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Acatisia: como identificar e tratar esse efeito extrapiramidal

Acatisia

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A acatisia é um distúrbio motor extrapiramidal frequentemente associado ao uso de medicamentos antipsicóticos. Caracteriza-se por uma sensação de inquietação interna, associada a um impulso incontrolável de se mover, o que pode prejudicar a qualidade de vida do paciente. A compreensão dos mecanismos, sintomas, diagnóstico e tratamento da acatisia é essencial para médicos, especialmente devido à sua prevalência em pacientes que utilizam antipsicóticos ou outros medicamentos que alteram a dopamina no cérebro.

O que é acatisia?

Acatisia é um efeito adverso relacionado ao uso de medicamentos que afetam o sistema dopaminérgico, em especial os antipsicóticos. Descrita como uma sensação de inquietação interna, frequentemente acompanhada de movimentos repetitivos e um desejo constante de se mover. Assim, ao contrário da discinesia tardia, que envolve movimentos involuntários, a acatisia caracteriza-se pela incapacidade de permanecer parado devido a uma sensação de agitação interna.

Essa condição pode ser um desafio tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde, já que seus sintomas podem ser facilmente confundidos com manifestações de ansiedade ou agitação. O quadro pode variar de leve a grave, e em casos mais intensos, pode resultar em incapacidade funcional significativa.

Causas e mecanismos de desenvolvimento

A acatisia ocorre principalmente devido à interferência dos antipsicóticos com os receptores dopaminérgicos no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor essencial para o controle motor, e a sua manipulação por esses medicamentos pode afetar a regulação do movimento, resultando na acatisia. Antipsicóticos típicos (de primeira geração) e atípicos (de segunda geração) são os principais responsáveis por essa condição, com os antipsicóticos típicos apresentando maior risco.

O mecanismo subjacente da acatisia está relacionado ao bloqueio da dopamina, particularmente nos receptores D2, que desempenham um papel crucial na regulação do movimento. Esse bloqueio pode resultar em um desequilíbrio nas vias dopaminérgicas e, consequentemente, na manifestação de sintomas motores. Além disso, fatores genéticos e a dose do medicamento também influenciam o risco de desenvolvimento da acatisia.

Sintomas e características clínicas da acatisia

Os sintomas da acatisia podem variar em intensidade, mas geralmente incluem:

  • Inquietação interna: a principal queixa do paciente é uma sensação de desconforto ou agitação interna, que se agrava quando ele tenta permanecer parado
  • Movimentos repetitivos: os pacientes frequentemente realizam movimentos repetitivos, como andar de um lado para o outro, balançar as pernas, ou mexer os pés constantemente. Esses movimentos podem ser sutis, mas em casos graves, podem ser extremamente notáveis
  • Dificuldade para ficar parado: o paciente sente um impulso quase incontrolável para se mover, o que pode ser exaustivo e causar distúrbios significativos na vida cotidiana
  • Ansiedade: muitas vezes, associa-se a acatisia a sentimentos de ansiedade, o que pode complicar o diagnóstico e o tratamento. A inquietação física pode ser confundida com um quadro ansioso ou agitado.

O diagnóstico de acatisia é realizado clinicamente, levando em consideração a história médica do paciente, os medicamentos em uso e as características dos sintomas apresentados.

Além disso, a utilização de escalas específicas de avaliação pode ser útil para mensurar a intensidade dos sintomas, ajudando a monitorar a progressão e a eficácia do tratamento. Essas ferramentas de avaliação complementam a análise clínica, oferecendo uma visão mais precisa e objetiva, o que contribui para um manejo mais eficaz da acatisia.

Diagnóstico da acatisia

O diagnóstico da acatisia é essencialmente clínico, mas é importante distinguir a condição de outros distúrbios que podem apresentar sintomas semelhantes, como a síndrome de restlessness leg (síndrome das pernas inquietas) e o transtorno de ansiedade. A avaliação detalhada dos sintomas, incluindo o início e a progressão da inquietação, é fundamental.

