O ácido hialurônico tornou-se um dos principais compostos utilizados na medicina estética e dermatológica.
Com propriedades hidratantes e rejuvenescedoras, ele está presente em diversos procedimentos minimamente invasivos.
O que é o ácido hialurônico?
O ácido hialurônico é um polissacarídeo naturalmente encontrado no organismo humano, especialmente na pele, cartilagens e líquido sinovial. Sua principal função é manter a hidratação e elasticidade dos tecidos, pois tem alta capacidade de reter moléculas de água.
Com o envelhecimento, a produção de ácido hialurônico diminui, resultando em perda de volume, rugas e flacidez. Por isso, seu uso na medicina estética e dermatológica tem crescido consideravelmente.
Propriedades químicas do ácido hialurônico e sua aplicação na medicina
O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo de alto peso molecular, pertencente à classe dos glicosaminoglicanos (GAGs). Sua estrutura química é composta por unidades repetitivas de ácido D-glucurônico e N-acetil-D-glicosamina, unidas por ligações β-1,4 e β-1,3. Essa composição única confere ao ácido hialurônico propriedades físico-químicas excepcionais, como alta capacidade de retenção de água, viscosidade e, além disso, biocompatibilidade, tornando-o um componente essencial dos tecidos conjuntivos, epiteliais e neurais.
Uma das principais características do ácido hialurônico é sua higroscopicidade, ou seja, sua capacidade de atrair e reter moléculas de água. Assim, essa propriedade é importante para a hidratação da pele, a lubrificação das articulações e a manutenção da viscosidade do humor vítreo ocular. Dependendo de seu peso molecular, o ácido hialurônico pode desempenhar diferentes funções biológicas:
- Alto peso molecular (HMW-HA): atua na superfície da pele e dos tecidos como uma barreira protetora e hidratante, além de possuir propriedades anti-inflamatórias.
- Baixo peso molecular (LMW-HA): penetra mais profundamente nos tecidos, estimulando a produção de colágeno e promovendo efeitos regenerativos.
Assim, quimicamente, o ácido hialurônico é uma molécula aniônica, o que significa que possui carga negativa e pode interagir com proteínas e íons positivos no ambiente extracelular. Dessa forma, sua presença nos tecidos garante a homeostase e a integridade estrutural da matriz extracelular, além de modular processos inflamatórios e promover a cicatrização de feridas.
Aplicação na medicina
Na medicina, o ácido hialurônico é amplamente utilizado em diversas especialidades. Já na dermatologia e estética, é empregado como preenchedor dérmico para corrigir rugas, sulcos e perda de volume facial. Na oftalmologia, está presente em colírios lubrificantes e na cirurgia refrativa para proteção da córnea. Na ortopedia, injeta-se essa substância nas articulações para tratar osteoartrite, atuando como um lubrificante natural. Além disso, na biomedicina regenerativa, promove cicatrização e regeneração celular.
Sua biocompatibilidade e biodegradabilidade fazem do ácido hialurônico um dos biomateriais mais seguros e versáteis na prática médica. Assim, dependendo da aplicação, pode ser modificado quimicamente por reticulação (cross-linking), aumentando sua estabilidade e tempo de permanência nos tecidos, como ocorre nos preenchedores dérmicos de longa duração.
Benefícios e indicações do ácido hialurônico
Dentre os principais, é possível citar:
Hidratação
A capacidade do ácido hialurônico de reter até mil vezes seu peso em água contribui para a hidratação cutânea. Essa hidratação melhora a textura e o viço da pele, tornando-a mais radiante e elástica.
Redução de rugas e linhas de expressão
A redução de rugas e linhas de expressão com ácido hialurônico é uma das técnicas mais eficazes e procuradas para promover o rejuvenescimento facial de forma não invasiva. Com o passar dos anos, a produção natural de colágeno e ácido hialurônico pelo corpo diminui, o que leva à perda de firmeza, hidratação e volume na pele. Essa redução, combinada aos movimentos repetitivos das expressões faciais, resulta no surgimento de rugas e linhas finas, especialmente na região dos olhos (os chamados “pés de galinha”), testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos lábios.
O ácido hialurônico age preenchendo essas rugas e sulcos, restaurando o volume perdido e suavizando as linhas. O dermatologista inicia o procedimento com a avaliação detalhada do rosto, identificando as áreas que precisam de correção e escolhendo o tipo de ácido hialurônico mais adequado para o caso, já que ele pode ter diferentes densidades dependendo da finalidade.
Após a higienização da pele, pode ser aplicado um anestésico tópico para minimizar o desconforto. O ácido hialurônico é injetado com uma agulha ou cânula em pontos específicos e estratégicos das regiões afetadas. Durante o processo, o dermatologista modela o produto com leves pressões para garantir uma distribuição uniforme e um resultado natural. O objetivo é não apenas preencher as rugas, mas também harmonizar o rosto, preservando a naturalidade das expressões.
Melhora do contorno facial
Procedimentos com preenchedores de ácido hialurônico são amplamente utilizados para harmonização facial, ajudando a redefinir o contorno do rosto, aumentar a projeção do queixo e realçar a mandíbula.
Volumização labial
Além de proporcionar lábios mais volumosos e bem definidos, o preenchimento labial melhora a hidratação da região e pode corrigir assimetrias, conferindo um aspecto mais equilibrado e natural ao sorriso.
O dermatologista realiza o procedimento de forma personalizada, considerando as características faciais e os desejos do paciente.
- Higieniza-se a área dos lábios e aplica-se um anestésico tópico para reduzir o desconforto
- Em seguida, injeta-se o ácido hialurônico em pontos estratégicos da mucosa labial e do contorno, utilizando agulha fina ou cânula, de acordo com a técnica escolhida.
- A quantidade e a profundidade do produto aplicado variam conforme o objetivo do paciente, seja ele um aumento sutil ou um volume mais marcante.
Além do efeito volumizador, o ácido hialurônico retém água na região, promovendo uma hidratação profunda que confere aos lábios um aspecto mais viçoso e saudável. Dessa forma, também pode-se utilizar o preenchimento para suavizar rugas ao redor da boca, conhecidas como “código de barras”, e redefinir o arco do cupido, melhorando o contorno labial.
Correção de olheiras
A correção de olheiras com ácido hialurônico é um dos procedimentos mais procurados em consultórios dermatológicos para melhorar o aspecto cansado e escurecido da região infraorbital. As olheiras podem ser causadas por diversos fatores, incluindo predisposição genética, envelhecimento, flacidez da pele, hiperpigmentação bem como perda de volume na área abaixo dos olhos. Assim, o preenchimento com ácido hialurônico é uma solução eficaz para suavizar a transição entre a pálpebra inferior e a bochecha, reduzindo sombras e promovendo um olhar mais descansado e rejuvenescido.
O procedimento é realizado pelo dermatologista com o uso de cânula ou agulha fina, garantindo precisão e segurança na aplicação.
- Área é higienizada e pode ser aplicado um anestésico tópico para minimizar o desconforto
- Em seguida, o profissional injeta cuidadosamente o ácido hialurônico em pontos estratégicos da região infraorbital, respeitando a anatomia e as particularidades de cada paciente
- O material é distribuído de forma homogênea para garantir um resultado natural, evitando irregularidades ou excesso de volume.

