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A relação entre o câncer de mama e a obesidade

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A obesidade é uma doença crônica não transmissível, tem ganhando prevalência nos últimos anos e é considerada um desafio de saúde pública. Existem previsões que afirmam em 2025 existirão mais de 700 milhões de adultos obesos no mundo. A obesidade é um fator de risco para uma gama de enfermidades, como a doença do refluxo gastroesofágico, a colecistolitíase, a diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial, a osteoartrose, a apneia do sono, e também, o câncer de mama

O câncer de mama é uma neoplasia com alta prevalência em mulheres e é, com exceção dos de pele, o mais comum dos canceres. Estudos realizados apontam a obesidade como um fator de risco para a multiplicação de células anormais na mama. O instituto nacional do câncer (INCA) aponta que 30% dos casos podem ser prevenidos com a adoção de hábitos saudáveis, desde a prática de atividades físicas até a manutenção do peso corporal adequado. 

A obesidade na fisiopatologia do câncer de mama 

As células do corpo humano se renovam a todo momento e nesse processo a célula cancerígena se múltipla e origina um tumor, que tem potencial de gerar metástase (invasão de outros órgãos). A obesidade é um fator de risco modificável para o desenvolvimento da doença e de um pior prognostico: recidivas, metástase, câncer de mama contralateral e mortalidade. 

Os indivíduos obesos tem um maior nível corporal de estrogênio circulante por conta do aumento da enzima aromatase (responsável pela conversão dos andrógenos em estrógenos). Além da atuação fisiológica, a aromatase é responsável pela fisiopatologia, ao inibir a apoptose das células tumorais da mama e por proliferar essas células. 

Ademais desses fatores, a obesidade promove um estado inflamatório crônico, no qual se tem uma maior produção da adipocina, uma proteína produzida pelo tecido adiposo, responsável pela produção de diversas proteínas mediadoras da inflamação. Com o aumento dos mediadores da inflamação:   interleucina 1 e 6, fator de necrose tumoral alfa e proteína C reativa, promove-se a carcinogênese.

Outro fator relevante é a realização da quimioterapia (tratamento medicamentoso), que é realizada com dose menor que a necessária, pois como se já tem conhecimento, os medicamentos quimioterápicos são fortes e podem gerar fortes reações adversas, o que leva os oncologistas a temerem a toxicidade medicamentosa como o cálculo da dosagem baseada no peso corporal, resultando em uma diminuição da dose aplicada. 

O INCA, aborda o rastreio do câncer como uma das formas de reduzir a mortalidade gerada por essa neoplasia, além da possibilidade de diagnosticar e realizar um tratamento precoce e menos agressivo. O Sistema de Informação da Saúde (SIS) aponta que as mulheres obesas fazem menos mamografias que as mulheres com peso normal, o que pode ser relacionado a baixa autoestima corporal e ao constrangimento de realizar o exame, levando a uma diminuição do diagnóstico precoce. 

Fatores protetores 

Tendo em vista que a obesidade é um fator relacionado ao câncer de mama, é necessário também o conhecimento do que pode proteger o desenvolvimento dessa doença. Dentre os fatores protetores, se encontram: 

  1. O aleitamento materno:  o leite materno, contém células brancas, que destroem as células neoplásicas.
  2. Alimentação saudável: Além de ajudar no controle do peso corporal, uma alimentação saudável pode prevenir lesões causadas pela Espécies Reativas e Oxigênio (ERO’S), que promovem o estresse oxidativo, e posteriormente pode lesionar o sistema de reparo do DNA, levando ao desenvolvimento do câncer. 
  3. Atividades físicas: Ajuda no controle do peso corporal e reduz os níveis da ERO’S.

Detecção 

Todas as mulheres precisam conhecer o próprio corpo para serem capazes de identificar o surgimento de alguma alteração: algum caroço (nódulo), a hiperemia (a pele ganha uma coloração mais avermelhada) ou alguma alteração na conformação física, e após serem notadas, devem avaliadas por um médico. 

Segundo o Ministério da Saúde (MS), recomenda-se que as mulheres comecem o rastreamento com 50 anos de idade, e realizem o exame a cada 2 anos até completar 69 anos de idade.  Já segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASCO) o rastreamento deve começar com 40 anos de idade e deve ser repetido anualmente. 

Conclusão 

Os tumores da mama são majoritariamente, e possuem células que se ligam ao estrogênio e promovem o crescimento e disseminação da célula cancerígena. Ou seja, o fato de a minoria dos tumores serem desenvolvidos por meios metastáticos de outros órgãos e de possuírem uma alta relação com o estrogênio, leva ao raciocínio que é possível controlar determinadas medidas comportamentais que protegem contra o câncer de mama: praticar esportes, comer alimentos antioxidantes (frutas cítricas, frutas vermelhas, tomate e etc), não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. 

A partir do diagnóstico do câncer de mama é preciso realizar o estadiamento para planejar o tratamento. Os tratamentos variam de acordo com o caso/estadiamento da paciente, podendo ser realizado abordagem cirúrgica (mastectomia), radioterapia, quimioterapia e a hormônio terapia.  

Autora: Jaqueline Assunção

Instagram: @jaqueeassuncaoo


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências 

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