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A radiação ultravioleta e sua relação com o câncer de pele | Colunistas

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A cada ano, em média, surgirão 185.380 novos casos de câncer de pele no Brasil, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para ocorrências anuais no período de 2020 a 2022. O câncer de pele é uma doença maligna ocasionada pelo crescimento descontrolado das células da pele e os seus tipos podem ser diferenciados de acordo com os tipos de células envolvidas. A exposição excessiva às radiações provenientes do sol e sem o uso de filtro solar são fatores de risco para desenvolver câncer de pele. As radiações são ondas eletromagnéticas ou partículas que se propagam com determinada velocidade, sendo classificadas como ionizantes ou não ionizantes. As radiações ionizantes são consideradas mais perigosas por possuírem alta frequência e incluem a radiação alfa, radiação beta e raio X. Por outro lado, as radiações do tipo não ionizante, como a ultravioleta (UV), possuem menor frequência e são as principais ondas relacionadas ao câncer de pele devido à exposição crônica. Quando se trata da radiação solar, a parte mais diretamente relacionada ao aquecimento da atmosfera terrestre é aquela compreendida pelo Infravermelho, Visível e Ultravioleta. A faixa do ultravioleta é ainda subdividida em três, de acordo com o comprimento de onda: a UVA, entre 400 e 320 nm; a UVB, entre 320 e 280 nm; e a UVC, entre 280 e 100 nm.

Fonte: https://www.sbd.org.br/dezembroLaranja/noticias/cancer-de-pele-pintas-que-mudam-de-cor-tamanho-e-formato-sao-alerta/

Como a radiação ultravioleta (UV) atua sobre a pele?

Os efeitos somáticos da radiação ultravioleta podem ser maléficos quando os indivíduos se expõem de modo excessivo, sem uso de mecanismos protetores. Seus efeitos sobre o organismo são consequência de interações com a pele, pois, ao atingi-la, parte é refletida de volta ao primeiro meio e a parte transmitida vai sendo absorvida pelas várias camadas até que a energia incidente seja totalmente dissipada. Os raios UVA ativam a melanina e criam um bronzeamento que aparece rapidamente, mas que se perde igualmente rápido. Além disso, os raios UVA penetram nas camadas profundas da pele e afetam o tecido conjuntivo e os vasos sanguíneos. Os raios UVB, por sua vez, estimulam a produção de nova melanina, o que conduz a um aumento maciço das quantidades de pigmento escuro em alguns dias; estimulando igualmente as células de modo que produzam uma epiderme mais espessa. Assim, os raios UVB são responsáveis pelo enfraquecimento e espessamento das camadas superficiais da pele.

Efeitos da exposição aos raios UV

Como principal evidência, sabe-se que indivíduos com pele mais clara necessitam de uma dose de radiação menor para desencadear um processo eritêmico, em relação àquelas observadas por indivíduos de pele mais escura. Por esta razão, a incidência de doenças relacionadas à exposição à R-UV é muito maior em indivíduos de pele branca, cabelos e olhos claros do que em mulatos e negros. As respostas do organismo à radiação se constituem em eritema, vermelhidão na pele devido à vasodilatação e possível formação de edemas localizados. As queimaduras provocadas pelos raios solares podem formar lesões consideradas letais em casos de superexposição, principalmente se houver a presença de fotossensibilizantes que amplifiquem os efeitos das radiações. Porém, além do eritema e da queimadura solar, ocorre o envelhecimento precoce e a fotocarcinogênese. A melanina, pigmento natural da pele, absorve com bastante eficiência as radiações UV do espectro solar que atingem a superfície, sendo que a sua formação pode ser imediata após a exposição ao UV. Esse processo de exibição ao UV provoca a síntese imediata ou tardia (entre 48 e 72 horas após a exposição ao UV) dos pigmentos a partir de melanócitos, o que faz com que a exposição repetida às radiações provoque espessamento da epiderme como fator de proteção ao organismo.

