanismo mediado por IgE é também definido como mecanismo de hipersensibilidade tipo I. Nesse caso, o alérgeno se liga ao segmento Fab da IgE e este ativa e libera proteinoquinases presentes em basófilos e mastócitos e, por consequência, leva a liberação de mediadores pré formados estocados nos grânulos citoplasmáticos daquelas células, que incluem histamina e triptase, entre outros mediadores. A histamina liga-se aos receptores H1 e H2. Os receptores H2 têm efeitos vasodilatadores e de aumento da permeabilidade capilar. Os receptores H1, por sua vez, têm efeitos vasoconstritores e broncoconstritores.

A triptase tem muitos efeitos, como ativação da via do complemento e da cascata de coagulação, quimiotaxia e produção de mediadores pró-inflamatórios, resultando em manifestações clínicas como edema e distúrbios hemorrágicos. Os leucotrienos, prostaglandinas e PAF induzem broncoconstrição, vasodilatação, permeabilidade capilar e regulação da resposta inflamatória. Outros elementos envolvidos incluem o óxido nítrico e a cascata de coagulação.

Mecanismo independente da IgE

O mecanismo independente da IgE é, por sua vez, ativado por IgG ou por complemento. O mecanismo é pouco entendido e pode ser causado por atividade física, álcool, bem como a anafilaxia associada ao uso de opioides, entre outras causas.

Mediada por IgG (em modelos animais)

Estabeleceu-se modelos animais que parecem análogos à anafilaxia humana em camundongos, porcos e cães. Portanto, clinicamente, cada um tem alguns sinais e sintomas distintos. Como exemplo, caracteriza-se a anafilaxia murina por reduções drásticas na temperatura corporal central e sutis diferenças cardiopulmonares, em comparação com a anafilaxia humana.

Nos modelos de camundongos, pelo menos duas vias mediadas por imunoglobulina G (IgG) foram identificadas:

Assim, em um modelo, o alérgeno interage com a IgG específica do alérgeno ligada ao Fc-gama-RIII nos macrófagos e basófilos. O PAF causa agregação plaquetária e liberação de potentes vasoconstritores, tromboxano A2 e serotonina. Podendo atuar diretamente nas células endoteliais vasculares para aumentar a permeabilidade vascular.

Existem evidências em camundongos de que as vias de anafilaxia mediada por IgG e IgE estão inter-relacionadas. Quando administra-se doses baixas de alérgeno, o anticorpo IgG pode bloquear a anafilaxia dependente de IgE interceptando o antígeno antes que ele possa reticular a IgE associada a mastócitos e basófilos e ativando o receptor inibitório Fc-gama-RIIb.

Além disso, outro modelo de camundongo encontrou evidências do mecanismo acima em conjunto com a ativação de neutrófilos resultantes da interação de IgG2 específica de alérgeno com Fc-gama-RIV nessas células. O PAF também foi o mediador predominante neste modelo.

A anafilaxia dependente de IgG não foi demonstrada em seres humanos. No entanto, os receptores de IgG humanos são capazes de ativar macrófagos e neutrófilos para secretar PAF, e o PAF pode ativar mastócitos in vitro, portanto, o PAF pode contribuir potencialmente para a anafilaxia humana. Além disso, foi relatado que a anafilaxia é mais grave em indivíduos que catabolizam o PAF lentamente.

Complexo imune / mediado por complemento

As principais etiologias da anafilaxia incluem uso de drogas, consumo de determinados alimentos e picadas de insetos.

Assim, a anafilaxia idiopática, que representa 19 a 37% dos casos, tem um diagnóstico de exclusão, definido quando não identifica-se nenhum agente causador. Dessa forma, os pacientes sofrem recorrentes ataques, sem fatores precipitantes identificados após extensa avaliação. Eles, muitas vezes, para manter a remissão dos ataques, precisam de tratamento prolongado com glicocorticoides em dias alternados.

Quais os principais sintomas da anafilaxia?

Os sintomas da anafilaxia podem variar de leves a graves e podem envolver vários sistemas do corpo. Alguns dos sintomas comuns incluem:

  • Pele: urticária, prurido e inchaço, especialmente no rosto, lábios e língua
  • Respiratório: dificuldade respiratória, chiado no peito, aperto na garganta, tosse, congestão nasal, respiração rápida
  • Cardiovascular: queda da pressão arterial, taquicardia e palpitações
  • Gastrointestinal: náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia
  • Sistema nervoso: tontura, desmaio, confusão, sensação de desmaio iminente
  • Outros: sensação de ansiedade ou pânico, sensação de calor, calafrios.

Assim, é importante notar que os sintomas podem progredir rapidamente e que a anafilaxia pode levar ao choque anafilático, uma condição potencialmente fatal caracterizada por uma queda significativa da pressão arterial, comprometimento grave da função respiratória e colapso cardiovascular.

O que é o choque anafilático?

O choque anafilático, também conhecido como choque alérgico, é uma forma grave e potencialmente fatal de reação alérgica generalizada. Dessa forma, essa reação ocorre quando o sistema imunológico responde de maneira extrema a um alérgeno, liberando uma grande quantidade de substâncias químicas, como a histamina, que causam uma série de efeitos no corpo.

A condição caracteriza-se por uma resposta alérgica sistêmica intensa, afetando vários órgãos e sistemas. Alguns dos sintomas típicos do choque anafilático incluem:

  • Dificuldade respiratória
  • Queda da pressão arterial
  • Urticária e inchaço
  • Taquicardia
  • Confusão ou perda de consciência

Reação anafilactoide

A reação anafilactoide descreve as respostas que são clinicamente indistinguíveis da anafilaxia, que não são IgE-mediadas e que não necessitam de uma exposição sensibilizadora.

A via final na reação anafilática ou anafilactoide é a mesma e, como vimos, o termo anafilaxia é agora utilizado para se referir a ambos, envolvendo ou não a reação com IgE. O contraste radiológico é um agente que provoca a reação anafilactoide.

A hipersensibilidade é uma resposta imune inadequada a antígenos geralmente inofensivos, enquanto anafilaxia representa a forma mais dramática e grave da reação de hipersensibilidade imediata.

Como tratar anafilaxia?

A epinefrina é o tratamento de escolha para anafilaxia. Injeções de epinefrina são frequentemente prescritas para pessoas com histórico de alergias graves. Ela age rapidamente, aliviando sintomas como dificuldade respiratória e queda de pressão arterial.

Se a pessoa estiver com dificuldade respiratória, é crucial manter as vias aéreas desobstruídas. Posicione a pessoa confortavelmente e, se possível, auxilie na administração de oxigênio. Além disso, deve-se observar constantemente a pressão arterial, frequência cardíaca e níveis de oxigênio.

Esteja apto para manejar anafilaxia

Chegou o momento de aprender a tratar o seu paciente na prática médica!

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