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Adaptações do crescimento celular (hipertrofia, hiperplasia, atrofia, metaplasia) e diferenciação

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Confira um resumo completo sobre as adaptações do crescimento celular e a diferenciação!

Adaptações são alterações reversíveis em número, tamanho, fenótipo, atividade metabólica ou das funções celulares em resposta às alterações no seu meio. Portanto, por serem reversíveis diferenciam-se de lesões irreversíveis, como necrose ou apoptose. Por exemplo, a atrofia muscular por desuso pode ser revertida com fisioterapia adequada, enquanto a hiperplasia endometrial pode regredir com o controle hormonal.

Tipos de adaptações do crescimento celular

As adaptações podem ser fisiológicas ou patológicas. As adaptações fisiológicas normalmente representam respostas celulares à estimulação normal pelos hormônios ou mediadores químicos endógenos.

Já as adaptações patológicas são respostas ao estresse que permitem às células modularem sua estrutura e função escapando, assim, da lesão. Tais adaptações podem ter várias formas distintas.

Hipertrofia

A hipertrofia é um aumento do tamanho das células que resulta em aumento do tamanho do órgão, ou seja, não existem células novas, apenas células maiores, contendo quantidade aumentada de proteínas estruturais e de organelas. Isso ocorre quando as células possuem capacidade limitada de se dividir.

Ela pode ser fisiológica ou patológica e é causada pelo aumento da demanda funcional ou por fatores de crescimento ou estimulação hormonal específica.

Exemplos de hipertrofias fisiológicas:

  • Aumento na demanda funcional, vista na hipertrofia muscular estriada esquelética, no exercício físico.
  • Aumento da mama e do útero, induzido por hormônio, durante a gravidez.

Exemplos de hipertrofias patológicas:

  • Aumento cardíaco que ocorre com hipertensão ou doença de valva aórtica.
  • Hipertrofia do rim na hidronefrose.

Hiperplasia

A hiperplasia, caracterizada por aumento do número de células devido à proliferação de células diferenciadas e substituição por células-tronco do tecido, ou seja, é uma resposta adaptativa em células capazes de replicação. Ocorre simultaneamente com a hipertrofia e sempre em resposta ao mesmo estímulo.

Ela pode ser fisiológica ou patológica. Em ambas as situações, a proliferação celular é estimulada por fatores de crescimento que são produzidos por vários tipos celulares.

Tipos de hiperplasia

A hiperplasia fisiológica pode ser de 2 tipos:

  • Hormonal: exemplificada pela proliferação do epitélio glandular da mama feminina na puberdade e durante a gravidez.
  • Compensatória: na qual cresce tecido residual após a remoção ou perda da porção de um órgão. Por exemplo, quando o fígado é parcialmente removido, a atividade mitótica das células restantes inicia-se 12 horas depois, restaurando o fígado ao seu peso normal.

Já a hiperplasia patológica causada, na maioria das vezes, por estimulação excessiva hormonal ou por fatores do crescimento. Como, por exemplo, na hiperplasia endometrial pela ação do estrogênio.

Atrofia

A atrofia, caracterizada por diminuição do tamanho da célula, devido a perda de substância celular. Quando um número suficiente de células está envolvido, todo o tecido ou órgão diminui em tamanho, tornando-se atrófico. Ressalta-se que, embora as células atróficas tenham sua função diminuída, elas não estão mortas.

As causas da atrofia podem ser por:

  • Diminuição da carga de trabalho.
  • Perda da inervação.
  • Diminuição do suprimento sanguíneo.
  • Nutrição inadequada.
  • Perda da estimulação endócrina.
  • Envelhecimento.

Embora alguns desses estímulos sejam fisiológicos, como a perda da estimulação hormonal na menopausa, e outros patológicos, como a desnervação, as alterações celulares fundamentais são idênticas.

Elas representam uma retração da célula para um tamanho menor no qual a sobrevivência seja ainda possível, então um novo equilíbrio é adquirido entre o tamanho da célula e a diminuição do suprimento sanguíneo, da nutrição ou da estimulação trófica.

Mecanismos da atrofia

Os mecanismos da atrofia consistem em uma combinação de síntese proteica diminuída e degradação proteica aumentada nas células. Assim:

  • Síntese de proteínas diminui por causa da redução da atividade metabólica.
  • Degradação das proteínas celulares ocorre, principalmente, pela via ubiquitina-proteossoma.
  • A atrofia é acompanhada também pelo aumento da autofagia, que resulta no aumento do número de vacúolos autofágicos. A autofagia é o processo no qual a célula privada de nutrientes digere seus próprios componentes no intuito de encontrar nutrição e sobreviver.

