Saúde mental dos estudantes de medicina nos últimos 5 anos | Colunistas

  • abril 11, 2021
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A saúde mental dos estudantes de medicina passou a ser um assunto recorrente nos últimos 5 anos, apresentando, em vista, altos índices de ansiedade, depressão, suicídio e outros transtornos mentais dentre os universitários. Tais índices correlacionam-se com a exposição a várias fontes de estresse como privação de sono, rigor acadêmico, autoexigência, e a forma com a qual os estudantes lidam com essas situações.

Assim sendo, é profundamente importante a discussão de tal temática, uma vez que, comprovado, o estresse afeta as funções fisiológicas e cognitivas, logo, compromete o aprendizado e a qualidade de vida dos estudantes. Diante disso, o artigo abordará uma análise de dados e referências, a fim de esclarecer sobre a saúde mental dos universitários de medicina  e a prevalência de transtornos mentais entre esses acadêmicos.

Saúde Mental

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe uma definição oficial para o conceito de saúde mental. O termo relaciona-se à forma como uma determinada pessoa reage às mudanças, desafios e exigências da vida e a maneira com a qual harmoniza suas ideias e emoções.

Diversos fatores institucionais e pessoais podem influenciar negativamente a saúde mental dos estudantes de medicina. Dentre eles podem ser citados: elevada grade curricular, alto nível de estresse, privação de sono, pressão acadêmica por meio da competitividade entre os universitários, dificuldades financeiras, autoexigência, dificuldade em conciliar atividades físicas e lazer, e limitações. Assim, a forma com a qual os estudantes lidam com a exposição a essas várias fontes de estresse propicia ao desenvolvimento de transtornos psíquicos.

Ansiedade

A ansiedade é um sentimento impreciso e desagradável de medo e/ou apreensão, caracterizado por desconforto ou tensão decorrente da antecipação de perigo, algo estranho ou desconhecido. Tal sentimento pode ser visto por 2 vertentes, a primeira refere-se a ansiedade fisiológica, aquela que sentimos no dia –a dia, o frio na barriga, por outro lado, a segunda relaciona-se ao exagero, ansiedade e medo em demasia é reconhecido como ansiedade patológica, a mesma vai começar a interferir na qualidade de vida, desempenho diário do indivíduo e no seu conforto emocional.

O Brasileiro é o povo mais ansioso do mundo, de acordo com a OMS, sendo em sua maioria jovens. São diversos os fatores que desencadeiam a ansiedade patológica nos universitários de medicina, segundo o artigo “Por que se preocupar com a saúde mental dos estudantes de medicina”, a ansiedade é desencadeada antes mesmo do estudante ingressar na universidade, devido, a alta carga de estresse pré-universidade relacionada à concorrência do processo seletivo de medicina.

Ainda sobre o artigo, a pesquisadora Fernanda Mayer expôs através da sua pesquisa realizada com 1.350 alunos distribuídos em 22 universidades sendo elas públicas e privadas, o índice de ansiedade nos universitários de medicina, o qual revela um total de 81,7% correspondente a alunos que apresentaram ansiedade em algum momento da sua graduação, tendo como fator principal, a carga de horário excessiva do curso.

Bem como, o artigo “Saúde mental dos estudantes de medicina brasileiros” (2020) obteve índices de ansiedade a partir de uma pesquisa com 355 alunos do Rio de Janeiro, avaliado em 41,4%,e ansiedade acompanhada de depressão em 7,0%. Da mesma forma, um estudo realizado no Rio Grande do Norte com 279 alunos revelou um índice de 66,3% ,o qual, relaciona-se ao estresse.

Depressão e Ideação Suicida

A depressão foi designada pela OMS como a quarta principal causa de incapacidade em todo o mundo (MOUSA et al., 2016). Sendo suas causas multifatoriais, associadas à disfunção de neurotransmissores, dentre eles a serotonina, dopamina e noradrenalina, condições genéticas, comportamentais e ambientais, e é caracterizada por uma série de sintomas. A prevalência de sintomas depressivos em universitários de medicina possui ampla variação, entre 13,9% e 79% (CYBULSKI; MANSANI, 2017). De acordo com a pesquisadora Fernanda Mayer, o seu projeto constatou que 41% dos estudantes brasileiros têm depressão.

