Anúncio

Ácido fólico: o que preciso saber para prática médica?

mulher gravida tomando comprimido de acido folico

Índice

EXCLUSIVO PARA MÉDICOS

Primeira parcela por R$ 99

Garanta sua vaga de 2026 com o valor de 2025!

Dias
Horas
Min

Ácido fólico: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

O ácido fólico, conhecido também como vitamina B9, é uma vitamina de propriedade hidrossolúvel que desempenha papel essencial para várias funções metabólicas no organismo humano. 

Dentre seus papéis, a síntese e o reparo do DNA na formação de células sanguíneas e no desenvolvimento celular se destacam como funções importantes e que precisam ser conhecidas.

No contexto do acompanhamento gestacional, a suplementação com ácido fólico é uma das medidas que melhoram os resultados gestacionais, bem como o controle do diabetes mellitus e o cuidado com agentes teratogênicos.

Estudos mostram que o uso de suplementação com ácido fólico e de ferro em pacientes com baixa e média renda em países em desenvolvimento está associada à diminuição de taxas de baixo peso no nascimento e tamanho inferior ao esperado para idade gestacional. Quer saber mais sobre o tema? Continue lendo esta publicação.

Metabolismo e funções primárias do ácido fólico

O ácido fólico, uma vitamina do complexo B, desempenha um papel crucial no metabolismo celular, especialmente na síntese e reparação do DNA. 

Como coenzima, está envolvido na transferência de grupos metil de um composto para outro, desempenhando um papel fundamental na formação de células sanguíneas e no crescimento de tecidos.

Absorvido principalmente no jejuno e convertido em sua forma ativa (tetrahidrofolato) – responsável pelas suas ações na síntese de ácidos nucleicos e de aminoácidos como a metionina.

Funções primárias

Por conta desse mecanismo, conseguimos agrupar as funções primárias do ácido fólico. São elas:

  • Síntese de DNA e RNA (ácidos nucléicos);
  • Eritropoiese (produção dos glóbulos vermelhos);
  • Prevenção de defeitos do tubo neural aberto;
  • Atuar no ciclo da metionina e da homocisteína.

Devido a tamanha importância funcional, a deficiência do ácido fólico é uma situação que precisa ser identificada e corrigida depressa, principalmente em gestantes e mulheres na idade fértil com intenção de engravidar em breve.

A gravidez e o desenvolvimento fetal 

Durante a gestação, sabe-se que o uso do ácido fólico previne defeitos abertos do tubo neural no feto, como a espinha bífida e a anencefalia.

Para prevenir esses defeitos, deve-se recomendar o ácido fólico 1 mês antes da gestação e continuado nos 2 primeiros meses de gravidez. Além disso, não deve-se ingerir o ácido fólico em associação com outras vitaminas.

Quando ingerido com outros suplementos vitamínicos, devido ao seu metabolismo, pode ocorrer uma superdosagem que terá ação teratogênica – isto é, ser danoso ao desenvolvimento do feto.

A dose a ser orientada como prevenção dos defeitos do tubo neural é de 400 µg, de forma geral. 

Contudo, para pacientes com histórico de meningomielocele, anencefalia e em uso de medicamentos antiepilépticos/anticonvulsivos como a carbamazepina devem utilizar dose pré-concepcional de 5mg/dia. 

Riscos da falta de ácido fólico

Durante a gestação, o corpo da mulher naturalmente se torna mais carente de ácido fólico, sendo necessário realizar a reposição para suprir as demandas. Isso ocorre por alguns fatores do metabolismo do ácido fólico nesse contexto, como:

  • Diminuição da absorção;
  • Inadequação da utilização;
  • Maior demanda do organismo.

Por isso, existe uma série de riscos envolvidos quando essa vitamina está em níveis deficitários. 

A deficiência de ácido fólico pode levar a algumas condições clínicas, tais quais:

  • Anemias – principalmente a megaloblástica;
  • Má formação fetal – principalmente neurológica;
  • Aumento do risco de complicações na gravidez;
  • Aumento do risco de doenças cardiovasculares e distúrbios neurológicos.

É preciso destacar que essa deficiência é encontrada em mulheres que não consomem vegetais de folhas verdes, legumes e proteína animal.

Relação entre baixos níveis de ácido fólico e o desenvolvimento de doenças do sistema nervoso central

Baixos níveis de ácido fólico têm sido associados a distúrbios neurológicos, como depressão, demência e problemas cognitivos; além de poder aumentar o risco de acidente vascular encefálico (AVE) e doenças neurodegenerativas.

Como já falamos, o uso ajuda a evitar os defeitos do tubo neural aberto e, por isso, é tão importante que as gestantes sejam devidamente acompanhadas e informadas sobre a necessidade de seguir o plano indicado.

Quando falamos de deficiência do ácido fólico, além da forte relação com o aspecto nutricional dos indivíduos, precisamos pensar em outras possíveis causas, tais como:

  • Etilismo
  • Gemelaridade
  • Doenças inflamatórias intestinais em atividade
  • Uso de medicamentos antiepilépticos/anticonvulsivantes

Como reconhecer a deficiência de ácido fólico?

Devido a anemia megaloblástica ser a condição clínica mais associada a deficiência de ácido fólico, seus sintomas são comuns aos da anemia, incluindo:

  • Palidez;
  • Dispneia;
  • Tontura/vertigem;
  • Alterações de humor (como irritabilidade);
  • Sensação de fraqueza.

Para além desses sintomas, é possível encontrar diarreia, anorexia, perda ponderal e até depressão em casos em que a deficiência se encontra em estágio mais avançado.

