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Abstinência na emergência psiquiátrica: aprenda como manejar

abstinência

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Os sintomas de abstinência são causados pela interrupção ou redução abrupta do uso de alguma substância, geralmente álcool, opiodes ou estimulantes. Usualmente, estão relacionados a um consumo prévio crônico e abusivo.

Abstinência relacionada ao uso de álcool

Os sinais e sintomas de privação do álcool aparecem após 4 a 12 horas do último consumo e geralmente atingem seu pico entre 24 e 36 horas.

Abordagem

  • História clínica com avaliação de consumo, último uso, uso de outras medicações sedativas, complicações clínica e psiquiátricas e abstinência anterior;
  • Dosar alcoolemia;
  • Solicitar exames laboratoriais;
  • Monitorar funções vitais e estado de consciência.

Tratamento não farmacológico

  • Hidratação adequada;
  • Ambiente aquecido;
  • Restrição a estímulos visuais e auditivos;
  • Monitorização periódica dos sinais vitais.

Tratamento farmacológico

Abstinência relacionada aos opioides

Quadro clínico

Tratamento não farmacológico

  • Ambiente seguro;
  • Nutrição adequada;
  • A decisão de internar depende da medicação utilizada na desintoxicação e da disponibilidade de suporte social.

Tratamento farmacológico

Agonistas opioides

  • Metadona
  • Dose inicial: 15 a 20mg em 24 horas. Manter por 3 dias e retirar de 10 a 15% ao dia.
  • Utilizada em regime de internação.

Agonistas alfa 2 adrenérgicos

  • Clonidina
  • Dose: 1,2mg/dia. A dose de 0,2mg a cada 4 horas mostra-se adequada. Manter por 3 dias e depois retirar 0,2mg ao dia.
  • Risco de hipotensão e fadiga.
  • O uso da clonidina com a naltrexona promove a retirada abrupta e segura da metadona.

Antagonistas opioides

  • Naltrexona
  • Uso na terapia de manutenção para dependentes de opioides após a desintoxicação: heroína, 7 dias; metadona, 10 a 14 dias.
  • Dose: 150mg. Pode ser administrada a cada 3 dias.

Agonistas/antagonistas opioides

  • Buprenorfina
  • Reúne as propriedades da metadona e da naltrexona;
  • Doses: 2,4 a 8mg sublinguais;
  • Pode ser usada 1 vez ao dia com o intuito de bloquear os sintomas de retirada, permitindo uma retirada efetiva e confortável dos opioides.

Abstinência relacionada aos estimulantes

Quadro clínico

  • Depressão
  • Anedonia
  • Fissura pela droga
  • Aumento do apetite
  • Hipersonolência
  • Aumento do sono REM
  • Tremores
  • Calafrios
  • Cefaleia
  • Movimentos involuntários

Tratamento

  • Medidas de suporte: permitir que o paciente se alimente e durma o quanto for necessário;
  • Paciente com agitação psicomotora e distúrbios do sono: Benzodiazepínicos de curta ação podem auxiliar;
  • Medidas psicossociais e acompanhamento psiquiátrico;
  • Neurolépticos são contraindicados pois podem causar efeitos disfóricos e aumentar a fissura (craving) pela droga.

Referências

  1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  2. ASTETE DA SILVA, A.; BRAGA, M.C; PEREIRA SOUZA, M e colaboradores. Diretoria de Política de Urgência e Emergência: Protocolo de manejo das urgências. Curitiba, 2015.
  3. SADOCK, BJ; SADOCK, V; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
  4. SCHMITT, R; COLOMBO T. Programa de atualização em psiquiatria: emergências psiquiátricas. 2012;2(1): 119-164.

Créditos:

Coração vetor criado por pch.vector – br.freepik.com

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