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Alimentação na adolescência | Colunistas

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A adolescência, como faixa etária, é definida entre os 12 aos 21 anos e, como período, compreende o processo de maturação física e social que transforma as crianças em adultos. A carga de hormônios associada à puberdade, à maturação sexual e às mudanças emocionais e sociais, como forma de adequação ao meio, são as marcas desse período.

Em vista disso, a alimentação balanceada é essencial para que haja componentes estruturais em quantidades adequadas para a composição dos hormônios, enzimas, ossos e músculos, visando a homeostasia do crescimento.

Pirâmide alimentar

A pirâmide alimentar é um modelo metodológico em formato de triângulo, alocando os alimentos da base ao ápice da figura, de modo que se tenha ideia da quantidade necessária de consumo diário dos diversos alimentos. Exemplificando, os alimentos da base constituem o grupo dos cereais, tubérculos e raízes, que devem ser consumidos em maior quantidade. Ao seguimento do afunilamento da figura, os próximos níveis contêm alimentos que devem ser consumidos em quantidades cada vez menores dentro da dieta diária. O segundo nível é composto por hortaliças e frutas, o terceiro por laticínios, carnes, ovos e legumes, e o quarto grupo por óleos, gorduras e açúcares.

Quando se trata dos adolescentes, dois nutrientes merecem maior atenção: o cálcio e o ferro. O cálcio é encontrado principalmente nos leites e derivados, e sua ingesta é essencial devido ao fato de que a dieta é a única fonte disponível para o corpo humano obter esse mineral que é crucial para o crescimento e manutenção da massa óssea. O ferro, por sua vez, tem maior importância no balanceamento de ganho e perdas desse constituinte nas meninas, principalmente após a menarca. São fontes desse nutriente carnes e ovos. Vale lembrar que o ferro depende da presença da vitamina C para ser absorvido, nutriente que é relacionado com a prevenção de infarto e neoplasias.

Apesar da grande importância referida aos micronutrientes, os macronutrientes também são fundamentais para uma dieta equilibrada e que supre todas as necessidades do organismo. Os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo; as proteínas são construtoras e base para transporte de elementos, comunicação de vias, catalisação de reações e defesa do organismo; os lipídios são dirigentes da reserva energética e da manutenção da temperatura corporal, e a água é essencial para a hidratação e preservação da saúde.

Atribuições à má alimentação

Os adolescentes constituem um grupo nutricionalmente vulnerável, considerando-se suas necessidades aumentadas, seu padrão alimentar e sua suscetibilidade às influências ambientais. Para mais, há a presença do imediatismo inerente à idade, em que não há percepção das consequências futuras de suas ações e escolhas.

Os alimentos comumente consumidos em determinadas refeições dificilmente serão consumidos em outros horários ao longo do dia, já que culturalmente são ingeridas determinadas classes da pirâmide alimentar dentro de cada refeição. Além dessa atitude, a maior parte dos adolescentes não realiza desjejum e ceia, permanecendo em jejum durante um longo período de tempo e realizando somente duas a três refeições diárias.

Apesar da baixa quantidade de refeições, o volume e os valores energéticos dos alimentos ingeridos são inadequados. Observa-se alto consumo de alimentos com maior densidade energética, rica em gorduras e açúcares refinados, em detrimento da ingesta de hortaliças, frutas e legumes.

Consequências da má alimentação

A má alimentação influencia em alterações no metabolismo, no sistema imune e inflamatório. O alto teor energético e lipídico da maioria dos alimentos ingeridos nessa faixa etária se relaciona com o aumento da lipogênese e acumulo de ácidos graxos corporais. Do mesmo modo, a deficiência de aportes nutricionais também auxilia na irregularidade de funções orgânicas essenciais.

Uma adversidade muito discutida é o sobrepeso/obesidade. O consumo preferencial por refrigerantes, doces, “fast food”, salgadinhos e outros alimentos ultra processados auxiliam na ocorrência do excesso de peso e na desordem metabólica supracitada, que culminam no desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

Entretanto, existe outra vertente pouco explorada: a busca pelo corpo perfeito. No intuito de alcançar o corpo magro e atribuído como saudável, a população adolescente, principalmente feminina, apresenta carências nutricionais e desnutrição, que também são fatores de risco para o desenvolvimento de DCNT. No que dispõem ao sexo masculino, o almejo pelo corpo musculoso pode precipitar o uso de esteroide anabolizantes, que desregulam o funcionamento orgânico, e o alto consumo de proteínas.

Conclusão

É impreterível a instrução dos adolescentes sobre os alimentos e não somente sobre nutrientes, para ter uma prática mais aplicável dentro de cada nível socioeconômico. Um ponto importante é que, por se tratar de um período de transição, as doenças crônicas mais comuns – diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia, síndrome metabólica – não estão bem estabelecidas na população adolescente, além do fato de que não existem critérios validados que permitem avaliar, classificar e associar estas doenças com todos os demais elementos intrínsecos a essa faixa etária.

Autora: Maria Izabel de Azevedo Ferreira.

Instagram: @azevmabel


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

GAMBARDELLA AMD, FRUTUOSO MFP, FRANCH C. Prática alimentar de adolescentes. Revista de nutrição, 1999; 12(1): 55-63.

LEAL GVS, et al. Consumo alimentar e padrão de refeições de adolescentes, São Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2010; 13:457-467.

MORAIS SR, et al. Alimentação fora de casa e biomarcadores de doenças crônicas em adolescentes brasileiros. Cad Saude Publica. 2021; 37(1):e00219619. 

ROCHA NP, et al. Association between dietary pattern and cardiometabolic risk in children and adolescents: a systematic review. J Pediatr, 2017; 93(3): 214-222.

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