Tudo o que você precisa saber sobre adenomiose focal durante a prática clínica!
A adenomiose é uma doença que costuma afetar mulheres de 35 a 45 anos, benigna e consiste em uma invasão do endométrio à musculatura do útero (miométrio).
Dessa forma, ocorre uma rotura da zona juncional, que é uma linha responsável por definir o limite entre o miométrio e o endométrio.
Assim, a adenomiose também poderá ser responsável por complicações na gravidez, causando gravidez ectópica ou aborto.
Etiologia da adenomiose focal
Não há dados na literatura sobre causas exatas para o desenvolvimento de adenomiose focal. No entanto, acredita-se que mulheres que tenham feito alguma cirurgia uterina ou tenha fatores que aumentam os níveis de estrogênio tenham uma maior prevalência da doença.
Assim, dentre os principais fatores que facilitam a ruptura da zona juncional e consequentemente podem causar adenomiose focal estão:
- Aborto espontâneo
- Endometriose Menorragia
- Curetagem por aborto
- Parto prematuro
- Hiperplasia endometrial
Fisiopatologia
A adenomiose focal ocorre quando o tecido endometrial invade o miométrio, promovendo uma resposta inflamatória crônica na área afetada. Assim, essa invasão pode resultar em espessamento do músculo uterino e formação de nódulos ou lesões, levando ao aumento do volume uterino e alterações estruturais. Dessa forma, a infiltração do miométrio provoca dor intensa, especialmente durante o ciclo menstrual, devido à dificuldade de expulsão do sangue menstrual do tecido mal posicionado.
A fisiopatologia exata da adenomiose ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que fatores hormonais e inflamatórios desempenhem papéis importantes, assim como traumas uterinos prévios (como cesarianas e curetagens).
Sinais e sintomas
Diversas mulheres atingidas por essa patologia são assintomáticas e só têm consciência do acometimento durante os exames de rotina. No entanto, é possível apresentar sintomas como:
- Dismenorreia (cólica menstrual)
- Hemorragia uterina: sangramento entre os ciclos
- Dor pélvica
- Dispareunia: dor durante a relação sexual
Contudo, a intensidade dos sintomas irá depender do grau de comprometimento uterino pelas lesões adenomióticas.
Diagnóstico
O diagnóstico poderá ser realizado através de uma anamnese e exame físico bem detalhados. Assim, no exame físico, o médico ginecologista poderá identificar o útero aumentado.
A confirmação do diagnóstico deverá ser feita por exames de imagem como:
- Ultrassonografia transvaginal
- Ressonância magnética da pelve (padrão ouro)
- Histeroscopia: permite a visualização direta da cavidade uterina bem como o recolhimento de material para biópsias endometriais
Tratamento da adenomiose focal
Existem algumas opções utilizadas para o tratamento da adenomiose focal. Contudo, os tratamentos variam de mulher para mulher, sendo uma decisão conjunta com os ginecologistas.
Dentre as opções de tratamento se tem:
- Medicamentos hormonais como pílulas anticoncepcionais e DIU hormonal
- Tratamento cirúrgico para retirado dos cistos de adenomiose
- Histerectomia (retirada total do útero)
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Referência bibliográfica
- AOKI et. al. Aplicação de dispositivo intra-uterino liberador de levonorgestrel, previamente a ciclos de fertilização in vitro, nas portadoras de adenomiose. 2006. Acesso em 9 de Junho de 2022.
- FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Adenomiose: quadro clínico e diagnóstico. 2018. Disponível aqui. Acesso em 9 de Junho de 2022.
- IPOG: medicina da reprodução. Adenomiose. 2022. Acesso em 9 de Junho de 2022.