A utilização da ultrassonografia (USG) bidimensional como auxílio complementar para a realização do acesso venoso central têm ganhado bastante importância nos últimos anos.
A fim de complementar seu raciocínio, confira o passo a passo da realização do acesso venoso central e os tipos de ultrassonografia.
Porque usar da USG no acesso venoso central?
O seu uso confere melhor visualização da anatomia do paciente e com isso está relacionado a menor risco relativo de falha na técnica, menos tentativas de punção e menor incidência de complicações graves.
Apesar disso, o nível do benefício do uso da USG depende muito da habilidade do operador, assim como o local anatômico e a qualidade dos materiais usados.
Recomendações para o uso da USG
Para que a USG seja um auxílio seguro para a realização do acesso venoso central é importante que você se atente a algumas recomendações.
É de suma importância que o equipamento de USG esteja testado, assim como o operador deve estar devidamente treinado para a realização do procedimento.

Antes de que a punção venosa seja realizada, é importante que seja determinada a veia mais adequada para o acesso, com base em exames prévios.
Ainda, é válido ressaltar que o ultrassom que deve acompanhar o procedimento é um equipamento dinâmico, que ofereça a imagem em tempo real.

Por fim, após a canulação venosa, a ultrassonografia deve ser usada para avaliar possíveis complicações, como uma lesão arterial ou pneumotórax.
Passo a passo do acesso venoso central guiado por USG
A passagem de cateter venoso central é feita pela técnica de Seldinger, assim como no acesso sem USG, porém, com algumas especificidades relacionadas, sobretudo, ao uso do transdutor.
Preparação
- Posicionamento do paciente: o paciente fica em decúbito dorsal. Pode ser necessário posicioná-lo de acordo com o local de punção escolhido.
- Antissepsia e assepsia
- Vista uma camisa estéril no transdutor linear do USG
- Localizar a veia com o ultrassom, e verificar se ela colaba com a compressão, o que indica a ausência de trombose.
- Realizar anestesia local com xilocaína a 2%
- Preencher todas as vias do cateter com solução salina
- Localizar novamente a veia com o transdutor
Procedimento
- Preferindo a técnica transversal, mantenha a linha central do USG perpendicular à veia e introduzir a agulha pela pele. A uma distância do transdutor deve ser igual à profundidade da região central da veia.
- Após inserir a agulha, é importante angular o transdutor de forma a acompanhar a ponta da agulha, evitando perdê-la.
- Caso opte pela técnica longitudinal, manter a visualização longitudinal do vaso e inserir a agulha a mais ou menos um centímetro da latera do transdutor. Aspire para confirmar que atingiu a veia.
- Realize a punção venosa com agulha calibrosa conectada à seringa, mantendo sempre uma pressão negativa com o êmbolo da seringa.
- Quando houver refluxo de sangue, mantenha a posição da agulha e desconecte a seringa.
- Introduza o fio-guia metálico com extremidade em “J” por volta de 20 cm.
- Mantenha o fio-guia nessa posição e retire a agulha.
- Proceda à dilatação da pele e ao trajeto até o vaso com introdução do dilatador pelo fio-guia (pode ser necessária a abertura da pele com lâmina de bisturi para introdução do dilatador).
- Mantenha o fio-guia nessa posição e retire o dilatador.
- Introduza o cateter definitivo com cuidado, sem perder a extremidade distal do fio-guia.
- Retire o fio-guia.
- Lave a via (distal) com solução salina e feche o lúmen.
- Fixe o cateter com pontos, seguindo as especificações do fabricante do
dispositivo. - Faça curativo oclusivo.
- Realize a confirmação radiológica da posição adequada do dispositivo.

Possíveis complicações da USG no acesso venoso central
Em estudos do uso da ultrassonografia na realização do acesso venoso central relata-se apenas diminuição significativa das complicações inerentes ao acesso vascular, como hematomas, punção inadvertida, entre outras.
No entanto, o uso incorreto do equipamento pode prejudicar a identificação dos vasos. Uma das armadilhas mais comuns é aplicar uma grande pressão com o transdutor, o que colapsa a veia e a torna invisível. Outro ponto importante é atentar-se para a configuração adequada para a máquina.
Diante disso, é intuitivo concluir que a maior causa de uma possível complicação é um treinamento inadequado do operador, o que está associado a erros graves na técnica da punção.


Conheça a Pós em Terapia Intensiva
Quer se aprofundar nesse e em outros temas essenciais para a sua prática segura no dia a dia das Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s)? A Pós em Terapia Intensiva, com aulas online e ao vivo, além de experiências práticas, possui aprofundamento de conteúdo através da nossa metodologia drive-by-doctor, em que você é colocado na sua devida posição: a tomada de decisões.
Invista em sua carreira médica agora mesmo. Conheça a Pós em Terapia Intensiva!
Perguntas Frequentes:
1 – Quais as vantagens em usar USG para guiar o acesso venoso central?
Há menos tentativas na punção, menor índice de complicações e mais visualização das estruturas anatômicas.
2 – Qual a técnica a ser utilizada?
Devemos usar a técnica de Seldinger, com algumas modificações que envolvem o transdutor do USG.
3 – Qual cuidado devo tomar ao manipular o transdutor?
Evite pressionar demais a veia com o transdutor. Isso faz ela colabar e com isso você perde sua visualização.
{ "@context": "https://schema.org", "@type": "FAQPage", "mainEntity": [ { "@type": "Question", "name": "Quais as vantagens em usar USG para guiar o acesso venoso central?", "acceptedAnswer": { "@type": "Answer", "text": "Há menos tentativas na punção, menor índice de complicações e mais visualização das estruturas anatômicas." } } , { "@type": "Question", "name": "Qual a técnica a ser utilizada?", "acceptedAnswer": { "@type": "Answer", "text": "Devemos usar a técnica de Seldinger, com algumas modificações que envolvem o transdutor do USG." } } , { "@type": "Question", "name": "Qual cuidado devo tomar ao manipular o transdutor?", "acceptedAnswer": { "@type": "Answer", "text": "Evite pressionar demais a veia com o transdutor. Isso faz ela colabar e com isso você perde sua visualização." } } ] }
Referências
- Jeremiah J Sabado, MDMauro Pittiruti, MD. Principles of ultrasound-guided venous access. Disponível em: < https://bit.ly/3FEtzPM >. UpToDate
- Procedimentos em Emergência FMUSP, 2016.
- Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Acessos Venosos Centrais e Arteriais Periféricos – Aspectos Técnicos e Práticos. Volume 15, n° 2.
- Sociedade Paulista de Terapia Intensiva (SOPATI). Disponível em: < https://bit.ly/30LXW83 >.