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Abordagem do Paciente idoso durante a pandemia de COVID19 | Ligas

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Em meio ao contexto de pandemia e disseminação da
doença causada pelo COVID19, muito se tem discutido sobre políticas públicas de
saúde e também maneiras de como o Brasil poderia superar essa crise. Um dos
primeiros passos para se conhecer melhor esse problema é saber como essa doença
se comporta em meio a população, e a partir desses dados identificar quais
grupos estão mais susceptíveis a desenvolver desfechos mais graves dessa
infecção. Partindo desse pressuposto, uma realidade muito importante da população
brasileira é de que já temos uma porcentagem muito grande de idosos, e que a
tendência da análise das faixas etárias sugere que estamos passando por um
processo de envelhecimento da população.

Diante dessa realidade, entender como a COVID19, doença causada pelo novo SARS-CoV-2, se comporta nessas populações é extremamente importante para que você, estudante de medicina, médico ou outro profissional da saúde esteja bem informado sobre a atual situação de saúde da população, permitindo que você possa fazer a sua parte ao ajudar como pode, até mesmo sendo uma fonte de informação confiável para outras pessoas em tempo de crise. 

Para contribuir nesse processo, a
Academia de Medicina Geriátrica e Gerontologia de Sobral, por meio desse
projeto em parceria com a Associação Brasileira de Ligas Acadêmicas de Medicina
(ABLAM) e a editora SANAR, tivemos a oportunidade de elaborar uma breve aula
que irá abordar os pontos mais relevantes da interação entre o COVID19 e as
populações mais idosas.

1. Taxa de
Mortalidade em Idosos.

1.1
Mortalidade Geral:

No Brasil, o número de casos
confirmados e de óbitos cresce diariamente, a última atualização na data da
elaboração dessa aula (dia 20 de abril de 2020) aponta para a realidade de que
a maior parte dos casos se concentrou na região sudeste do país, sendo seguida
pelas regiões. Atualmente, já são mais de 40 mil casos confirmados em solo
nacional, com 2845 óbitos, permitindo-se deduzir uma taxa de mortalidade de
aproximadamente 7% na população Brasileira.

1.2 Mortalidade
na População de Idosos:

Segundo os dados atualizados do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe em 17 de abril de 2020 às 14h: A maior incidência de óbitos tem ocorrido na faixa etária a partir dos 60 anos, sendo que de 60 a 69 anos houveram 400 casos, de 70 a 79 anos houveram 454 casos e de 80 a 89 anos houveram 353 casos. Entre os óbitos confirmados por COVID-19, 72% tinham mais de 60 anos.

Também foi possível observar os dados que apontaram para o fato de que a cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 711 dos óbitos, seguida de diabetes (em 502 óbitos), pneumopatia (152), doença neurológica (134) e doença renal (122). Em todos os grupos de risco, a maioria dos indivíduos tinham 60 anos ou mais. Isto é, idosos com comorbidade prévia se encontram no grupo de maior incidência de infectados, tornando-os mais suscetíveis ao óbito.

Pode-se observar que o comportamento da doença em solo brasileiro
tem seguido as mesmas tendências observadas em estudos realizados internacionalmente.
A observação e interpretação dos dados levantam a necessidade de uma abordagem
mais aprofundada da saúde do idoso em solo nacional. Em um país como população em
processo de envelhecimento é especialmente importante que você, profissional da
saúde, saiba das peculiaridades e especificidades desses pacientes.

2. Grupos de Risco

A infecção
pelo SARS-CoV-2 possui gravidade variável entre diferentes pacientes, enquanto
a maioria das infecções cursa com sintomas gripais leves, alguns grupos de
risco estão mais susceptíveis a desenvolver quadros mais graves da doença, que
podem evoluir para falências respiratórias severas e possivelmente óbito. Como
já mostrando na análise dos gráficos anteriores, a população idosa se encontra
em uma situação mais propensa ao risco de desfechos fatais da doença, uma vez
que a epidemiologia de certas doenças mostra que muitas das comorbidades
associadas ao óbito são mais prevalentes em pacientes idosos, como já citado,
cardiomiopatias, pneumopatias entre outras doenças.

