Adenoma Hepatocelular | Colunistas

É um tipo raro de tumor benigno no fígado, é mais comum em mulheres entre 20 e 50 anos, após uma gravidez ou devido ao uso prolongado de anticoncepcional oral.
Normalmente não produz sintomas, então quase sempre são acidentalmente reconhecidos em tomografia ou ultrassom para tentar diagnosticar outro problema.
É caracterizado pelo uso de anticoncepcionais orais a longo prazo, ricos em estrogênio, uso de andrógenos esteroidais e doenças de von Geerck tipo I e III (doença de Forbes), hipertireoidismo, polipose familiar e alcoolismo crônico e obesidade.
Fatores de riscos
- Anticoncepcionais hormonais orais
- Uso de anabolizantes
- Doença do acúmulo de glicogênio
- Diabetes mellitus
- Gestação
- Mutação genética.
Características
- Proliferação monoclonal de hepatócitos
- Células ligeiramente maiores com citoplasma esteatótico ou rico em glicogênio
- Atipias celulares e mitoses são infrequentes
- Nutridas por inúmeras artérias não acompanhadas de ductos biliares
- Frequentes alterações vasculares:
- Dilatação sinusoidal
- Peliose
- Enfartes
- Hemorragias
- Hemorragias no interior dos nódulos
- Hemorragia subcapsular por rotura espontânea
- Alterações genéticas
Classificação
São classificados em 3 subtipos.
- Adenomas com inativação do HNF 1 ou Esteatótico: tipo mais comum, possui uma esteatose associada importante, e as células inflamatórias e as células de adenoma em si não são anormais. Esteatose sem inflamação e sem atipia citológica, em decorrência:
- Repressão da neoglicogênese
- Ativação da glicólise
- Ativação do ciclo do citrato
- Ativação da síntese de ácidos graxos e lipogênese
- Mutação da b-catenina: possui o maior risco de ser maligno, representa cerca de 10 a 20% dos casos. Uma mutação no gene ativador CTNNB1, que codifica a β-catenina. O uso de androgênios exógenos, as glicogenoses, e a polipose familiar, entre outros, são identificados como fatores de risco para o desenvolvimento desse subtipo de adenoma hepático. Esse subtipo é mais comum em homens. Suas características histológicas são:
- Presença de atipia citológica
- Arquitetura pseudoacinar
- Ausência de esteatose ou processo inflamatório
- Sobre-expressão de β-catenina e glutamina sintetase
- Inflamatório ou telangiectásico: aproximadamente 45 a 60% são desses subtipos, está relacionado a etilismos e obesidade. Este grupo pode ser dividido em dois, com ou sem células inflamatórias, não apresenta mutações. Características
- Presença de dilatação sinusoidal
- Presença de reação ductal, vasos distróficos e atipia citológica
- Processo inflamatório acentuado nas imediações das artérias, compreendendo diferentes categorias de células inflamatórias (supressão da IL-6 ST, codificadora da gp130): Linfócitos T (CD3), Linfócitos B (CD20) e Histiócitos
- Observa-se também:
- Esteatose (menos intensa que no subtipo 1)
- Peliose e
- Hemorragia
- Sobre-expressão da proteína sérica amilóide A2 (SAA) e
- Elevação da proteína C-reativa (PCR celular e sérica)
- Na adenomatose, observa-se:
- Elevação das transaminases
- Elevação da gama-glutamiltransferase
- Adenomas não classificáveis: não apresenta características histológicas, sua patogenia ainda é desconhecida, alguns estudos mostram uma mutação do gene beta catenina nos éxons 7-8, um baixo risco de se tornar maligno.
Sintomas
É assintomático na maioria dos casos, porém, pode apresentar dores abdominais localizada em epigástrio e hipocôndrio direito e distensão abdominal, pode ter hemorragia devido a rompimento, normalmente pelo tamanho ou trauma no fígado, em alguns casos apresentar uma massa no abdômen palpável.
Diagnóstico
Por se tratar de uma doença assintomática, na maioria das vezes, o paciente descobre em exames de rotinas, como ecografia. O melhor diagnóstico é feito por análise anatomopatológico, obtido por biopsia ou ressecção.
Ultrassonografia: aparece nódulo bem delimitada, heterogênea e com áreas de hemorragia intratumora ou áreas com necrose, podendo ser hipo, iso ou hiperecóico em relação ao parênquima hepático. Não é possível diferenciar as lesões benignas das malignas.
Tomografia: apresenta lesões nítidas e formação irregular e excessiva de vasos sanguíneos após administração de contraste. Geralmente heterogêneo devido a sangramento, necrose e fibrose.
Ressonância: é o melhor método não invasivo permitindo a identificação de componentes de necrose, esteatose e hemorragia, bem como um padrão hipervascular homogêneo. Estudo permite classificar o subtipo de adenoma, sendo ele o mais utilizado para diagnóstico.
Biópsia do tumor: apesar de ser o melhor diagnóstico não é utilizado na rotina, pois o adenoma é muito vascularizado o procedimento a hipóteses de sangramento, sendo assim usada apenas em caso de dúvida.
Tratamento
Por ser normalmente benigno, a conduta adotada é monitoramento com exames de imagens, se for maior de 5 cm com histórico de sangramento e se indicar ressecção. Em casos de mulheres com uso de anticoncepcional é aconselhado parar o medicamento e reavaliar em 6 meses, caso haja um aumento de tamanho, se indicar ressecção.
Se houver uma necessidade de ressacção, pode ser feito através de via aberta ou laparoscopia de forma menos invasiva. Em pacientes com tumores irressecáveis e múltiplos adenomas, o transplante de fígado pode ser uma opção.
Complicações
Pode se desenvolver de forma desfavorável em duas condições: sangramento e transformação maligna.
Hemorragia pode ser intra-abdominal devido à ruptura espontânea quando maior de 5 cm, por exemplo, isso acontece quando a parede de um tumor se rompe devido ao seu tamanho ou dano direto ao fígado. Quando acontece, coloca em risco a vida do paciente e deve ser um caso de urgência.
Desenvolvimento em carcinoma ocorrem em aproximadamente 5 a 7% dos casos, alguns estudos apontam o uso prolongando de anticoncepcional pode aumentar o risco de adenoma hepático, o uso por mais de 8 anos leva desenvolvimento de displasia desses adenomas.
O uso de suplementos de andrógenos em pacientes com anemia de Fanconi ou disfunção endócrina também pode aumentar o risco de tumores malignos.
Em pacientes maiores de 50 anos a glicogêneses também está relacionado com o risco de carcinoma. Lesões maiores que 6 cm também estão relacionadas à ocorrência de CHC.
Autora: Camila Luciano Gomes
Instagram: @cami_luciano
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Referências:
- Adenoma hepático: o que é, diagnóstico e tratamento – https://www.tuasaude.com/adenoma-hepatico/#:~:text=Existem%20duas%20principais%20complica%C3%A7%C3%B5es%20do,direto%20no%20f%C3%ADgado%2C%20por%20exemplo.
- ADENOMA HEPÁTICO – https://dreduardoramos.com.br/especialidades/figado/lesoes-benignas/adenoma-hepatico/
- CLASSIFICAÇÃO MOLECULAR DOS ADENOMAS HEPÁTICOS ATRAVÉS DE MARCADORES IMUNOISTOQUÍMICOS – https://accamargo.phlnet.com.br/MESTRADO/2016/AndreLGodoy/AndreLGodoy.pdf
- Adenoma hepático – https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-67202013000300012
- O que é adenoma hepatocelular? – https://drdouglasbastos.com.br/adenoma-hepatocelular/