Metaplasia

Metaplasia é uma alteração reversível na qual um tipo celular adulto, epitelial ou mesenquimal, é substituído por outro tipo celular adulto. Nesse tipo de adaptação celular, uma célula sensível a determinado estresse é substituída por outro tipo celular mais capaz de suportar o ambiente hostil.

Acredita-se que a metaplasia surja por uma reprogramação de células-tronco que se diferenciam ao longo de outra via, em vez de uma alteração fenotípica de células já diferenciadas.

A metaplasia pode resultar em redução das funções ou tendência aumentada para transformação maligna.

Exemplo de metaplasia:

  • Mudança escamosa que ocorre no epitélio respiratório em fumantes habituais de cigarros (epitélio ciliado para epitélio escamoso).

Importância clínica da adaptação celular

O estudo das adaptações celulares vai além da compreensão teórica. Ele tem aplicações diretas no diagnóstico, prognóstico e até na escolha terapêutica em diversas condições clínicas.

A identificação de uma hipertrofia cardíaca, por exemplo, pode indicar sobrecarga hemodinâmica, exigindo investigação de hipertensão arterial ou estenose valvar. Já a presença de metaplasia escamosa no trato respiratório pode sugerir agressões crônicas, como o tabagismo, sendo inclusive uma lesão precursora de neoplasias.

Crescimento celular e o processo de diferenciação

A diferenciação é o processo pelo qual as células tornam-se especializadas para realizar uma determinada função.

Dentre alguns dos fatores que interferem na diferenciação celular estão:

  • Patologias;
  • Inflamações;
  • Necessidades do organismo;
  • Interferência externa.

Crescimento Celular: classificação de acordo com o grau de diferenciação

Na patologia, um dos indicadores da alteração da diferenciação é o exame anatomopatológico, em que as células tumorais predominantes podem ser classificadas de acordo com seu grau de diferenciação:

  • Indiferenciadas ou pouco diferenciadas: células que perderam suas características de especialização e pouco se parecem com as células normais do organismo.
  • Moderadamente diferenciadas: células que mantêm algum grau de especialização e que têm alguma similaridade com as células normais do organismo.
  • Bem diferenciadas: células que preservam muitas características de especialização e que têm boa semelhança com as células normais do organismo.

Diferenciação celular e câncer

O grau de diferenciação das células tumorais tem implicações diretas no comportamento biológico do tumor.

Tumores bem diferenciados tendem a crescer mais lentamente e são menos agressivos, enquanto os pouco diferenciados ou indiferenciados estão frequentemente associados a maior índice mitótico, invasividade e metástase precoce.

É por isso que o estudo da diferenciação celular está presente nos principais protocolos oncológicos, seja no estadiamento, no tratamento ou na previsão de resposta terapêutica.

Portanto, ao compreender como ocorre a especialização celular e como esse processo se altera nas neoplasias, o profissional da saúde torna-se mais preparado.

Plasticidade celular: aplicações clínicas e terapêuticas

A plasticidade celular refere-se à capacidade das células de adaptarem-se a diferentes funções ou até mesmo revertê-las mediante estímulos apropriados, modificando seu fenótipo de acordo com o ambiente ou as necessidades do organismo.

Essa característica é especialmente relevante em contextos terapêuticos modernos, como na medicina regenerativa, nas terapias com células-tronco, na engenharia de tecidos e na reprogramação celular induzida por fatores genéticos ou moleculares.

Nesse contexto, a compreensão aprofundada da plasticidade é essencial para explorar estratégias que visem restaurar tecidos danificados, regenerar estruturas lesionadas ou modificar o comportamento de células patológicas, como nas doenças autoimunes, degenerativas e no câncer. Por exemplo, a possibilidade de reverter uma metaplasia ou estimular a regeneração hepática após necrose depende, em grande parte, da plasticidade do tecido envolvido e da presença de células-tronco locais ou migratórias.

Além disso, terapias que visam inibir a proliferação exagerada em uma hiperplasia ou estimular o crescimento tecidual após uma atrofia prolongada também beneficiam-se desse conhecimento.

Dessa forma, a adaptação, a diferenciação e a plasticidade celular não são apenas processos naturais fundamentais para a homeostase, mas também alvos promissores para intervenções clínicas cada vez mais precisas, personalizadas e eficazes na prática médica atual.

Autora: Kaline Cecília Castro     

Instagram: @kalinecastro


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

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Referências

  • Robbins patologia básica. 9ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
  • Brasileiro Filho, G. – Bogliolo Patologia Geral, 6a edição, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018

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