Atualmente,
já existe uma associação clara entre indivíduos com doenças pulmonares e os
sintomas mais graves causados pela COVID19. Indivíduos asmáticos, com DPOC ou
fumantes já possuem doenças de base que comprometem sua capacidade respiratória,
e por relação direta possuem uma tendência de desenvolver os sintomas mais
graves da doença.

Outra
doença de base altamente prevalente na população, em especial na população mais
idosa, é a Diabetes Mellitus. Evidências indicam a realidade de que indivíduos
acometidos pela DM possuem um maior comprometimento da resposta imune e estão
entre os grupos de risco mais susceptíveis a desenvolver piores desfechos da
infecção pelo SARS-CoV-2.

Entre
outras doenças de base comuns em casos graves, encontram-se as doenças
cardiovasculares e cerebrovasculares. A infecção pelo SARS-CoV-2 tem capacidade
de descompensar certas doenças crônicas previamente controladas, e gerar
quadros mais agudos por complicações de doenças altamente prevalentes como por
exemplo a insuficiência cardíaca, assim como facilitar o desenvolvimento de
outros acometimentos fatais como miocardite aguda e infarto agudo do miocárdio.

3. Manifestações
clínicas em Idosos

Devido ao
processo de envelhecimento do organismo, muitas vezes as manifestações clínicas
de doenças são diferentes na terceira idade comparando-as com outras faixas
etárias. Atualmente, a pandemia mundial causada pela infecção pelo vírus
SARS-CoV-2 infectou milhares de idosos e tem colocado em destaque esse grupo
que é considerado de risco para a doença. Esse risco pode ser explicado, por
exemplo, pela imunosenescência e pela grande prevalência de comorbidades
associadas nessa população.

Nesse
contexto, as manifestações clínicas da Covid-19 mais comuns em adultos são
febre, tosse, fadiga e escarro. Nos idosos esses sintomas também podem estar
presentes, porém se deve lembrar que devido ao envelhecimento fisiológico o
limiar da febre nessa faixa etária é alterado, fazendo com que nem sempre a
febre se manifeste na mesma intensidade que um adulto jovem. Dessa forma,
muitas vezes a infecção no idoso vai ser manifestada pela redução do nível de
consciência, sonolência excessiva, falha na memória, confusão mental, perda de
apetite e quedas, o que exige de você um olhar muito mais atento para essas
condições, assim uma atenção diferenciada do acompanhante desse idoso.

Além
disso, o sintoma de dispneia tem maior prevalência em idosos, o que pode indicar
um maior grau de severidade da doença, tornando necessária e importante uma
maior atenção às mudanças na frequência respiratória desse grupo. É necessário
que você esteja atento a essas manifestações clínicas, pois elas também possuem
valor prognóstico, pois além da maior fragilidade quanto a debilitação pelos
sintomas, os idosos tem uma maior probabilidade de desenvolver as complicações
da covid-19.

Também é
válido ressaltar que existem manifestações indiretamente relacionadas à
infecção pelo SARS-CoV-2, essas manifestações podem ocorrer como resultado do
contexto atual de pânico e do isolamento social, resultando em transtornos
psicológicos que apresentam sintomas ligados ao sentimento de abandono, solidão
e medo da morte, que podem ser identificados em pacientes com tristeza
excessiva, choros frequentes, discursos suicidas, entre outros.

4. Importância do Isolamento Social para Idosos

As
consequências da pandemia provocada pelo coronavírus ressaltaram contextos
desafiadores, como a vulnerabilidade de idosos frente a infecções virais e o
despreparo na abordagem emergencial de pacientes de faixa etária elevada. Nesse
sentido, a alta taxa de mortalidade desse grupo etário tem gerado diversas
discussões acerca de cuidados e medidas a serem tomadas para evitar a contaminação
dessas pessoas. Com isso, entidades e associações extremamente importantes,
como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de
Infectologia, defendem a importância do isolamento social como uma ferramenta
de proteção contra acometimento de idosos e de outros grupos de risco.