Na perspectiva laboratorial, microscópicamente pode ser detectada a hipersegmentação de neutrófilos e eritrócitos jovens com volume aumentado. A eritropoiese megaloblástica é um outro achado possível.

Como tratar a deficiência de ácido fólico?

A base do tratamento para deficiência de ácido fólico é fazer a reposição desse elemento e reforçar orientações nutricionais que incluem o consumo de legumes, vegetais de folha verde e proteína animal.

A partir do uso de 1mg/dia, já é possível observar benefícios a partir do 4º dia da reposição com a normalização de plaquetas, leucócitos e reticulócitos.

Contudo, é válido ressaltar que essa reposição deve ser acompanhada ainda pela reposição de ferro de forma concomitante.

Interações medicamentosas e reações adversas

Alguns medicamentos como anticonvulsivantes, podem interferir na absorção ou na utilização do ácido fólico pelo organismo. Reações adversas podem incluir náuseas, irritabilidade, insônia e distúrbios gastrointestinais, embora sejam mais comuns em doses elevadas (acima de 15mg/dia).

Diante das reações adversas, pode ser utilizado em associação com o metotrexato na tentativa de diminuir tais efeitos.

As principais marcas informam que essa é uma substância contraindicada absolutamente para crianças menores de 12 anos de idade, sendo essa a única contra indicação conhecida até o momento.

É preciso ainda se certificar se o paciente possui intolerância ou alergia à lactose, pois alguns fabricantes incluem esse elemento no desenvolvimento do medicamento, bem como alguns corantes.

Em quadros de superdosagem, está recomendada a adoção de medidas para tratar apenas os sintomas manifestados.

São alguns medicamentos que podem reduzir a absorção do ácido fólico:

  • Ácido aminosalicílico;
  • Antiácidos;
  • Estrogênios;
  • Bloqueadores dos receptores H2;
  • Carbamazepina.

São medicamentos capazes de reduzir os níveis de ácido fólico:

  • Fenobarbital e outros antiepilépticos;
  • Primidona;
  • Aspirina;
  • Cicloserina;
  • Fenitoína;
  • Metotrexato.

Além disso, é importante saber que o uso pode provocar algumas alterações em exames laboratoriais, tais como alteração dos níveis glicêmicos, glicosúria, transaminases, ácido úrico, creatinina, bilirrubina e sangue oculto nas fezes, por exemplo.

Orientações sobre como indicar a dosagem adequada para a paciente

A dosagem varia de acordo com a idade, condições de saúde e, especialmente, num quadro de gravidez. 

Recomenda-se suplementar com 400 a 800 µg/dia para mulheres em idade fértil e em casos de intolerância ou qualquer contraindicação pode-se considerar o metilfolato.

Dessa forma, pacientes com anemia perniciosa ou deficiência de vitamina B12 podem ter dificuldade em metabolizar o ácido fólico. Sendo assim, nesses casos, a suplementação pode ser ineficaz ou até prejudicial, e a correção da deficiência de vitamina B12 é crucial.

Outro caso especial é o de mulheres com histórico de filho(s) anterior com defeito do tubo neural, pois essas devem receber doses superiores de ácido fólico – 4mg/dia, nesse contexto.

Assim, é indispensável alertar os pacientes sobre a interrupção do tratamento por contra própria e seus efeitos no retardo do tratamento da anemia megaloblástica que pode estar associada a deficiência dessa substância.

Além disso, é necessário observar alguns sintomas que podem surgir diante de uma superdosagem, como:

  • Náuseas e vômitos;
  • Distensão abdominal;
  • Flatulência; 
  • Alteração de paladar;
  • Rash cutâneo;
  • Alterações do padrão do sono e do nível de consciência;
  • Surgimento de comportamento psicótico.

Resumo rápido sobre o uso do ácido fólico

O uso do ácido fólico é recomendado como tratamento da deficiência de ácido fólico associado ou não a anemia não apenas em gestantes, mas em outras populações como adultos e idosos. 

Especialmente na gestação, essa substância é utilizada devido a seu papel preventivo em relação a defeitos do tubo neural aberto durante o período pré-concepcional e periconcepcional. 

Portanto, é muito útil para prover um ambiente adequado para o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto, especialmente no primeiro trimestre da gestação, além de reduzir complicações na gravidez.

Além disso, sua função na eritropoiese e seus benefícios para a saúde materna são outros aspectos que reforçam a importância de seu uso.

Quer se preparar para prática clínica e dominar conteúdos vitais para a saúde da mulher?

Sugestão de leitura complementar

Esses artigos também podem ser do seu interesse:

Veja também o vídeo do Dr. Pedro Caron sobre ácido fólico:

Referências

  • OLIVEIRA, r. g. d; Blackbook clínica médica: Medicamentos e rotinas médicas. 2. ed. SP: LTDA, 2014. p. 206-206/535-535.
  • ZUGAIB, Marcelo e FRANCISCO, Rossana Pulcineli Vieira. Zugaib obstetrícia. Barueri, SP: Manole, 2020.
  • Tratado de Ginecologia FEBRASGO – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.
  • HALL, Guyton &; Tratado de fisiologia médica. 13. ed. SP: Elsevier, 2017. p. 899-899.
  • BOGLIOLO; Patologia. 9. ed. RJ: Koogan, 2016. p. 378-378/1006-1006.

Compartilhe este artigo:

Minicursos gratuitos: acesse em qualquer dispositivo e inicie seus estudos

Anúncio

Curso Gratuito

+ Certificado

Prescrição de contraceptivos na prática clínica real