Além disso, a revisão do histórico de medicações do paciente é crucial. Pacientes que estão em tratamento com antipsicóticos, especialmente aqueles que iniciaram recentemente ou tiveram aumentos nas doses, têm maior risco de desenvolver acatisia. A presença de outros efeitos extrapiramidais, como parkinsonismo e distonia, também deve ser investigada, pois esses distúrbios podem ocorrer simultaneamente.

Exames laboratoriais e de imagem não são necessários para o diagnóstico, mas podem ser úteis para excluir outras causas potenciais dos sintomas.

Tratamento da acatisia

Deve-se abordar o tratamento da acatisia de forma multidisciplinar, levando em consideração os sintomas específicos do paciente, a causa subjacente e os riscos associados ao tratamento. Existem várias abordagens terapêuticas que podem ser empregadas para o manejo da acatisia, incluindo a modificação do regime de medicamentos, a adição de fármacos específicos e a terapêutica não medicamentosa.

Ajuste na medicação antipsicótica

O primeiro passo no tratamento da acatisia é avaliar a medicação antipsicótica do paciente. Se possível, deve-se reduzir a dose ou trocar o antipsicótico por outro com menor potencial de induzir acatisia, como os antipsicóticos atípicos (de segunda geração).

Alguns medicamentos, como a clozapina, apresentam menor risco de acatisia, sendo uma opção viável em casos de resistência aos tratamentos.

Uso de medicamentos adjuvantes

Além da modificação dos antipsicóticos, é possível utilizar medicamentos adjuvantes para aliviar os sintomas da acatisia. Alguns dos medicamentos mais eficazes incluem:

  • Beta-bloqueadores: medicamentos como o propranolol podem ser eficazes para reduzir os sintomas de acatisia, principalmente quando a inquietação é severa
  • Benzodiazepínicos: embora não seja a primeira linha, os benzodiazepínicos, como o lorazepam, podem ser úteis para reduzir a ansiedade associada à acatisia
  • Anticolinérgicos: embora frequentemente usados no tratamento de outros efeitos extrapiramidais, os anticolinérgicos como o biperideno podem ajudar a aliviar os sintomas, mas devem ser usados com cautela devido aos efeitos colaterais potenciais, como a secura da boca e a constipação
  • Agonistas da dopamina: pode-se utilizar medicamentos como a amantadina para tratar os sintomas motores, embora não sejam a primeira escolha.

Terapias não medicamentosas

Terapias não medicamentosas desempenham um papel importante no manejo da acatisia, especialmente em casos leves, quando podem complementar o tratamento farmacológico. Essas abordagens focam em reduzir os sintomas de agitação e ansiedade sem o uso de medicamentos. Técnicas como meditação e práticas de relaxamento, por exemplo, têm mostrado eficácia ao promover o controle do estresse, ajudando o paciente a alcançar um estado de calma e a melhorar o bem-estar emocional.

Além disso, a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma opção valiosa, pois auxilia o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento que podem contribuir para a ansiedade e a agitação associadas à acatisia. Outro recurso eficaz é o treinamento em habilidades de enfrentamento, que visa proporcionar ao paciente ferramentas práticas para lidar com situações de estresse e desconforto emocional, diminuindo a sensação de perda de controle e melhorando a capacidade de adaptação. Essas terapias não farmacológicas são especialmente benéficas quando aplicadas em conjunto com tratamentos convencionais, promovendo uma abordagem holística no manejo da acatisia.

Acompanhamento e monitoramento

Pacientes que apresentam acatisia devem ser monitorados regularmente, especialmente aqueles em uso contínuo de antipsicóticos. A avaliação periódica dos sintomas, ajustando a abordagem terapêutica conforme necessário, é crucial para evitar a progressão dos sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

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Referências bibliográficas

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