Para entender
a relevância dessa medida, é importante destacar o modo de transmissão do
SARS-CoV-2, que consiste, principalmente, no contato de gotículas de saliva
contaminadas com mucosas do olho, da boca e do nariz e no contato com
superfícies contendo o vírus. Portanto, uma pessoa infectada pode, rapidamente,
contaminar o ambiente em que se encontra, pondo em risco os indivíduos que
adentrem naquele local. Tal fato torna-se ainda mais preocupante quando
verificamos o intervalo de tempo que o vírus permanece em algumas superfícies,
que pode variar de horas a dias. Além disso, muitos indivíduos infectados são
assintomáticos, dificultando o controle das transmissões.

Desse modo, a
implementação do isolamento social evita aglomerações, as quais facilitam a
disseminação do SARS-CoV-2, e diminui a circulação de pessoas contaminadas em
espaços públicos. Consequentemente, a probabilidade de indivíduos pertencentes
a grupos de risco, como é o caso de idosos, entrar em contato com o vírus
diminuiria de forma considerável, fato que reduziria a sobrecarga de
estabelecimentos de saúde e a taxa de mortalidade de infectados.

Sob essa
perspectiva, o estabelecimento e a manutenção do isolamento social por um tempo
adequado é uma estratégia válida para a atual situação, fato apontado ainda por
estudos como um artigo publicado recentemente no jornal Lancet Public Health, a
prorrogação do fim do isolamento pode adiar o ressurgimento de picos. Tal
medida proporciona aos serviços de saúde mais tempo para lidar com a
superlotação decorrente da pandemia.

Vale
ressaltar que medidas de isolamento focadas apenas em grupo de risco aumentaria
o risco de idosos contraírem a doença, pois manter apenas a reclusão de grupos
vulneráveis enquanto que outras pessoas circulam em espaços públicos, mesmo
mantendo o distanciamento social, não evitaria o potencial contato de idosos
com o vírus. Além disso, uma pesquisa recente do Imperial College London
demonstrou que a implementação de medidas de mitigação (ou seja, medidas mais
brandas de isolamento) são menos eficientes no combate à transmissão da
Covid-19, quando comparadas às formas mais duras de isolamento.

Por fim, é importante lembrar que o isolamento social pode provocar diversas consequências negativas para a saúde, deixando os indivíduos mais susceptíveis a passar por momentos de forte solidão, fator que tem sido associado ao aumento do risco de problemas cardiovasculares, cognitivos, psicológicos e imunológicos. Portanto, é crucial adotar medidas que minimizem a percepção de isolamento e solidão desses indivíduos.

Veja a primeira parte da aula:

Continuando nossa aula sobre a doença causada pelo
novo Coronavírus e a saúde do idoso, iremos ressaltar outros aspectos
importantes que são comuns à maioria dos pacientes idosos. É extremamente
importante que você esteja preparado para lidar com as particularidades desses,
seja você médico, estudante de medicina ou outro profissional da saúde, é
certeza de que você em algum momento terá de que lidar com esses elementos que
serão abordados no contexto atual de pandemia. A seguir iremos abordar a
importância de peças chave da manutenção do idoso em tempos de pandemia, como a
importância do isolamento social dos idosos, e seus impactos em nível
psicológico e social, a importância da manutenção de campanhas de vacinação e,
por fim, noções de segurança e higiene em instituições de longa permanência de
idosos.

5. Complicações em Idosos

As complicações da COVID-19 podem ocorrer em quaisquer
infectados pelo vírus. Porém, o paciente idoso como integrante do chamado grupo
de risco, seja por ter mais condições de saúde subjacentes seja pela
imunossenescência natural do envelhecimento, apresenta maior risco de doença
grave. Assim, indivíduos mais velhos portadores do vírus inspiram maior
vigilância e cuidado no tratamento e acompanhamento da infecção, visando sempre
diminuir as complicações e a mortalidade.

