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Alopecia: o que é, causas, tipos, sintomas e tratamento

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Alopecia: tudo o que você precisa saber para prática clínica!

O climão na cerimônia de premiação do Oscar 2022 entre Will Smith e Chris Rock chamou atenção para um problema de saúde sério, a alopecia. Na ocasião, o comediante ao fazer uma “piada” para plateia acabou dando a entender que a esposa do ator, Jada Pinkett Smith, raspou a cabeça por estética. Porém, ela tem alopecia e, inclusive, ficou bem incomodada com a situação.

Dessa forma, a doença é caracterizada pela queda de cabelo e de pêlos do corpo. De acordo com o dado divulgado pela SBC (Sociedade Brasileira do Cabelo), em média 42 milhões de brasileiros são reféns da calvície. O dado é do segundo semestre de 2018.

Além disso, dermatologistas mapeiam um aumento de casos de queda de cabelo no país com a pandemia.

O que é alopecia?

A alopecia também conhecida como calvície é uma condição bastante comum entre os homens. Ela está diretamente relacionada aos hormônios sexuais masculinos, principalmente a testosterona.

Entre as mulheres, que também produzem esse hormônio, só que em menor quantidade, os casos são bem menos frequentes. E quando ocorrem, na maioria das vezes, a perda de cabelos é menos drástica. Por isso, episódios mais agressivos entre o público feminino são raros.

Quais são as causas da alopecia?

Além do fator hormonal, outras possíveis causas para o distúrbio são fatores genéticos e imunológicos.

Em alguns casos, a alopecia pode estar associada a enfermidades como

  • Tireoidites
  • Diabetes
  • Lúpus
  • Vitiligo
  • Rinites e a outras condições alérgicas.

Outras possíveis causas relacionadas à perda de cabelos podem ser:

  • Infecções provocadas por fungos ou bactérias
  • Traumas na região capilar
  • Hábitos compulsivos de arrancar os próprios fios de uma determinada área
  • Excesso de oleosidade, que provoca a dermatite seborreica
  • Aplicação exagerada de produtos químicos
  • Má alimentação e carência de vitaminas
  • Medicamentos
  • Estresse.

Quais são os tipos?

O ciclo de vida de cada fio de cabelo é marcado por três fases:

  1. Crescimento
  2. Repouso
  3. Queda

Cerca de 90% dos cabelos estão na fase de crescimento. Depois de um curto período de repouso, quando para de crescer, o fio cai e, no seu lugar, um novo fio entra na fase de crescimento.

Por isso, uma pessoa pode perder de 50 a 100 fios de cabelo todos os dias, sem risco de desenvolver calvície, devido a esse processo de renovação contínua.

A duração média de um fio de cabelo, do nascimento até a queda, é de um ano e meio a dois anos.

Androgenética

É uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que apesar de se iniciar na adolescência, só é aparente por volta dos 40 ou 50 anos.

A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.

O sintoma mais frequente é o afinamento dos fios. Portanto, os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto.

Nas mulheres, a região central é mais acometida, podendo haver associação com irregularidade menstrual, acne, obesidade e aumento de pelos no corpo. Em geral, são sintomas discretos. Nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).

Alopecia areata

É uma condição caracterizada por perda de cabelo ou de pelos em áreas arredondadas ou ovais do couro cabeludo, ou em outras partes do corpo (cílios, sobrancelhas e barba, por exemplo).

Acomete de 1% a 2% da população. Afeta ambos os sexos, todas as etnias e pode surgir em qualquer idade, embora em 60% dos casos seus portadores tenham menos de 20 anos.

Avaliação clínica da alopecia

A avaliação da história da condição atual deve incluir detalhes sobre o início e a duração da queda de cabelo, se houve aumento significativo na perda capilar e se ela é difusa ou localizada. Sintomas correlatos, como coceira e descamação, devem ser notados. Além disso, é importante questionar os pacientes sobre seus hábitos de cuidado capilar, como o uso de:

  • Secadores
  • Tranças
  • Tratamentos químicos
  • Costume de puxar ou tensionar os fios regularmente.

A investigação clínica deve abranger condições endocrinológicas e dermatológicas. Além disso, o uso atual e recente de medicamentos deve ser considerado em busca de possíveis agentes desencadeantes. Qualquer histórico familiar de queda de cabelo deve ser registrado.

Exame físico

Durante o exame físico, é fundamental examinar o couro cabeludo para identificar a distribuição da perda de cabelo, a presença de lesões cutâneas e se há sinais de cicatrização. A extensão da alopecia deve ser medida e quaisquer anormalidades na haste capilar devem ser observadas.

