Entenda como a aferição da pressão arterial deve ser feita, a técnica para um resultado mais preciso e algumas recomendações. Bons estudos!
A aferição da pressão arterial é uma medida importante em qualquer atendimento ambulatorial. Para que ela seja o mais fidedigna possível, uma boa técnica é fundamental. Se familiarize com a técnica e ofereça um melhor cuidado ao seu paciente!
Aferição da pressão arterial: porque fazer?
Aferir a pressão arterial de uma pessoa é medir os valores da pressão sistólica e da pressão diastólica. Através dessa medição, temos como identificar se estes níveis estão dentro dos padrões normais ou possuem alguma alteração.
Por isso, a pressão arterial é utilizada como base para o diagnóstico de doenças como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Além disso, permitir condutas terapêuticas específicas, bem como acompanhar prevalências populacionais.
Segundo o Ministério da Saúde, é recomendado que todos os cidadãos acima dos 20 anos tenha a pressão aferida pelo menos 1 vez por ano.
Contexto de aplicação da aferição da pressão arterial
A aferição de pressão arterial está inserida no cotidiano de Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios, acadêmicos e profissionais da área da saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos.
No entanto, muitos deles não conhecem as diretrizes para uma correta aferição da pressão arterial. Por isso, a técnica se torna errada ou ineficiente, prejudicando o atendimento ao paciente, assim como o seu tratamento.
Segundo o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (CRM-SP), em 2018, 69% dos médicos recém-formados não sabiam aferir corretamente a pressão arterial, o que demonstra a importância de um estudo ou revisão desse tema.
Dessa maneira, é necessário que todos os acadêmicos e profissionais de saúde tenham conhecimento das técnicas práticas, visando um melhor atendimento e conforto para o paciente. E você, sabe todas as técnicas?
O que considerar antes da aferição da pressão arterial?
Conforme as diretrizes da American Heart Association (AHA), para uma correta aferição de pressão alguns fatores devem ser levados em consideração, tais como:
- ingestão de cafeína
- Nicotina ou outro estimulante
- Atividade física há menos de 10 minutos
- Calibração correta e recente dos aparelhos
- Bexiga do paciente cheia
- Pernas cruzadas
- Falar enquanto a aferição está sendo feita.
A aferição manual, que é a mais utilizada, geralmente é feita com o estetoscópio e o esfigmomanômetro.

Antes de tudo, é necessário que o ambiente em que será feita a aferição esteja calmo e o mais silencioso possível.
Técnica de aferição da pressão arterial: como fazer?
Um passo a passo cuidadoso deve ser seguido, após as considerações acima terem sido feitas. São eles:
- Pedir ao paciente para ficar sentado diante de você, sem cruzar as pernas. É importante que ele esteja confortável, com as costas e o braço apoiados, esse último na altura do coração. Caso deitado, apoiar o braço sobre um travesseiro.
- Insira uma braçadeira (manguito) em volta do braço do paciente (sendo o esquerdo o mais utilizado), ficando cerca de 2 dedos acima da fossa cubital. Escolha um tamanho de manguito adequado para o paciente. Ainda, certifique-se de que a camisa do paciente não esteja por baixo do esfigmomanômetro.
- Palpe a artéria radial do paciente, com o 2º e 3º quirodáctilos. Comece a insuflar a pera do esfigmomanômetro até parar de sentir o pulso do paciente. Nesse momento, se atente à pressão em que o pulso para de ser sentido e desinsufle. Em seguida, posicione o estetoscópio na arterial sobre a artéria braquial, e volte a insuflar, adicionando de 20-30mmHg ao valor. Exemplo: parou de sentir a radial em 120mmHg, então insufla à 150-160mmHg.
- Comece a esvaziar o manguito bem devagar. Quando ouvir uma primeira pulsação, veja qual valor o aparelho está evidenciando, aquele valor é a pressão sistólica (pressão máxima). A partir desse momento, você ouvirá as pulsações do seu paciente. Quando o som da pulsação desaparecer completamente, veja de novo o valor que o esfigmomanômetro está mostrando, aquela é a pressão diastólica (pressão mínima).
Como interpretar os valores na aferição da pressão arterial?
Além de respeitar a técnica, é necessário que sejam feitas pelo menos duas aferições durante cada consulta com o paciente, com intervalo de pelo menos 5 minuto entre elas.
Se os valores forem mais de 10 mmHg diferentes um do outro, utilize uma média entre eles como resultado. Por fim, lembre-se de recalibrar seu aparelho todo mês para que a aferição seja mais fidedigna.
Os valores devem ser interpretados conforme as diretrizes de cardiologia. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020) estima os seguintes valores:

Ainda, as alterações da pressão arterial advir de diferentes circunstâncias, não apenas da patologia hipertensiva. Por isso, alguns tipos são previstos também na Diretriz.

Diferentes aparelhos de medição: qual é a mais precisa para a aferição da pressão?
Para a aferição manual, o aparelho utilizado é o esfigmomanômetro.
Ele é composto por uma bolsa que é inflada com ar, o manguito inflável, uma unidade de medição e um mecanismo de inflação. Para que a pressão seja aferida, é necessário que junto ao manguito seja usado um estetoscópio.
Os outros aparelhos disponíveis são os automáticos. Nesse caso, não é preciso o uso de estetoscópio. Nesse caso, as opções disponíveis são de braço, com uma braçadeira, ou de pulso. É fundamental que o aparelho esteja calibrado, e com pilhas com boa vida útil.
Dentre todos, a opção manual é a mais fidedigna. Em seguida, os aparelhos automáticos de braço. Os aparelhos automáticos de pulso, por sua vez, são os menos precisos.
Tamanho do manguito e sua importância na aferição correta da pressão arterial
É necessário que o tamanho do manguito seja adequado ao tamanho do braço do paciente, os mais comuns são os que medem 22/24 cm a 32/34 cm.
Neste item, é necessária uma maior atenção, haja vista que a maioria dos erros de aferição ocorre aqui. O tamanho ideal é apertar a braçadeira de forma que você possa colocar um dedo entre ela e o corpo do paciente.
Nos casos em que o paciente tem um tamanho do braço maior que 45 cm e você não possui o aparelho adequado, realize a aferição no antebraço.

Para crianças, deve-se fazer a medição do braço do paciente. Sobre esse valor, estimar 40%. Ao final do cálculo, o valor encontrado deve ser o mais próximo possível da largura do esfigmomanômetro. Exemplo: Braço do paciente pediátrico é 20cm. Sobre esse valor, fazer o cálculo 20×0,40 = 8cm. Assim, usar uma braçadeira de 8cm ou 10cm, o mais próximo possível desse valor.
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E aí, já sabia de tudo isso?
Para que você não se esqueça de nada, é importante anotar os pontos que você não lembrava ou que lhe chamaram atenção para melhor fixação, além do principal: colocar em prática todos esses pontos.
Depois de um tempo verá que já está executando todas as técnicas corretas de forma natural e efetiva. Lembre-se que nunca se deve negligenciar nenhuma prática na medicina, por mais simples que consumir, pois muitas dessas práticas, se mal realizadas, fazem muita diferença no atendimento ou no diagnóstico do paciente.
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Perguntas frequentes
- Porque aferir a pressão arterial?
A aferição da pressão arterial é fundamental para investigação e rastreio de doenças importantes e de descompensação hemodinâmica. - Qual aparelho é mais preciso na avaliação da pressão arterial?
O método manual, com esfigmomanômetro e estetoscópio. - Importância de usar o manguito adequado para o paciente?
A pressão arterial pode ser alterada, considerando um manguito não adequado.