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Alimentação e atividade física na infância | Colunistas

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O estado nutricional na infância é fator determinante na saúde da criança e pode predizer seu prognóstico na vida adulta, sendo de extrema importância ter um conhecimento correto acerca do assunto.

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 13% das crianças brasileiras de cinco a nove anos sofrem de obesidade, apresentando aumento progressivo de casos em todas as classes sociais.

Neste artigo, veremos informações sobre recomendações nutricionais e de atividades físicas em todas as faixas etárias, e porque é tão importante manter uma vida mais saudável desde a infância.

Afinal de contas, por que o excesso de peso faz mal?

O excesso de gordura gera uma série de contínuos processos inflamatórios. Dessa forma, nosso sistema imune fica tão ocupado com isso, que lutar contra outros problemas de saúde se torna bem difícil! Mas como funciona essa inflamação?

Basicamente, nosso tecido adiposo é subdividido em tecido adiposo branco (TAB) e marrom (TAM). Hoje, sabemos que a obesidade é uma enfermidade com um baixo grau de inflamação crônica no TAB, identificada pela elevação de marcadores e citocinas inflamatórias e pela presença de macrófagos infiltrados neste local em pessoas obesas. Cerca de 40% da população celular do TAB são macrófagos, e estes são importantes secretores de fatores pró-inflamatórios e desempenham papel chave na inflamação crônica existente na obesidade.

Apesar de nem todos os mecanismos estarem esclarecidos, há evidências que esse estado inflamatório, local ou sistêmico, esteja relacionado à desordens como resistência insulínica, diabetes mellitus, hiperlipidemia, hipertensão arterial, aterogênese e, a síndrome metabólica.

Quais são as recomendações nutricionais de acordo com a idade?

0-2 anos

Dar somente leite materno até os seis meses de idade, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos! A partir de seis meses, devemos introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes), mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. Podemos introduzir a alimentação complementar da seguinte forma:

  • Até 6 meses: leite materno exclusivo
  • 6 meses completos: papa de frutas e 1ª refeição (almoço)
  • 7 a 8 meses: 2ª refeição (jantar)
  • 9 a 11 meses: gradativamente, passar para refeição da família adaptando a consistência (sempre começar com papinha)
  • 12 meses: alimentação da família (é muito importante toda a família ter uma alimentação saudável!)

Para as mães que por algum motivo não conseguem ou têm dificuldades na obtenção de leite materno, que seja naturalmente ou por ordenha, deve-se utilizar fórmulas infantis. É recomendado utilizar antes dos 6 meses fórmula infantil de partida, e a partir de então, fórmula infantil de seguimento. As fórmulas infantis devem ter gordura, carboidratos, proteínas, minerais, oligoelementos (vitaminas e microminerais), outros nutrientes e componentes como nucleotídeos, prebióticos, probióticos e LC-PUFAS.

A suplementação de ferro deve ser feita de maneira universal para lactentes a partir do sexto mês de vida ou da interrupção do aleitamento exclusivo até os dois anos de idade. A reposição de vitamina D deve ser de 400 UI/ dia por via oral para lactentes até 18 meses em aleitamento materno e que recebam fórmula infantil em volume inferior a 500 ml/dia. Sem esquecer que mesmo com a reposição, o bebê deve ter exposição solar! Pode ser feita por cerca de 4 a 5 minutos por dia, todos os dias da semana, com a criança apenas de fraldas, ou 17 minutos por dia, todos os dias da semana, com exposição apenas da face e das mãos da criança.

2 a 7 anos incompletos

Nessa faixa etária, as escolhas alimentares da criança sofrem intensas influências dos hábitos alimentares da família, por isso é tão importante que toda a família tenha uma alimentação balanceada. A fase pré-escolar (2 – 7 anos), tem uma estabilização do crescimento estrutural e do ganho de peso. Assim,há uma menor necessidade de ingestão energética quando comparada ao período de zero a dois anos e a fase escolar.

Deve-se oferecer alimentos de diferentes grupos, como cereais, tubérculos, raízes, pães e massas, distribuindo esses alimentos nas refeições e lanches ao longo do dia. Legumes e verduras sempre devem fazer parte das refeições, se possível! Frutas também são importantes, assim como o clássico arroz com feijão, todos os dias. Pode oferecer leite e derivados nos lanches, e proteína animal/vegetal nas principais refeições. Além disso, é muito importante estimular a criança a beber bastante água e suco natural de frutas durante o dia, de preferência nos intervalos das refeições, para manter uma boa hidratação.

É sempre importante lembrar que devemos evitar oferecer refrigerantes e sucos industrializados, balas, bombons, biscoitos doces e recheados, salgadinhos e outras guloseimas no dia a dia. Além disso, alimentos gordurosos e frituras devem ser evitados também; prefira alimentos assados, grelhados ou cozidos.