Um exame completo da pele é necessário para verificar a perda de cabelo em outras áreas do corpo, presença de erupções cutâneas associadas a certos tipos de alopecia, por exemplo:

  • Lesões do lúpus discoide
  • Sinais de sífilis secundária
  • Outras infecções bacterianas ou fúngicas
  • Sinais de virilização em mulheres (como hirsutismo, acne, engrossamento da voz, aumento do clitóris)

Além disso, também é importante investigar possíveis sinais de doenças sistêmicas e realizar o exame da tireoide.

Exames

O teste de tração, consiste em aplicar uma leve tração em um tufo de cabelo (aproximadamente 40 fios) em pelo menos três áreas do couro cabeludo. Em seguida, conta-se o número de fios removidos e examina-se ao microscópio. Normalmente, são retirados menos de 3 fios na fase telógena por vez. Se mais de 4 a 6 fios forem extraídos em cada puxada, o teste é considerado positivo, sugerindo eflúvio telógeno.

Teste de arrancamento

O teste de arrancamento envolve a remoção sequencial e rápida de cerca de 50 fios de cabelo “pela raiz”. Assim, as raízes desses fios são examinadas ao microscópio para determinar a fase de crescimento, auxiliando no diagnóstico para distinguir entre alterações telógenas ou anágenas, e para identificar possíveis doenças sistêmicas subjacentes. Portanto, os fios anágenos apresentam bainhas unidas às raízes, enquanto os telógenos têm bulbos finos e sem bainhas.

Normalmente, 85 a 90% dos fios estão na fase anágena, cerca de 10 a 15% na telógena e menos de 1% na catágena. No eflúvio telógeno, há um aumento na porcentagem de fios telógenos ao exame microscópico (tipicamente > 20%), enquanto o eflúvio anágeno mostra uma diminuição dos fios telógenos e um aumento nos fios quebrados. As anormalidades primárias da haste capilar são evidentes sob o exame microscópico.

Biópsia do couro cabeludo

Recomenda-se a biópsia do couro cabeludo quando a alopecia persiste e o diagnóstico não é claro. Ela pode distinguir entre formas cicatriciais e não cicatriciais.

Coleta-se o material para biópsia de uma área com inflamação ativa, preferencialmente na borda da área alopécica. Culturas fúngicas e bacterianas podem ser úteis nesse contexto.

Contagem diária de fios de cabelo

Realiza-se a contagem diária de fios de cabelo pelo paciente para quantificar a perda capilar, caso o teste de tração seja negativo. Os fios que caem durante a escovação matinal ou durante a lavagem serão coletados em um saco plástico diariamente por 14 dias, e o número de fios em cada saco é contado. Uma contagem de mais de 100 fios por dia é considerada anormal, exceto após a lavagem com xampu, quando uma contagem de mais de 250 fios pode ser normal.

O paciente pode trazer os fios para exame microscópico.

Tratamento para alopecia

Exceção à queda de cabelos de causa hereditária, nos outros casos, pode-se evitar ou retardar, caso forem afastados os fatores de risco e introduzidos alguns medicamentos. Porém, há casos em que só o implante de cabelos pode representar uma solução estética para a calvície.

Assim, o tratamento para alopecia pode variar dependendo do tipo e da gravidade da condição. Algumas opções comuns:

  • Minoxidil: medicamento tópico aplicado no couro cabeludo, que pode ajudar a estimular o crescimento do cabelo em algumas pessoas

  • Finasterida: ajuda a prevenir a queda de cabelo em homens com calvície padrão

  • Corticosteroides: injeções de corticosteroides no couro cabeludo podem ajudar a tratar a alopecia areata, uma condição autoimune que causa a queda de cabelo em manchas

  • Terapia com luz: terapias como a terapia com luz vermelha podem ajudar a estimular o crescimento do cabelo em algumas pessoas.

É obrigatório fazer tratamento para alopecia?

Para a alopecia areata, o tratamento não é obrigatório. Uma vez que a condição é benigna e tende a regredir espontaneamente. Porém, costuma-se indicar porque a alopecia pode causar distúrbios psicológicos importantes.

Assim, adultos com menos de 50% de envolvimento do couro cabeludo podem ter boa resposta ao tratamento por meio da aplicação de injeções locais ou cremes.

O tratamento para qualquer tipo de calvície deve ser indicado e acompanhado pelo médico dermatologista.

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