Diante disso, iremos ressaltar as complicações
possíveis mais importantes

5.1 Pneumonia refratária:

Após 10 dias ou mais de tratamento, alguns pacientes
apresentaram exacerbação de sintomas clínicos ou achados radiológicos, não
apresentam melhora óbvia dos sintomas respiratórios (como tosse, desconforto
torácico e dispneia) depois de tratamento, não mantém temperatura corporal
normal por três dias ou mais sem uso de glicocorticóides ou antipiréticos.
Esses casos são reconhecidos como pneumonia por COVID-19 refratária e acarretam
em complicações do quadro do paciente. Outros possíveis acometimentos pulmonares
são o edema pulmonar e derrame pleural.

5.2 Síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA):

A resposta imune ao dano tecidual causado pelo vírus
pode levar à SDRA, na qual a insuficiência respiratória é caracterizada pelo
rápido início de inflamação generalizada nos pulmões. Ocorre devido a um
processo inflamatório pulmonar que induz dano alveolar difuso direto. Como
consequência, temos hipoxemia profunda. 

Quando termos SDRA? Saturação de O2<95% em ar
ambiente; cianose; sinais de desconforto respiratório ou aumento da frequência
respiratória (>30 irpm em adultos); diminuição da amplitude dos pulsos
periféricos; insuficiência aguda respiratória; alteração do nível de
consciência; febre persistente, aumento por mais de três dias ou recorrência após
48 horas.

5.3 Complicações Cardíacas:

Insuficiência cardíaca nova ou agravada, arritmia nova
ou agravada ou infarto do miocárdio também integram o grupo de possíveis
complicações.

5.4 Coagulação Intravascular Disseminada:

Coagulação intravascular
disseminada: muitos pacientes internados com pneumonia  por COVID-19 apresentaram atividade de
coagulação aumentada, marcada por concentrações aumentadas de D-dímeros. Os
mecanismos contribuintes incluem respostas sistêmicas a citocinas
pró-inflamatórias mediadoras da aterosclerose, contribuindo diretamente para a
ruptura da placa por inflamação local, indução de fatores pró-coagulantes e
alterações hemodinâmicas, que predispõem à isquemia e trombose.

6. Gerenciamento da Solidão e Estresse Provocado pelo Isolamento Social

Mesmo compreendendo a importância do
isolamento social para a manutenção da saúde de grupos de risco, sabe-se que
uma grande parte dos idosos já vivem em contextos os quais lhe impedem de ter
uma sociabilidade adequada para manutenção da sua saúde mental, dessa forma, a
situação pandêmica pode agravar problemas gerados pela solidão e estresse nessa
parcela da sociedade.

Durante esse isolamento, o
afastamento de familiares e amigos, assim como a impossibilidade de frequentar
locais de convivência como praças e bares, podem levar o idoso a se sentir em
situação de abandono, mesmo que esse entenda a urgência dessa medida de saúde.
Além disso, a circulação de ideias que relativizam a vida, com a difusão de
frases como “Não é uma pandemia tão séria, pois apenas idosos correm risco de
morrer” colocam indiretamente a vida do idoso como menos importante. A difusão
desse pensamento pode levar esses idosos a se sentirem inúteis e importantes.

Tendo isso em vista, é extremamente
importante que você saiba lidar corretamente com pacientes idosos em situação
de isolamento, de maneira a respeitar sua condição de saúde e funcionalidade. A
seguir estão algumas medidas que podem ser tomadas por profissionais de saúde
ou até mesmo acompanhantes e cuidadores de idosos para auxiliar no apoio à
saúde mental dessas pessoas. 

6.1 Espiritualidade e Crenças.

Como grande parte dos idosos possuem
espiritualidade acentuada (de acordo com o senso do IBGE, apenas 3,6% não
tinham religião definida), é fato que o afastamento deles de cultos religiosos
pode afetar seu bem-estar. Tendo isso em vista, muitos canais de televisão
estão transmitindo cultos ao vivo para manutenção da espiritualidade das
pessoas, dessa forma, pode-se apresentar aos idosos essas ferramentas, já que
são de amplo acesso. Logo é de suma importância que os idosos tirem parte do
seu dia para se sentirem conectados com sua crença, pois isso permite,
inclusive, que eles lidem melhor com situações de adversidade, como a pandemia
em questão.