7 a 10 anos

A fase escolar compreende crianças de 7 anos a 10 anos incompletos e é um período comum que a criança tenha um alto gasto energético devido ao metabolismo que é mais intenso que o do adulto, além de terem uma intensa atividade física e mental. Por isso, é normal ter um apetite aumentado nessa fase. Como a alimentação nessa faixa etária já está adaptada aos costumes dietéticos da família, é importante sempre reforçar sobre a importância de uma alimentação saudável e equilibrada, pois isso irá refletir na saúde da criança e em um prognóstico (bom ou ruim) da vida adulta.

Adolescência

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, a adolescência é o período dos 12 aos 18 anos, já para a OMS e para o Ministério da Saúde, está entre 10 anos e 20 anos incompletos.

As orientações alimentares ao adolescente devem diferir daquelas realizadas às crianças mais novas e aos adultos. O próprio cálculo das necessidades calóricas para esta fase é mais complexo, porque existem diferenças conforme o estágio pubertário do indivíduo, resultando em diferentes fórmulas para se obter as necessidades, defendidas por diferentes autores. Para facilitar as orientações, aqui estará o cálculo das necessidades energéticas sugerida pelas Dietary Reference Intakes (DRI):

  • Estimativa da necessidade energética (EER) para meninos eutróficos de 9 a 18 anos de idade: EER = 88,5 – (61,9 x idade[anos]) + PA x (26,7 x peso[kg] + 903 x altura[metros]) + 25 (kcal para crescimento)

Considerando: Coeficiente de atividade física (PA): PA = 1 se sedentário PA = 1,13 se atividade leve PA = 1,26 se atividade moderada PA = 1,49 se atividade intensa

  • Estimativa da necessidade energética (EER) para meninas eutróficas de 9 a 18 anos de idade: EER = 135,3 – (30,8 x idade[anos]) + PA x (10 x peso[kg] + 934 x altura[metros]) + 25 (kcal para crescimento)

Considerando: Coeficiente de atividade física (PA): PA = 1 se sedentário PA = 1,16 se atividade leve PA = 1,31 se atividade moderada PA = 1,56 se atividade intensa

A alimentação deve ser composta por macro e micronutrientes, dentro das necessidades energéticas, de forma a proporcionar uma nutrição balanceada e adequada.

Nutriente Proporção de energia proveniente dos macronutrientes
Carboidrato 45 a 65% da energia Em relação à necessidade de fibras, recomenda-se: Sexo masculino: 9 a 13 anos: 31 g/dia                              14 a 18 anos: 38 g/dia Sexo feminino: 26 g/dia
Proteína 10 a 30% da energia
Lipídio 25 a 35% da energia
Retirada de: Weffort VR & Lamounier JA. Nutrição em Pediatria. Da neonatologia à adolescência. 2009.
Micronutriente Necessidades Alimentos (fonte)
Cálcio 1300mg/dia Leite e derivados, couve, brócolis, agrião, espinafre, alface, beterraba, cebola, batata-doce, aveia, etc.
Ferro 9 a 13 anos: 8 mg/dia 14 a 18 anos:     Sexo masculino: 15 mg/dia     Sexo feminino: 11 mg/dia Carnes vermelhas, fígado de boi, vegetais verde-escuros e leguminosas
Zinco 9 a 13 anos: 8 mg/dia 14 a 18 anos:     Sexo masculino: 11 mg/dia     Sexo feminino: 9 mg/dia Carnes, cereais integrais e leguminosas
Vitamina A 9 a 13 anos: 600 mcg/dia 14 a 18 anos:     Sexo masculino: 900 mcg/dia     Sexo feminino: 700 mcg/dia Leite, ovos, fígado
Vitamina C 9 a 13 anos: 45 mg/dia 14 a 18 anos:     Sexo masculino: 75 mg/dia     Sexo feminino: 65 mg/dia Frutas cítricas, tomate, cebola, pimentão, melão, morango, goiaba, etc.
Vitamina D 5 mcg/dia Óleo de fígado, óleo de peixes, manteiga, gema de ovo, fígado
Fonte: Weffort VR & Lamounier JA. Nutrição em Pediatria. Da neonatologia à adolescência. 2009.

Sempre quando vamos orientar o adolescente sobre sua nutrição, devemos manter uma boa relação médico-paciente, pois será essencial para o sucesso de adoção de hábitos alimentares saudáveis. Devemos estimular pequenas e progressivas mudanças, compreender as preferências do adolescente e tentar adequar o esquema alimentar a seu estilo, enfatizando sempre os aspectos positivos de uma boa alimentação.

Como é a recomendação de atividade física na infância e adolescência

A prática de exercícios físicos deve ser estimulada já na infância. Segundo Ronque e cols., a prática sistemática de atividade física na infância e adolescência aumenta a aptidão física e reduz o risco de doenças crônicas e disfunções metabólicas em idade precoce. Além disso, os hábitos aprendidos durante as fases de crescimento influenciam o estilo de vida no futuro, inclusive o comportamento em relação à alimentação e exercitação física.

As crianças devem ser estimuladas de acordo com o marco de desenvolvimento motor já atingido. Até os 5 anos de idade, as atividades físicas acabam sendo um pouco mais limitadas, já que nesse período a criança está em pleno desenvolvimento neuropsicomotor. Assim, a cada habilidade nova aprendida, devemos incentivar sempre a prática delas.

