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Abordagem da Atenção Básica as pessoas com vida sexual ativa e ISTs | Colunistas

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A sexualidade é definida como uma questão essencial do ser humano, que contempla sexo, identidades e papéis de gênero, orientação sexual, intimidade e reprodução, sendo influenciada por uma relação de aspectos biológicos, psicológicos, socioeconômicos, dentre outros.

Nesse contexto, a escuta ativa e a promoção de um ambiente favorável ao diálogo sobre as práticas sexuais devem estar presentes na rotina dos serviços de saúde. Essa abordagem possibilita vínculos a Atenção Básica e facilita a adesão às estratégias ofertadas pelos profissionais de saúde.

Considerando essa percepção e preceito, faz-se necessária a abordagem do
cuidado sexual, em que a oferta exclusiva de preservativos não é suficiente para garantir os diversos aspectos da saúde sexual. Assim, torna-se fundamental a ampliação da perspectiva para avaliação e gestão de risco, além das possibilidades que compõem a Prevenção Combinada que remete à conjugação de diferentes ações de prevenção às IST, ao HIV e às hepatites virais e seus fatores associados.

Nessa perspectiva, a Atenção Primária em Saúde tem o objetivo de expandir o significado do termo “sexo seguro”, uma vez que sua associação apenas ao uso exclusivo de preservativos é muito restrita. Assim, outras medidas de prevenção são importantes e complementares para uma prática sexual segura, como as apresentadas a seguir:

  • Usar preservativo;
  • Imunizar para HAV, HBV e HPV;
  • Conhecer o status sorológico para HIV da(s) parceria(s) sexual(is);
  • Testar regularmente para HIV e outras IST;
  • Realizar exame preventivo de câncer de colo do útero (colpocitologia oncótica);
  • Realizar Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Pós-Exposição (PEP), quando indicado;
  • Conhecer e ter acesso à anticoncepção e concepção;

Atividade sexual dos adolescentes

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram o início precoce da vida sexual, com pouco uso de preservativo. Portanto, é essencial destacar que a prática sexual faz parte dessa fase da vida, e que ela pode ser desejada e vivenciada sem culpas, com informação, comunicação, prevenção e exercício do livre arbítrio.

Adolescentes e jovens constituem um grupo populacional que exige novos
modos de produzir saúde. Na adolescência, a sexualidade se manifesta em diferentes e surpreendentes sensações corporais, em desejos ainda desconhecidos e em novas necessidades de relacionamento interpessoal, preocupação e curiosidade.

Nesse contexto, valores, atitudes, hábitos e comportamentos estão em processo de formação e solidificação e, em determinadas conjunturas, podem tornar esse segmento populacional vulnerável.

Atividade sexual na gestação

As relações sexuais na gravidez não oferecem risco à gestação. A atividade sexual durante o terceiro trimestre da gravidez não está relacionada a aumento de prematuridade e mortalidade perinatal.

Entretanto, é importante considerar a possibilidade de contrair IST que prejudiquem a gestação ou que possam ser transmitidas verticalmente, causando aumento da morbimortalidade tanto para a gestante quanto para o concepto.

Infecções sexualmente transmissíveis (IST’s)

HIV

A infecção pelo HIV envolve diversas fases, com durações variáveis, que dependem da resposta imunológica do indivíduo e da carga viral. A primeira fase da infecção (infecção aguda) é o período do surgimento de sinais e sintomas inespecíficos da doença, que ocorrem entre a primeira e terceira semana após a infecção.

A fase seguinte (infecção assintomática) pode durar anos, até o aparecimento de infecções oportunistas (tuberculose, neurotoxoplasmose, neurocriptococose) e algumas neoplasias (linfomas não Hodgkin e sarcoma de Kaposi).

Sífilis

Tem como agente etiológico o Treponema pallidum. As infecções geralmente são assintomáticas, depende de quantidade de bactérias. A fase inicial é o cancro duro, que cicatriza espontaneamente e desaparece, pode evoluir para sífilis secundária (infiltram na corrente sanguínea) e cursa com lesões cutâneas que persistem até 6 meses e passam para fase latente.

A depender do hospedeiro, pode evoluir para sífilis terciária, com lesão de qualquer órgão (lesões sistêmicas), principalmente cardiovasculares (endarterite) e SNC (neurosífilis). 

Hepatites

As hepatites virais causadas pelos vírus hepatotrópicos (vírus das hepatites A, B, C, D ou Delta e E) são doenças causadas por diferentes agentes etiológicos, que têm em comum o tropismo primário pelo tecido hepático e que constituem um enorme desafio à saúde pública em todo o mundo.

Rastreamento de IST’s

O rastreamento é a realização de testes diagnósticos em pessoas assintomáticas a fim de estabelecer o diagnóstico precoce (prevenção secundária), com o objetivo de reduzir a morbimortalidade do agravo rastreado.

Um dos papeis primordiais da Atenção Básica é o seguimento e rastreamento de infecções sexualmente transmissíveis, visto que os principais fatores de risco para IST são práticas sexuais sem preservativos e baixa idade.

Dentre as infecções sexualmente transmissíveis, tem-se HIV, sífilis e hepatites, além de bactérias causados de corrimento vaginal e cervical com a C. trachomatis e N. gonorrherae. Desse modo, é de extrema importância fazer o rastreamento de acordo aspectos individuais de cada indivíduo. Abaixo segue um quadro do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DCCI) Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) referente a essa investigação.

Tabela

Descrição gerada automaticamente
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Referências:

  • Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  • Cuidando de Adolescentes: Orientações básicas para a saúde sexual e a saúde reprodutiva/ Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção em Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
  • Guia Instrucional Viva Melhor Sabendo/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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