O que é medicina integrativa?
A medicina integrativa pode ser definida como a prática médica que se preocupa em oferecer um tratamento que não trata apenas a doença, mas sim o paciente como um todo.
Definição
A definição de medicina integrativa do Consórcio de Centros Acadêmicos de Saúde para Medicina Integrativa : “Medicina integrativa é a prática da medicina que reafirma a importância da relação entre o paciente e o profissional de saúde, é focada na pessoa em seu todo, é informada por evidências e faz uso de todas as abordagens terapêuticas adequadas, profissionais de saúde e disciplinas para obter o melhor da saúde e cura”.
Qual a diferença para a medicina ocidental?
Primeiramente, diferente da medicina integrativa, a medicina ocidental busca, a partir do sintoma, definir a doença, e dessa estabelecer o tratamento. Raramente nesse processo, o médico irá procurar saber qual a causa da doença e investigar todos os fatores que contribuíram para tal desfecho, como o estilo de vida do paciente, os hábitos alimentares e comportamentais e o nível de estresse que ele convive diariamente.
A medicina integrativa, por sua vez, busca contemplar o paciente como um todo, atuando e investigando em todas as variáveis que levaram ao processo da doença, ou seja, outros quesitos como o corpo, a mente e o espírito.
Além disso, ela tem como objetivo atuar na promoção da saúde, na prevenção da doença e na manutenção da capacidade inata de cura de nosso corpo. Ela prega que um problema de saúde deve ser avaliado e tratado com diferentes processos da medicina tradicional e métodos alternativos seguros, de modo que seja oferecido ao paciente com uma doença grave por exemplo, tudo que estiver ao alcance, a fim de que o processo seja vivenciado por ele com menos dor e mais conforto.
Essa medicina também defende a interdisciplinaridade dos profissionais da saúde de diversas áreas e formações, entre eles o médico, o enfermeiro, o psicólogo, o biólogo, o biomédico, o treinador físico, o massoterapeuta, entre outros. Por fim, ela promove a capacitação do paciente, fazendo que ele se torne um agente ativo na promoção da própria saúde, de modo que viva melhor mesmo estando doente, por exemplo, e que ele tenha conhecimento para realizar atitudes de autocuidado.
Qual a diferença entre medicina integrativa, alternativa e complementar?
Primeiro é importante estabelecer que alternativo é tudo que se propõe em contraposição e substituição ao convencional, ou seja, na medicina alternativa usa-se uma técnica alternativa no lugar de um tratamento médico.
Já a medicina complementar propõe o uso de terapias que buscam complementar o tratamento da medicina convencional, como, por exemplo, o uso da acupuntura para complementar um tratamento ortopédico.
A medicina integrativa tem o objetivo de integrar, ou seja, propõe uma parceria do médico e seu paciente a fim de estabelecer a manutenção da saúde.
Breve panorama histórico
No fim da década de 1970, a Organização Mundial da Saúde (OMS) criou o Programa de Medicina Tradicional, e a partir disso vem incentivando os Estados membros a formular e implementar políticas públicas com o intuito de promover a integração da Medicina tradicional e terapias complementares. No Brasil, a legitimação dessas abordagens iniciou-se na década de 1980, de modo que o acesso gratuito a práticas complementares de saúde vem crescendo e se tornando acessíveis no Sistema único de Saúde (SUS), como a acupuntura, homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia, práticas corporais da medicina tradicional chinesa, termalismo social/ crenoterapia e medicina antroposófica.

Relação médico-paciente, o que muda?
A medicina integrativa demanda que o atendimento feito pelo profissional de saúde seja mais terapêutico, com um olhar mais humanizado, independente de sua área de atuação. Mesmo já chegando no diagnóstico, é importante que o médico pergunte sobre quando os sintomas começaram a surgir, quando eles apareceram e o que o paciente fazia para se sentir melhor. Desse o modo, a construção de uma boa relação médico-paciente é essencial para que o médico possa se conectar com o seu paciente e conseguir de forma mais eficiente, conhecê-lo melhor, seu estilo de vida, suas reclamações, em qual meio ele está inserido, sua situação financeira e realidade cultural, para que consiga vê-lo de forma global, e assim investigar todos os fatores que podem ter levado a progressão da doença.
Quais as vantagens da medicina integrativa?
Mesmo que o caso do paciente seja grave, na medicina integrativa, o objetivo é trazer melhorias físicas e qualidade de vida a ele. Nesse sentido, os métodos alternativos precisam estar alinhados com a crença do paciente, seus princípios e filosofias de vida, de modo que o tratamento irá trazer alívio e esperança para ele, e assim aumentar suas chances de recuperação.
Com essa conexão do paciente com o tratamento, provavelmente fará com que ele o pratique, mesmo após já ter sido curado, com isso fazendo a manutenção do próprio bem estar e qualidade de vida. Dessa forma, o paciente começa reconhecer que ele é responsável pela própria saúde, e se torna um agente ativo para o autocuidado, e desse modo, ele pode começar a se interessar cada vez mais pelo seu bem-estar.
Como começar?
A Medicina Integrativa exige estudo e dedicação, assim como todas as áreas da saúde, mas enquanto você aprende mais sobre ela, pode começar a oferecer de forma simples um tratamento baseado nela. Quando for recomendar medicamentos e tratamentos alternativos para o seu paciente, procure considerar todas as abordagens terapêuticas, todos os profissionais de saúde e todas as disciplinas, ou seja, lembrar que o plano de tratamento deve ser algo integrado e compartilhado entre todos os profissionais de saúde envolvidos nele.
É importante também, ao falar de suas recomendações para o tratamento, explicar ao paciente o porquê aquilo é necessário, enfatizar a importância da adesão dele ao tratamento, e ensiná-lo formas e hábitos de prevenir o problema, para que ele não tenha que enfrentá-lo novamente, e comece a se tornar um agente ativo para o cuidado e promoção da própria saúde.
Autora: Fernanda Mathias Rabelo Peixoto
Instagram: @fernandamathias30
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
Medicina Integrativa-Oncologia –https://www.einstein.br/especialidades/hematologia/atendimento-consultas/medicina-integrativa#:~:text=%E2%80%9CMedicina%20Integrativa%20%C3%A9%20a%20pr%C3%A1tica,e%20o%20profissional%20de%20sa%C3%BAde.
Medicina Integrativa: entenda o que é e a sua importância-
Medicina Integrativa: entenda o que é e a sua importância (amplimed.com.br)
PORTARIA Nº 849, DE 27 DE MARÇO DE 2017-Ministério da Saúde (saude.gov.br)
Medicina integrativa / coordenador Paulo de Tarso Ricieri de Lima. – Barueri, SP : Manole, 2015. – (Série manuais de especialização / editoras da série Renata Dejtiar Waksman, Olga Guilhermina Dias Farah)
Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa e OPAS airman Acordo Marco de Cooperação Técnica-