6.2 Atividades Físicas.

Outro fator importante para
manutenção do bem-estar é a realização de atividades físicas, evitando ficar
somente deitados ou sentados, sempre levando em consideração a sua integridade
física, respeitando limitações. O idoso pode aproveitar o próprio espaço
domiciliar para realização de atividades físicas. Exercícios práticos, como
alongamentos, podem ser feitos facilmente em qualquer ambiente, além desses,
para pessoas que vivem em ambientes maiores, caminhadas dentro de casa são
ótimas opções para se manterem ativos.

6.3 Leitura e outras atividades de lazer

Ler livros, cozinhar, costurar,
pintar entre outros hobbies são indicados também, o importante é manter-se
ativo e com a mente sempre ocupada.

6.4 Acesso à Internet

Para idosos que tem acesso à
internet, o uso de redes sociais é um meio de amenizar a sensação de solidão,
buscando manter contato com família e amigos por meio de mensagens, ligações e
vídeo-chamadas. Também, acessando conteúdos de mídia como vídeos divertidos,
séries e filmes. Todas essas são ferramentas que amenizam a solidão e o
estresse causados pelo isolamento social.

6.5 Proteção contra excesso de Informação

Outro elemento importante para a
manutenção da saúde mental de idosos, ou até mesmo da população em geral nesse
contexto, é se proteger contra o excesso de informações em tempos de pandemia,
muitas vezes a superexposição a noticiários e jornais durante grande parte do
dia pode agravar o sentimento de angústia e impotência diante da situação em
que vivemos, por isso é importante “se desligar” um pouco para manter a própria
saúde mental.

6.6 Educação e suporte dos mais jovens

Ademais, jovens que não se encontram em
populações de risco tem papel fundamental nesse quadro, podendo oferecer ajuda
aos idosos em atividades cotidianas como fazer compras ou ensinando-os a usar
melhor as ferramentas digitais, por exemplo.

Não se pode esquecer também dos idosos
que estão em isolamento nos hospitais por conta do diagnóstico de Covid-19.
Como esses idosos não podem receber visitas, encontram-se em situação ainda
mais limitada quanto a meios de amenizar seu estresse e solidão. Uma das formas
de fazer eles se sentirem menos solitários apesar da distância é o envio de
recados escritos ou até mesmo fotografias impressas por entes queridos, por
exemplo.

É extremamente importante que os idosos
compreendam a importância das medidas de isolamento, e ainda mais, é importante
que eles entendam que não são um “peso” para a vida
das pessoas, a ajuda vem por conta do reconhecimento do quanto eles são
importantes para a nossa sociedade e, também, para auxiliar a manutenção do
isolamento social efetivo.

7. Importância da Vacinação em Tempos de Pandemia

A importância da vacinação a nível mundial e a nível
de diversos contextos históricos, como forma de prevenção e de controle de
muitas doenças, como febre amarela, rubéola, sarampo, entre outras, é
grandiosa, pois o controle e a erradicação de doenças geram impacto positivo em
sistemas de saúde de muitos países. Devido a essa grande importância, campanhas
de imunização para diversas faixas etárias são criadas visando à maior adesão
possível das vacinas existente e disponíveis, pois a alta cobertura vacinal
traz benefícios, como a melhora e o aumento da expectativa de vida. Em um
contexto atual de pandemia da COVID-19, é especialmente importante ressaltar a
importância da vacinação de doenças como a gripe, que é de extrema importância
para a manutenção de boas condições de imunidade da população.

Sabe-se que a vacinação é importante para pessoas de
qualquer faixa etária, porém existem grupos populacionais que devem ser alvos
prioritários de muitas vacinas, devido à maior probabilidade e à maior
susceptibilidade de risco de contaminação por muitos agentes infecciosos. Nesse
contexto de imunizações, os idosos devem receber uma atenção especial quando se
fala de medidas de saúde pública, pois devido as alterações imunológicas
relacionadas ao envelhecimento, o que aumenta o risco de comorbidades e de
infecções, esses idosos constituem um grupo de risco em tempos de pandemia.

