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Alergia ao leite de vaca: como alimentar um bebê | Colunistas

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1. Definição sobre alimentação infantil

O
conhecimento sobre a alimentação da criança é essencial para uma possível
avaliação e controle adequado para o desenvolvimento desta. Diante da alimentação
saudável será possível haver maior crescimento e amplificação, assim como
otimização de órgãos, sistemas e aparelhos para uma atuação direta e indireta
sobre a prevenção de doenças.

Para
esse planejamento nutricional é necessário conhecer as limitações fisiológicas
do organismo dos lactentes. Durante os primeiros meses de vida, o trato
gastrointestinal, os rins, o fígado e o sistema imunológico encontram-se em
fase de maturação (WEFFORT et al, 2012).

 

2. Intolerância e alergia alimentar

Qualquer
reação adversa anormal, ocorrida durante ou após a ingestão do alimento, causa
intolerância ou alergia nutricional. (BRASIL, 2017)

A
alergia é uma reação adversa do componente proteico associada aos mecanismos
imunológicos, evolvendo a imunoglobulina E e/ou células linfóides T.

É
o tipo de reação mais comum em crianças de até 24 meses, referente a alergia a
proteína caseína e; a alfa-lactoalbumina e betalactoglobulina. Torna-se pouco
prevalente após essa idade e em adultos, pela boa tolerância adquirida
progressivamente nos humanos (MELLO et al,
2012).

A
intolerância é uma reação adversa que envolve a digestão, a metabolização e não
intervém no sistema imunológico do paciente. É baseado na via enzimática do
indivíduo (BRASIL, 2017).

2.1 Fisiologia da alergia à proteína do leita da vaca

A barreira mucosa gastrintestinal inclui um componente fisiológico e outro imunológico. O primeiro abrange a camada de células epiteliais com junção firme entre as mesmas. Estas são cobertas por camada de muco, dificultando a função dos antígenos, vírus e bactérias. Enzimas, sais biliares e o pH gástrico ajudam a dizimar patógenos e antígenos, na maioria dos casos.

Também são secretadas substâncias pelas células produtoras de muco do estômago e intestino que ajudam no reforço e restauração da barreira mucosa. O componente imunológico inclui o sistema imune inato (neutrófilos, macrófagos e linfócitos natural killer) e o sistema imune adaptativo (linfócitos intraepiteliais e da lâmina própria, placas de Peyer, IgA secretora e citocinas) (FILHO; SCALCO; PINTO, 2014).

É
pela imaturidade desses componentes em neonatos e lactentes jovens que resulta
em maior ocorrência de infecção intestinal e alergia alimentar nessa faixa
etária (FILHO; SCALCO; PINTO, 2014).

A
APLV pode, portanto, ser mediada por anticorpos ou por células e,
ocasionalmente, ambos os mecanismos podem estar envolvidos, com participação
dos quatro tipos básicos de reações imunológicas de Gell e Coombs: tipo I
(IgE-mediada), tipo II (reação citotoxica), tipo III (por imunocomplexos) e
tipo IV (mediada por células) (FILHO; SCALCO; PINTO, 2014).

2.2 Manifestações de diagnóstico da APVL

A
história clínica é fundamental, detalhando a idade de início dos sintomas,
tempo decorrido entre a ingestão do alimento suspeito e o início das
manifestações clínicas, quantidade do alimento ingerido, tipo de manifestações
clínicas, duração dos sintomas e reprodutibilidade dos sintomas (FILHO; SCALCO;
PINTO, 2014).

2.2.1 Sintoma Cutâneo:

Eritema
localizado ou difuso; prurido urticária; angioedema; exantema morbiliforme (SOLÉ
et al, 2018).

2.2.2. Sintoma Gastrointestinal:

Náuseas;
vômitos; diarreia; sangue nas fezes; refluxo gastrointestinal; dor abdominal (SOLÉ
et al, 2018).

2.2.3. Sintoma Respiratório:

Prurido
e sensação de garganta obstruída; edema de glote e laringe; tosse seca
irritativa; disfonia; dispneia; sensação de aperto torácico; sibilos
generalizados; estridor; hipóxia; crises de espirro; intensa congestão nasal (SOLÉ
et al, 2018).

2.2.4. Sintoma Cardiovascular:

              Dor torácica; arritmia; hipotensão;
choque (SOLÉ et al, 2018).