O efeito do preenchimento é imediato, porém o resultado final se torna mais evidente após alguns dias, quando o produto se acomoda e eventuais edemas diminuem. Dessa forma, o ácido hialurônico utilizado é um gel biocompatível e reabsorvível, garantindo segurança ao procedimento. Os efeitos costumam durar entre 12 e 18 meses, dependendo do metabolismo individual e da técnica utilizada.
Assim, após a aplicação, recomenda-se evitar esforço físico intenso, exposição ao sol e manipulação excessiva da área tratada nas primeiras 24 horas. O preenchimento de olheiras é uma opção segura e eficaz para quem busca rejuvenescer a aparência sem a necessidade de procedimentos cirúrgicos.
Articulações
Na ortopedia, utiliza-se o ácido hialurônico na viscossuplementação para tratamento da osteoartrite. Sua injeção intra-articular reduz a dor e melhora a mobilidade, pois atua como lubrificante e amortecedor do impacto entre as cartilagens.
Possíveis efeitos colaterais do ácido hialurônico
Como qualquer substância aplicada no organismo, o uso do ácido hialurônico pode estar associado a alguns efeitos colaterais e riscos, especialmente quando não administrado corretamente.
Reações alérgicas e sensibilidade
Embora o ácido hialurônico seja biocompatível e reabsorvível, algumas pessoas podem apresentar reações adversas, como:
- Vermelhidão e inchaço na área aplicada
- Coceira e irritação
- Pequenos hematomas e sensibilidade ao toque
Esses sintomas costumam ser leves e desaparecem em poucos dias. No entanto, casos mais graves de hipersensibilidade podem ocorrer, principalmente em pacientes com histórico de alergias.

Risco de infecção
Quando aplicado sem os devidos cuidados de assepsia ou por profissionais não qualificados, o preenchimento com ácido hialurônico pode levar a infecções locais, resultando em:
- Dor persistente
- Secreção de pus
- Inflamação prolongada
Por isso, é fundamental que o procedimento seja realizado por dermatologistas ou médicos capacitados, em ambiente estéril e com produtos de qualidade.
Obstrução vascular e necrose
Um dos riscos mais sérios do preenchimento facial é a oclusão vascular, que ocorre quando injeta-se o ácido hialurônico acidentalmente em um vaso sanguíneo, comprometendo a circulação na região. Isso pode levar a:
- Palidez súbita na área tratada
- Dor intensa e progressiva
- Necrose (morte do tecido) em casos mais graves

Para evitar esse problema, o profissional deve conhecer bem a anatomia da face e utilizar técnicas seguras, como o uso de cânula em vez de agulha em determinadas regiões.
Assimetria e resultados insatisfatórios
Quando não planeja-se bem a aplicação ou há excesso de produto, o preenchimento pode causar assimetria facial, irregularidades e excesso de volume, gerando um aspecto artificial. Felizmente, pode-se evitar esse problema com a aplicação de hialuronidase, uma enzima que dissolve o ácido hialurônico rapidamente.
Formação de nódulos e granulomas
Em alguns casos, o organismo pode reagir ao ácido hialurônico formando nódulos ou granulomas, que consistem em pequenas áreas endurecidas sob a pele. Isso pode ocorrer devido a:
- Uso de produtos de baixa qualidade
- Aplicação em locais inadequados
- Reação imunológica do paciente

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Referência bibliográfica
- LUVIZUTO. E.; QUEIROZ, T. Arquitetura Facial. 1 ed. Nova Odessa: Napoleão Editora. 2019.
- REVISTA BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA. Reação tipo corpo estranho a preenchimento facial com poliamida. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 411-414, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcp/a/Y9sbRDKvKZCBXpD94hKbdBG/?lang=pt. Acesso em: 5 fev. 2025.