A partir dos 6 anos de idade já é o momento de iniciar uma programação de atividades físicas sistemáticas, com horários determinados e uma rotina estabelecida. Além dos exercícios físicos realizados na escola, o ideal é que a criança participe de atividades em uma “escolinha de esportes”, com exercícios variados. Incentivar esportes coletivos também é muito importante!

Weffort e cols. propõem uma tabela que simplifica as recomendações em relação à prática de atividade física para cada etapa de desenvolvimento da infância e da adolescência:

Idade (anos) Atividade
0 a 1 Pegar objetos, sentar, rolar, engatinhar, levantar, andar, estimulação da psicomotricidade, brincar na água a partir de 6 meses
2 a 6 Recreação, arremessar a um alvo, pegar ou chutar bola, pular, explorar o meio ambiente, pedalar, correr, saltar obstáculos ou degraus, subir escadas, mergulhar
7 a 12 Escolas de esportes, natação, ginástica olímpica, dança, basquetebol, futebol, voleibol, entre outros (não-competitivos)
13 a 18 Esportes competitivos

Lembrando que apesar de a prática de atividades físicas ter que ser incentivada desde cedo, é importante uma avaliação com profissional que conheça todas as peculiaridades do exercício físico durante a infância e adolescência e que respeite seus limites.

Atividade física em tempos de COVID-19

Em tempos de pandemia, sem aulas, impossibilidade por muitos de acesso ao ar livre, como fazer para as crianças que estão trancadas dentro de casa se exercitarem? Como manter a saúde física e mental dessas crianças? Vamos lá!

Se tiver de 0 a 2 anos, podemos estimular a engatinhar, andar, buscar objetos, puxar e empurrar, mover a cabeça, corpo e membros por até 180 minutos semanais. Se o bebê não estiver dormindo, sempre tentar manter ele ativo durante todo o tempo, evitando permanecer por longo período de tempo em atividades de tela (TV, tablet, celular).

Se a idade for de 3 a 5 anos, também pode mandar a rotina de 180 minutos de atividades semanais, mas é importante a participação dos pais e familiares, visto que as crianças estão com energia a todo vapor e podem estar estressadas e impacientes com o isolamento! Mantenha a circulação livre para que se possa correr, dançar, saltar, brincar de esconde-esconde, pular corda, dança das cadeiras e outras atividades que permitam movimentação. E é claro, incentivar a criança a ajudar sempre nas organizações pós brincadeiras. A atividade de tela deve ser no máximo de 2h semanais!

Agora se a faixa etária for de 6 a 19 anos, podemos incentivar exercícios físicos por 60 minutos diários ou 3 a 5 horas semanais de atividade física de intensidade moderada e vigorosa. Para isso, você tem que usar a criatividade! Qualquer atividade física que faça o coração acelerar durante o exercício está valendo (correr, pular, futebol com meia, etc). Em relação ao tempo de tela, seria importante manter as 2 horas semanais, exceto quando utilizada para realização de atividades escolares (essas não devem ser contabilizadas).

Conclusão

Com a urbanização e o aumento da violência nas grandes cidades, os hábitos de vida das crianças e adolescentes mudou muito, aumentando o tempo despendido diante de televisores, computadores ou tablets, aumentando ainda a ingestão de alimentos processados e industrializados. Além disso, o desmame precoce, a alimentação pouco balanceada e a falta de atividade física geram um ambiente propício para o sobrepeso e obesidade.

Sabe-se que a obesidade na infância e na adolescência tende a continuar na fase adulta, se não for convenientemente controlada, levando ao aumento da morbimortalidade e diminuição da expectativa de vida. Dessa forma, cabe à família sempre tentar manter um estilo de vida mais saudável e também cabe ao pediatra detectar as crianças com maior risco para a obesidade, para conseguir um controle a favor de um prognóstico mais favorável a longo prazo.

Autora: Carolina Cardoso

Instagram: @_carolccr


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

Obesidade: uma doença inflamatória

https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faenfi/article/view/6238/5371

Obesidade exógena na infância e na adolescência

http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-S305/port.asp

Contribuições das práticas alimentares e inatividade física para o excesso de peso infantil

https://www.scielo.br/pdf/rpp/v26n3/12.pdf

Atividade física e alimentação saudável serão reforçadas nesse Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil

https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/atividade-fisica-e-alimentacao-saudavel-serao-reforcadas-nesse-dia-da-conscientizacao-contra-a-obesidade-infantil/

Cartilha de Orientação Nutricional Infantil

https://ftp.medicina.ufmg.br/observaped/cartilhas/Cartilha_Orientacao_Nutricional_12_03_13.pdf

Atividade física em tempos de COVID-19? Saiba a maneira mais segura para isso

https://pediatriadescomplicada.com.br/2020/08/28/atividade-fisica-em-tempos-de-covid-19-saiba-a-maneira-mais-segura-para-isso/

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