Ademais, segundo o artigo de “Saúde mental dos estudantes de medicina brasileiros” (2020), a prevalência de depressão foi de 8,2% em um total de 355 universitários do Rio de Janeiro, bem como, o índice de 28% em um total de 279 alunos do Rio Grande do Norte, tais dados estão associados a fatores como o estresse e a sensação de se sentir sozinho. Foi constatado ainda por Fernanda Mayer que a taxa de suicídio na população de universitários é maior do que a taxa na população normal, tendo como fatores associados os problemas psicológicos, a alta carga de estresse e a cobrança excessiva, bem como, morar sozinho, possuir pensamentos de abandonar o curso, sintomas depressivos e obssessivos cumpulsivos (TORRES et al., 2017).

Síndrome de Burnout

A síndrome é conhecida como uma resposta inadequada ao estresse emocional crônico, que se estende ao âmbito profissional e acadêmico (FARIAS et al., 2019). A palavra Burnout é entendida como queima após desgaste, algo que deixou de funcionar por exaustão (VIEIRA et al., 2017), dessa forma, o indivíduo é acometido fisicamente e psicologicamente.

Tal síndrome vem ganhando muita visibilidade nesse momento de pandemia, a mesma já vinha se mostrando entre os anos de 2016 a 2019, porém, vem tendo grande repercussão durante o período pandêmico, a SB remete alguns sintomas em comum com a depressão e com o cansaço, logo, é facilmente confundida e subestimada. Desse modo, é seriamente importante ter um olhar mais atento aos estudantes, principalmente, os universitários dos últimos anos da medicina (internato) que estão a todo tempo lidando com situações difíceis e agora sendo emancipados, na esperança de expandir a linha de frente contra a COVID-19.

Você sabia?

Diante dos dados apresentados, fica claro que os estudantes de medicina precisam ser ajudados para com a sua saúde mental. Por conseguinte, foi apresentado o Projeto de Lei 157/2017, o qual, quer que as instituições públicas e privadas de ensino ofereçam atendimento psicológico gratuito aos alunos de medicina, tendo como objetivo assegurar assistência emocional aos estudantes.

Além disso, é evidente que as universidades precisam investir em programas voltados para a qualidade de vida dos estudantes. Conforme Stuart Slavin, a grande maioria das faculdades que abordam o problema focam em soluções ligadas a cuidados pessoais, como incentivar os alunos a comer bem e a praticar exercícios físicos. Todavia,  isso tira a responsabilidade da instituição, logo, as mesmas devem ser incentivadas para com a implantação de projetos voltados para atendimentos neuropsicopedagógicos.

Conclusão

O vigente estudo procurou fazer uma revisão de dados através de artigos mais recentes entre os anos de 2017 a 2021 acerca da saúde mental do estudante de medicina. Em suma, a análise mostra que as taxas de prejuízo da saúde mental na população dos estudantes são maiores do que as da população em geral. São fartos os fatores que propiciam e justificam esses dados como o alto nível de estresse, elevada grade curricular, dificuldades financeiras e autoexigência que são características de personalidade de muitos universitários. Em conclusão, o estudo apresentou resultância negativa,  o  que favorece a repercussão e fornecimento de informações e referências, para que haja uma maior compreensão do acometimento da saúde mental nos estudantes de medicina, de forma que, com tal percepção, os alunos possam ser acolhidos e ajudados, seja por meio de apoio psicoterápico e/ou medicamentoso.

Autora: Alana Maia

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O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS:

Por que se preocupar com a saúde mental dos estudantes de medicina ? https://ipemed.com.br/blog/por-que-se-preocupar-com-a-saude-mental-dos-estudantes-de-medicina/

Saúde mental do estudante de medicina  https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/4375/4095

Saúde mental dos estudantes de medicina brasileiros https://pressreleases.scielo.org/blog/2020/06/19/saude-mental-dos-estudantes-de-medicina-brasileiros/#.YFqFBq9KjIU

Pare e olhe para você

https://www.einstein.br/saudemental

Brasileiro é o povo mais ansioso do mundo

https://www.unimed.coop.br/web/cascavel/noticias-unimed/brasileiro-e-o-povo-mais-ansioso-do-mundo-diz-oms-veja-como-controlar

Transtornos de Ansiedade

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600006

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