Acrocórdons: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
Os acrocórdons são pequenas lesões cutâneas benignas, bastante comuns, que podem surgir em diversas áreas do corpo, especialmente em regiões de dobras e atrito. Também conhecidos como pólipos fibroepiteliais ou “pintas de carne”, essas estruturas são motivo frequente de consultas dermatológicas, tanto por questões estéticas quanto pelo desconforto físico que podem causar.
O que são acrocórdons?
Os acrocórdons são pequenos crescimentos cutâneos pedunculados, ou seja, apresentam uma base estreita que liga a lesão à pele. São formados por tecido fibroso, colágeno e vasos sanguíneos revestidos por epitélio. Essas lesões não possuem potencial de malignização, o que as diferencia de outras lesões de pele.
Características principais:
Os acrocórdons geralmente medem entre 1 e 5 milímetros, embora algumas lesões possam crescer e atingir até 1 centímetro de diâmetro. Essas estruturas apresentam coloração semelhante à da pele adjacente, mas em alguns casos podem se tornar ligeiramente hiperpigmentadas, principalmente em áreas de atrito constante ou em indivíduos com tonalidade de pele mais escura.
Em relação à textura, sua consistência é mole e elástica, o que facilita sua manipulação e diferenciação de outras lesões dermatológicas mais rígidas ou endurecidas. A superfície dos acrocórdons tende a ser lisa, o que contribui para seu aspecto discreto, mas em algumas situações podem apresentar uma leve rugbosidade ou enrugamento, especialmente em lesões maiores ou mais antigas.

Dessa forma, esse conjunto de características – pequeno tamanho, coloração uniforme, consistência flácida e superfície geralmente lisa – é fundamental para que médicos e dermatologistas possam reconhecer e diferenciar essas lesões de outras condições dermatológicas, como nevos melanocíticos, queratoses seborréicas ou papilomas virais.
Epidemiologia e prevalência
Estima-se que cerca de 25% a 50% da população adulta desenvolva acrocórdons em algum momento da vida, com maior incidência após os 30 anos. A prevalência aumenta com a idade, sendo mais comum em pessoas com mais de 50 anos. Embora possam ocorrer em qualquer sexo, são ligeiramente mais frequentes em mulheres, principalmente após a menopausa.
Regiões mais acometidas
- Pescoço
- Axilas
- Pálpebras
- Virilha
- Área inframamária
Sinais clínicos e sintomas associados aos acrocórdons
Os acrocórdons, na maioria dos casos, são assintomáticos. Entretanto, algumas condições podem torná-los sintomáticos, especialmente quando há atrito constante com roupas ou jóias.
Principais sinais e sintomas:
- Presença de pequenos pólipos moles em áreas de dobras
- Desconforto mecânico em regiões de fricção
- Irritação ou inflamação local, especialmente se houver trauma
- Sangramento ocasional, quando há lesão acidental
Em geral, o diagnóstico é clínico e pode ser feito por exame físico. Em casos raros, uma biópsia é realizada para excluir diagnósticos diferenciais.
Fatores de risco para acrocórdons
Embora a etiologia exata dos acrocórdons não seja completamente elucidada, diversos fatores predisponentes e condições clínicas têm sido associados ao seu surgimento.
Principais fatores de risco:
- Obesidade e resistência insulínica: o excesso de peso e a síndrome metabólica favorecem a ocorrência de acrocórdons, principalmente em áreas de dobras
- Diabetes mellitus: estudos indicam uma prevalência significativamente maior de acrocórdons em pessoas diabéticas
- História familiar: existe uma predisposição genética documentada
- Alterações hormonais: gravidez e menopausa são períodos associados ao aumento da incidência
- Atrito crônico: regiões de fricção constante são mais suscetíveis
- Infecção pelo HPV: algumas pesquisas sugerem uma possível associação entre HPV e acrocórdons, especialmente em regiões de dobras.
Diagnóstico diferencial
Embora os acrocórdons sejam lesões tipicamente benignas e de fácil reconhecimento, é importante diferenciá-los de outras condições dermatológicas:
| Condição | Características |
|---|---|
| Nevos melanocíticos | Geralmente são pigmentados, com bordas mais definidas |
| Queratoses seborréicas | Lesões verrucosas, geralmente maiores e com superfície rugosa |
| Papilomas virais | Lesões associadas à infecção por HPV, muitas vezes com aspecto verrucoso |
| Neoplasias anexiais | Raras, mas podem mimetizar acrocórdons |
Quando tratar os acrocórdons?
Os acrocórdons são assintomáticos, não exigindo tratamento . Em muitos casos, eles permanecem pequenos, estáveis e sem causar qualquer incômodo ao longo da vida do paciente. Por esse motivo, a conduta expectante, com simples monitoramento clínico durante consultas de rotina, é uma abordagem aceitável, principalmente quando não há sinais de inflamação, crescimento acelerado ou alterações em sua aparência.