Portanto, o controle ideal da vacinação dos idosos é
capaz de reduzir o risco de graves quadros infecciosos, de prevenir o
descontrole e agravamento de doenças crônicas e, consequentemente, de melhorar
a vida dessas pessoas. As vacinas são especialmente importantes para prevenir o
surto de certas doenças que estavam em condição de controle ou até mesmo erradicadas,
evitando severos impactos no sistema de saúde brasileiro.

Em tempos de pandemia, como a pandemia de COVID-19, é
importante voltar a atenção para os riscos de descontinuidade da vacinação
rotineira das pessoas, devido a importante necessidade de isolamento social,
com o intuito de evitar contaminações pelo SARS-CoV-2. Além disso, outros
fatores contribuintes para com a descontinuidade de vacinação das pessoas são
os tabus alimentados por parte da população, como a ideia de que o risco da não
vacinação é baixo, quando comparado ao período preocupante de COVID-19, ou até
mesmo ideias erradas de que as vacinas tornam as pessoas mais “propensas a
adoecerem”.

Essa descontinuação de vacinações pode favorecer o
aumento de prevalência de doenças previamente controladas, e agravar ainda mais
a situação de serviços de saúde que já enfrentam sérios problemas com a
superlotação de casos de COVID-19. Justamente por isso entidades importantes
como a OMS ressaltam a importância da elaboração de estratégias de vacinação
mesmo em contexto de isolamento, desde que realizadas de maneira compatível às
normas de segurança e isolamento locais.

Justamente por esses fatores, a situação de pandemia e
a falta de cobertura vacinal representam riscos conjuntos à saúde pública e isso
ressalta a necessidade das autoridades e dos profissionais de saúde estarem
atentos às estratégias que possam garantir a vacinação de forma segura da
população, levando em consideração os dados epidemiológicos e os riscos de cada
região e populações, bem como a estrutura do sistema de saúde de cada país.

É especialmente importante ressaltar que no contexto
atual de pandemia de COVID-19, campanhas de vacinação em massa devem ser
evitadas, em respeito às normas de segurança que preconizam a não formação de
aglomerações e o importante e distanciamento físico entre as pessoas.  

Por esse motivo, os locais utilizados e as estratégias
abordadas para a realização das vacinações deve estar de acordo com a
capacidade dos sistemas de saúde do local e com os dados epidemiológicos. É
essencial uma completa análise da atual conjuntura, medindo riscos e benefícios
para que as tomadas de decisões sejam precisas e benéficas para profissionais
de saúde e para toda a comunidade.

8. Importância da Prevenção em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI)

Dentro do contexto de grande disseminação da doença causada pelo SARS-CoV-2, parte da comunidade médica voltou
sua atenção para um grupo de pacientes de risco em condições bem específicas.
Tratam-se dos idosos institucionalizados, ou seja, aqueles que habitam
instituições de longa permanência do idoso (ILPI). Essas instituições existem
com o intuito de abrigar idosos que, por falta de suporte familiar ou
comprometimento funcional, são incapazes de cuidar de si próprios. Grande parte
desses idosos geralmente estão em condições de fragilidade, ou com idade muito
avançada, acamados, com múltiplas comorbidades e doenças crônicas altamente
incapacitantes como demências ou distúrbios de marcha, o que os tornam
incapazes de exercer suas atividades de vida diária, sendo dependentes das
ações dos cuidadores.

Justamente por isso torna-se necessário ressaltar a importância do
risco que essa população específica está submetida, pois suas condições de
vida, moradia e convívio os tornam extremamente vulneráveis à infecção pelo SARS-CoV-2, da mesma maneira estão muito mais
propensos a desenvolverem as formas mais graves dessa doença, com maior
possibilidade de desfechos fatais. A propagação do vírus nesses ambientes é
excepcionalmente preocupante pois esses idosos muitas vezes convivem em contato
próximo com os outros habitantes das ILPI, como outros idosos, seus cuidadores,
profissionais da saúde e funcionários em geral. Dessa forma, esse ambiente
favorável a infecção torna necessária a existência de normas de biossegurança
específicas que devem ser conhecidas por você, médico, enfermeiro, cuidador,
estudante da área da saúde ou outro profissional que frequente essas
instituições.

Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
(SBGG) emitiu uma nota com recomendações de segurança e higiene para
Instituições de Longa Permanência do Idoso, que serão abordadas brevemente a
seguir.

Antes de mais nada, é preciso ressaltar a importância de todos aqueles
que trabalham nas ILPI devem ser assistidos de equipamentos de proteção
individual (EPIs) adequados e materiais de limpeza que permitam uma boa
manutenção das condições sanitárias das instituições. É excepcionalmente
importante suspender todo tipo de “visita” que possa ocorrer durante o período
de isolamento, e fazer um manejo inteligente do fluxo de pessoas, para garantir
o mínimo de contato possível, assim como garantir um local de isolamento para
aqueles idosos que apresentarem sintomas gripais.

Pacientes que estiverem com sintomas respiratórios devem
permanecer isolados em condições ideais de ventilação e deve ser reduzido ao
mínimo seu trânsito por outras áreas da instituição, com intuito de diminuir
seu contato com outros idosos e profissionais sujeitos ao risco de infecção.
Quando o contato for inevitável deve-se observar as recomendações de distância
mínima de 2 metros entre as pessoas presentes no ambiente. Recomenda-se que o
idoso em condição de isolamento respiratório deva permanecer nesse estado por
pelo menos 14 dias, e não há necessidade de encaminhar esse idoso a outro
serviço de saúde caso não haja agravamento da sua condição de saúde.

Outro ponto extremamente importante está na disponibilidade de
locais onde qualquer pessoa que chegar à instituição possa realizar a higiene
adequada das mãos, assim como pontos com dispensadores de solução de Álcool a
70% em locais estratégicos, a higiene das mãos deve ser realizada antes e
depois do contato com qualquer paciente, mesmo que luvas tenham sido usadas,
elas devem ser descartadas.

O uso de EPI deve ser feito de maneira adequada, com máscaras
cirúrgicas ou lenços, reservando as máscaras N95 para profissionais da saúde em
contato direto com os idosos. Deve-se tomar cuidado especial com pessoas com
cabelos compridos, que devem prender os cabelos ao entrar na instituição e uso
de adereços como anéis que não é recomendado. Profissionais da saúde que vão
entrar em contato com idosos com sintomas respiratórios devem estar devidamente
equipados com equipamentos de proteção como máscara, gorro, óculos luvas e
avental descartável. Qualquer caso suspeito de infecção pelo SARS-CoV-2 deve ser obrigatoriamente notificado.

É sempre importante ressaltar a importância do isolamento desses
pacientes para que se possa tentar manter sua saúde em tempos difíceis, e
somente respeitando-se as normas de segurança e higiene é possível reduzir os
impactos dessa doença em uma população de risco vulnerável.

Por fim, ressaltamos a importância de se discutir a saúde do idoso em geral, com todos os pontos abordados, pois trata-se de uma parcela importante da população que deve ter sua saúde assistida de todos os meios possíveis para que sua vida possa ser preservada com qualidade, funcionalidade e saúde.

Confira a segunda parte da aula:

Liga:
Academia de Medicina Geriátrica e Gerontologia de Sobral

Sigla:
AMGGES

Instagram:
@amgges

Facebook:
https://www.facebook.com/amgges

Autores:

  • Gustavo Pessoa Pinto (Presidente)
  • Francisca Thalia Magalhaes Rodrigues
  • Débora Fontenele Alves
  • Amanda Beatriz Sobreira de Carvalho
  • Andressa Maria Guedes Lemos
  • Ana Rebeca Sousa de Freitas
  • Ivna Vasconcelos de Oliveira
  • Patrick Gonçalves de Oliveira
  • Cândido Rodrigues Maia Neto

Professor
Orientador:
Doutor Hiroki Shinkai

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