2.2.5 Sintoma Neurológico:

              Convulsão; sonolência; perda de
consciência (SOLÉ et al, 2018).

2.3 Diagnóstico complementar

2.3.1. Hemograma:

Auxilia
na detecção de complicações associada a ALPV, como anemias, diante de má absorção
ou perdas fecais por lesão direta ou indiretamente ao intestino delgado. Analisa-se
níveis de ferritina sérica (SOLÉ et al, 2018).

2.3.2. Investigação de sensibilização IgE específica:

Auxilia
apenas nos casos de alergias alimentares mediadas por IgE e nas reações mistas.
Realiza-se por testes cutâneos de hipersensibilidade imediata. A positividade
deve ser comprovada pela formação de pápula com pelo menos 3mm de diâmetro
médio, reação com controle positivo; solução de histamina e, ausência de pápula
com controle negativo. Não há contraindicação para realização do teste (SOLÉ et
al, 2018).

2.3.3. Teste de provocação oral:

O
método mais confiável diante da quantidade de acervo científico produzido,
introduzido desde 1970, além dos benefícios como: indicado para qualquer idade,
confirmar ou excluir uma alergia alimentar, avaliar reatividade, determinar os
alérgenos e avaliar a tolerância a alimentos em reações cruzadas. O malefício
está no tempo de execução, custo e necessidade de estrutura médica e técnica (SOLÉ
et al, 2018).

A
técnica concentra-se em exposição ao alimento na sua forma natural,
aproximadamente 2 horas após o procedimento, seguida de observação adicional
por 2 horas, ou em dia separado, antes de se concluir que há tolerância (SOLÉ
et al, 2018).

  2.4. Conduta na APVL

Baseia-se
em três pontos fundamentais:

2.4.1.Aleitamento materno

A primeira
conduta deve ser estimular a mãe a manter o aleitamento materno ou realizar a
relactação, excluindo os alimentos preparados com leite de vaca e seus
derivados da sua própria dieta (SOLÉ et al, 2018).

2.4.2.Exclusão da (s) proteina (s) alergênicas (s) da dieta

Os
alimentos que contêm proteínas do leite de vaca devem ser eliminados
completamente da dieta. Caso a exclusão desses alimentos resulte na melhora dos
sintomas, deve ser realizada sua reintrodução gradual ao longo do tempo. A
reintrodução deve ser programada com TPO (SOLÉ et al, 2018).

2.4.3. Fórmulas Infantis

As fórmulas
nutricionais utilizadas na APLV são as fórmulas infantis à base de proteína de
soja, à base de proteína extensamente hidrolisada com ou sem lactose e
específicas à base de aminoácidos livres (SOLÉ et al, 2018).

2.4.3.1. Fórmulas infantis à base de proteína de soja:

Indicadas
como primeira linha apenas para crianças de seis a vinte e quatro meses com
APLV mediadas por IgE. O uso de fórmulas infantis à base de proteína de soja
(FS) para crianças menores de seis meses, devido aos riscos de efeitos
adversos, não é recomendado pelas sociedades científicas (BRASIL, 2017).

2.4.3.2. Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas específicas à base de proteína extensamente hidrolisada:

As fórmulas
infantis para necessidades dietoterápicas específicas à base de proteína
extensamente hidrolisada (FEH) são toleradas na maioria dos casos, quase a sua
totalidade, aproximadamente 90%, em crianças menores de seis meses e em 95% das
crianças acima de seis meses. Assim, as FEH são indicadas como primeira opção
para todas as crianças até vinte e quatro meses com APLV mediadas e não mediadas
por IgE (BRASIL, 2017).

2.4.3.3. Fórmulas infantis para necessidades dietoterápicas específicas à base de aminoácidos livres:

Somente 10%
das crianças menores de seis meses e 5% das crianças acima de seis meses não
toleram FEH, sendo necessário o uso de fórmulas infantis para necessidades
dietoterápicas específicas à base de aminoácidos livres (FAA) (BRASIL, 2017).

 

2.5. Acompanhamento

As crianças que obtiverem o diagnóstico de alergia a proteína do leite
de vaca devem ser acompanhadas pela Atenção Básica e em serviços especializados
que devem conter as especialidades: Pediatria, Gastroenterologia, Nutrição e Alergologia
(BRASIL, 2017).

Autora: Natália Meneghel

 Instagram: @nataliameneghel

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