No entanto, existem situações específicas em que o tratamento é recomendado ou mesmo necessário. Um dos principais motivos para remover acrocórdons é o desconforto físico, principalmente quando as lesões estão localizadas em áreas sujeitas a atrito constante, como pescoço, axilas, virilha e pálpebras. Nessas regiões, o contato frequente com roupas, joias ou durante a depilação pode causar irritação recorrente, dor leve e até pequenos sangramentos.
Estética
Outro fator importante para a decisão terapêutica é a questão estética. Acrocórdons em locais visíveis, especialmente no rosto e no pescoço, podem gerar desconforto social e impacto na autoestima do paciente. Nesses casos, a remoção é realizada por motivação estética, mesmo que não haja sintomas físicos associados.
Além disso, é fundamental considerar o tratamento quando há suspeita diagnóstica. Embora o aspecto típico dos acrocórdons seja facilmente reconhecido, lesões atípicas — com crescimento acelerado, coloração muito escura, ulceração espontânea ou consistência endurecida — podem exigir investigação adicional. Nesses casos, a remoção da lesão e o envio para exame anatomopatológico são recomendados, visando descartar diagnósticos diferenciais, como neoplasias cutâneas.
Portanto, a decisão de tratar ou não um acrocórdon deve ser individualizada, levando em consideração os sintomas apresentados, a localização da lesão, as expectativas do paciente e a segurança diagnóstica. O tratamento, quando indicado, é simples e realizado em nível ambulatorial, com alta taxa de sucesso e baixo risco de complicações.
Principais tratamentos para acrocórdons
Eletrocauterização
A eletrocauterização é uma técnica amplamente utilizada para remover acrocórdons. Dessa forma, o procedimento consiste na aplicação de um eletrodo de alta frequência que cauteriza a base da lesão, levando à sua destruição controlada. Trata-se de uma abordagem rápida, realizada em ambiente ambulatorial, com alta taxa de sucesso. No entanto, o método pode causar algum desconforto, o que geralmente exige o uso de anestesia local.
Além disso, em acrocórdons maiores, existe um pequeno risco de cicatrizes ou hipopigmentação residual. Por ser eficaz e acessível, a eletrocauterização é uma das opções mais recomendadas para remoção segura dessas lesões benignas.
Crioterapia
Consiste na aplicação de nitrogênio líquido para congelar a lesão, promovendo sua necrose. É uma técnica bem estabelecida para lesões benignas cutâneas. Dentre as principais desvantagens é possível citar:
- Pode exigir múltiplas sessões.
- Formação de bolha ou crosta pós-procedimento.
Excisão com tesoura ou bisturi
A remoção cirúrgica é uma técnica eficaz, especialmente indicada para acrocórdons maiores ou atípicos. Dessa forma, após a aplicação de anestesia local, a lesão é cuidadosamente cortada rente à pele com bisturi ou tesoura cirúrgica. A principal vantagem desse método é a resolução imediata, além da possibilidade de enviar o tecido removido para exame anatomopatológico, caso haja dúvida diagnóstica.
No entanto, como desvantagens, existe um pequeno risco de cicatriz, especialmente em áreas de maior tensão ou atrito, e pode ocorrer sangramento leve, rapidamente controlado no ato cirúrgico. É um procedimento simples, seguro e amplamente realizado em consultórios dermatológicos.

Laserterapia
O laser de CO2 é uma opção moderna, eficaz e com ótimo resultado estético para remoção de acrocórdons. É um procedimento rápido e tem boa estética final. Além disso, tem um custo mais elevado e necessita de equipamento especializado.
Cuidados pós-tratamento
Após qualquer um dos procedimentos, recomenda-se:
- Higienizar a área com sabonete neutro.
- Evitar exposição solar direta.
- Não manipular crostas ou cicatrizes.
- Observar sinais de infecção, como dor, vermelhidão ou secreção purulenta.
Prevenção: é possível evitar acrocórdons?
Não existe uma forma totalmente eficaz de prevenir acrocórdons, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir sua ocorrência:
- Controle do peso corporal
- Manutenção de uma rotina de cuidados com a pele
- Evitar roupas excessivamente apertadas
- Monitorar glicemia e tratar condições metabólicas.
Conheça nossa Pós em Dermatologia!
Quer se aprofundar no cuidado com a pele e dominar técnicas essenciais para sua prática médica? Conheça nossa Pós em Dermatologia e leve sua carreira para o próximo nível!
Referências bibliográficas
- Crosta C. Skin tags: Causes, removal, and prevention. Medical News Today. Updated 2023.
Disponível em: <https://www.medicalnewstoday.com/articles/67317>. Acesso em: 1 mar. 2025. - Goldstein, B. G; Goldstein, A. B. Overview of benign lesions of the skin. UpToDate. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-benign-lesions-of-the-skin?search=Acroc%C3%B3rdons&source=search_result&selectedTitle=1~68&usage_type=default&display_rank=1. Acesso em: 1 mar. 2025.
- Gupta S, Malhotra AK. Management of skin tags: A review of different modalities. J Clin Aesthet Dermatol. 2020;13(5):25-30. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7280617/>. Acesso em: 1 mar. 2025.

