Síndrome de Down e deficiência visual
A Síndrome de Down é uma condição genética estudada há bastante tempo por cientistas e médicos, que buscam meios para alcançar melhores soluções e planos prognósticos para evitar complicações futuras para os portadores.
Um dos principais problemas que pessoas nesta condição enfrentam são os acometimentos relacionados à visão.
Se você pesquisar pela internet sobre “distúrbios visuais relacionados à Síndrome de Down”, você irá encontrar estudos controle, casos clínicos e revisões literárias com dados comprovando que crianças portadoras de Síndrome de Down possuem uma porcentagem bem mais elevada de problemas relacionados à visão que crianças não portadoras (Caso queira ver um desses estudos de maneira mais detalhada, acesse o link: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6587677/).
Mas afinal, por que é tão importante ter essa ótica sobre os problemas de
visão dos portadores de Síndrome de Down?
Os problemas de saúde relacionados à visão acometem entre 15 a 50% das crianças nesta condição.
Pessoas em fase de crescimento, precisam de uma variedade de estímulos para que possam aprender e entender um pouco o funcionamento do que estar ao seu redor, o que ganha uma importância maior em portadores de Síndrome de Down, que necessitam de uma maior atenção e de um plano de educação mais planejado.
O estímulo visual é a maneira mais eficaz de ensinar uma criança com Síndrome de Down a desenvolver-se mentalmente e socialmente, o que significa que a visão se torna o pilar central para aprendizagem e que qualquer problema relacionado a ela pode acarretar graves prejuízos.
Quais são os principais acometimentos oftalmológicos em crianças portadoras
de Síndrome de Down?
Entre os principais acometimentos relacionados à visão,
estão:
- Blefarite: Inflamação na região da pálpebra que pode afetar o canal lacrimal. O tratamento inclui manutenção e higiene da região e em caso de infecção confirmada, tratamento com fármacos.
- Catarata: pacientes portadores de Síndrome de Down estão propensos a adquirir catarata congênita, sendo necessário o acompanhamento em todas as consultas através do exame de fundo por oftalmoscópio.
- Estrabismo: desvio de um dos olhos, de modo que não é possível dirigir os eixos visuais para o mesmo ponto. Pode-se optar pelo uso de óculo e exercícios da musculatura ocular em casos diagnosticados precocemente e cirurgia corretiva em casos avançados.
- Hipoplasia do disco óptico: o disco óptico pode ser definido como a porção visível do nervo óptico visualizado no exame de fundo de olho, a hipoplasia desse disco está bastante ligada a diminuição da acuidade visual.
- Problemas relacionados a diminuição da acuidade visual: miopia, hipermetropia e astigmatismo.
Quando eu preciso começar a me preocupar com a visão do meu filho com Síndrome
de Down?
Segundo estudos, os problemas visuais tendem a aparecer mais
no início da infância, e além disso, esses problemas tendem a evoluir de
maneira mais aguda, comparado à crianças não portadoras da síndrome, sendo
necessário consultas semestrais ou anuais para acompanhamento, a depender da
decisão do médico oftalmologista.
O papel do acompanhamento médico
O acompanhamento oftalmológico torna-se vital para o desenvolvimento saudável do portador de Síndrome de Down. Em toda consulta, o médico irá avaliar e fazer um estudo comparativo entre o estado de visão atual e o anterior, visualizado na última consulta.
Isso é necessário para o diagnóstico precoce de problemas que podem surgir devido a condição do paciente, que se detectados precocemente os efeitos danosos são minimizados, requerendo um plano terapêutico menos agressivo, com menor chance de efeitos adversos.
O papel dos pais na prevenção
Com paciência e engajamento por parte dos pais, é possível que uma criança portadora de Síndrome de Down cresça de maneira mais saudável e feliz.
Como alguns dos principais problemas que os acometem acontecem na infância, é de vital importância que os pais estejam comprometidos a estudar e se informar sobre essas possíveis enfermidades e entender como prevení-las.
No caso de visita ao médico, independente da especialidade, é necessário acompanhar a criança em todas as consultas, estar atento as datas de retorno, entender o que está sendo transmitido pelo agente de saúde, tirar dúvidas e sempre manter contato, atualizando sobre o quadro quando necessário.
Após a passagem da infância, dependendo das condições que se encontram o portador, o auxílio dos pais as vezes ainda se torna necessário também na fase adulta.
É papel do médico se disponibilizar a estar presente o maior tempo possível para a construção de uma relação de confiança com os pais e uma boa relação médico-paciente.
A Síndrome de Down não é doença, é condição.
Atualmente, com o advento de novas técnicas para melhorar o desenvolvimento social, cognitivo e a prevenção de comorbidades em portadores de Síndrome de Down, é possível que eles tenham uma qualidade de vida muito melhor, maior expectativa de vida e uma evolução do raciocínio lógico.
Hoje existem portadores com ensino superior, músicos, esportistas e trabalhadores, o que comprova que a condição pode ser revertida dentro de suas limitações e isso só é possível através de um cuidado precoce e contínuo da saúde da visão.