Tipos de câncer de pele mais comuns

O câncer que tem início em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, é denominado carcinoma; se começa em tecidos conjuntivos como ossos, músculos ou cartilagens é chamado de sarcoma. Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes (metástases). Os tipos mais frequentes de câncer de pele são o carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e o melanoma maligno. O carcinoma basocelular, embora muito frequente, é o que se origina nas camadas basais da epiderme ou no folículo piloso e apresenta menor potencialidade. Em relação ao carcinoma espinocelular, observa-se que ele cresce mais rápido que o basocelular e acomete áreas de mucosa aparente, como a boca, sendo resultado de efeitos acumulativos da exposição crônica aos raios UV do sol. O melanoma maligno, por sua vez, é um tumor que se origina dos melanócitos e possui alto potencial de produzir metástases. A profundidade da lesão do melanoma indica a gravidade da lesão, pois quanto mais profunda, mais grave e os riscos de metástases para outros órgãos serão maiores. Os principais fatores que predispõem ao melanoma maligno são genéticos, como a pele clara, história pessoal ou familiar de melanoma e grau de ligação próxima a parentes com essa patologia.

Diagnóstico e tratamento

O paciente que encontrou um sinal suspeito de câncer de pele deve ir ao posto de saúde e, em caso de urgência, deve procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os principais sinais do câncer de pele são feridas que não cicatrizam, pintas ou sardas que crescem rapidamente e que apresentam contornos irregulares. Para auxiliar no reconhecimento dessas lesões existe uma técnica didática de possíveis sintomas chamada ABCDE:

Assimetria: formato irregular;

Bordas irregulares: limites externos irregulares;

Coloração variada: diferentes tonalidades;

Diâmetro: maior que seis milímetros;

Evolução: aumento de tamanho progressivo.

O diagnóstico precoce, dessa maneira, é a melhor forma de evitar o surgimento de complicações associadas à metástase para outros órgãos, estando diretamente relacionada à probabilidade de cura. Além disso, essa detecção precoce é capaz de promover a diminuição dos índices de mortalidade e as doenças associadas a esse tipo de câncer. Quanto ao tratamento, a cirurgia é o tratamento mais indicado. A radioterapia e a quimioterapia também podem ser utilizadas, dependendo do estágio da doença. Quando há metástase (o câncer já se espalhou para outros órgãos), o melanoma é tratado com novos medicamentos, que apresentam altas taxas de sucesso.

Prognóstico e prevenção

O prognóstico do câncer de pele depende da incidência de metástases, por isso é tão importante a adoção de medidas de proteção quando os indivíduos se expõem ao sol, principalmente as pessoas de pele clara, pois estão mais suscetíveis. Para evitar a ocorrência de carcinogênese, portanto, deve-se incentivar o uso de filtros de proteção solar que absorvam as radiações UV com alto fator de proteção, não sofram fotodecomposição rápida e não sejam facilmente removidos pela água.

Somado a isso, é importante que haja uma educação direcionada e treinamento dos profissionais da saúde para o diagnóstico, além de muitas campanhas de prevenção. Como o melanoma é um tipo de câncer pouco frequente se comparado a outros tipos como o de pulmão ou de mama, as medidas preventivas terão mais êxito se forem dirigidas diretamente aos grupos de maior risco. Torna-se, assim, necessário a condução de estudos no Brasil que possam identificar estes grupos de alto risco e a partir de então estabelecer-se política de controle que contemple medidas adequadas e específicas. Portanto, são medidas preventivas:

  • Evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h;
  • Usar proteção adequada, como roupas, bonés ou chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV, sombrinhas e barracas;
  • Aplicar na pele, antes de se expor ao sol, filtro (protetor) solar com fator de proteção 30, no mínimo. Em dias nublados também é importante o uso de proteção.

Autora: Walérya Siqueira

Instagram: @waleryasb


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

DE OLIVEIRA, M. M. F. Radiação ultravioleta/índice ultravioleta e câncer de pele no Brasil: condições ambientais e vulnerabilidades sociais. Revista Brasileira de Climatologia, v. 13, 2013.

Organização Mundial da Saúde, 2007.

CORRÊA, M. de P. Índice Ultravioleta: Avaliações e Aplicações. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.

Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer – INCA, 2020. Disponível em:https://www.inca.gov.br/noticias/cancer-de-pele-saiba-como-prevenir-diagnosticar-e-tratar. Acesso em: 30 abr. 2021.

Instituto Brasileiro de Controle do Câncer – IBCC. Região Sudeste é a de maior incidência do câncer de pele. 2020. Disponível em: https://ibcc.org.br/regiao-sudeste-e-a-de-maior-incidencia-do-cancer-de-pele/. Acesso em: 30 abr. 2021.

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