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A quarta onda da crise do Covid-19: Uma análise sobre o impacto da pandemia na saúde mental | Colunistas

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Todos os
esforços que promoveram o desenvolvimento e modernização da sociedade se
voltaram para o alcance da autonomia e domínio humano diante dos mais diversos
desafios. Mas nem tudo pode ser controlado e o novo coronavírus, causador de
uma doença relativamente desconhecida e com contaminação acelerada, vem
mostrando o quanto a saúde mental é afetada pelas perdas, insegurança e
dificuldades inerentes à situação.

É
indiscutível que no cenário atual de pandemia, o distanciamento social e cancelamento
de diversas atividades são medidas fundamentais para “achatar a curva” da
disseminação e impedir a sobrecarga do sistema de saúde. Porém estudos mostram
que tal medida preventiva, ao impactar a rotina e as relações interpessoais,
sejam elas familiares ou laborais, aumenta consideravelmente os sintomas de
ansiedade, estresse e até depressão na população em geral.

Somado às
mudanças na socialização, a errônea estigmatização feita aos contaminados pelo Covid-19
amplifica os prejuízos psicossociais, uma vez que culpar o indivíduo por estar
doente e estabelecer um olhar excludente, mesmo após sua recuperação, são
comportamentos recorrentes.

Deve-se
enfatizar que, no contexto atual de incertezas e preocupações vivido por toda a
sociedade, o estresse surge como uma resposta fisiológica comum às situações de
ameaça e conflito, funcionando como uma estratégia positiva de readaptação. No
entanto, estímulos estressores constantes podem ultrapassar a capacidade de
resistência e adaptação do indivíduo, tornando-se patológicos e extremamente
prejudiciais.

Quando afeta
a saúde mental e diminui a qualidade de vida, o estresse constante pode levar à
insônia, compulsão alimentar e irritação. Um exemplo da gravidade desse
processo são os casos de suicídio notificados na Índia e Coreia do Sul
possivelmente ligados à crise causada pela pandemia atual.

Portanto,
conclui-se que o risco de infecção pelo Covid-19 não representa o único desafio
enfrentado pelo mundo, a implicação causada na saúde mental, conhecida como a
“quarta onda” da crise gerada pelo Covid-19, embora seja subestimada, precisa
receber a devida importância.

Por que a
“linha de frente” se encontra mais vulnerável?

Estudos
anteriores realizados em Cingapura, Hong Kong e Toronto identificaram um
aumento considerável do sentimento de angústia e sensação de perda do controle
entre profissionais da saúde que enfrentaram outros tipos de coronavírus
anteriormente, com índices mais altos entre os profissionais de enfermagem,
pois estes estabelecem um contato maior com os pacientes.

A maior
exposição ao vírus, responsabilidade pelo cuidado, falta de estruturas e
insumos, além do medo de contaminar outras pessoas, são algumas das diversas
preocupações que circundam os profissionais “da linha de frente”. Essa
conjuntura funciona como principal gatilho para que esse grupo seja um dos mais
impactados por um sofrimento psíquico significativo, que envolve, juntamente ao
estresse e sintomas ansiosos, uma enorme sobrecarga.

Além do
esgotamento mental observado em grande parte desses profissionais, outro fator
determinante para a maior vulnerabilidade do grupo é a resistência em
reconhecer quando adoecem mentalmente e precisam de ajuda. Assim, a saúde
mental é frequentemente negligenciada e ocultada pela imagem de herói
construída.

As
repercussões da pandemia nos atendimentos psiquiátricos

Para analisar
o panorama dos atendimentos psiquiátricos no contexto da pandemia, a ABP (Associação
Brasileira de Psiquiatria) fez um levantamento com seus médicos psiquiatras
associados em 23 estados e Distrito Federal. O estudo apontou que mais de 60%
dos médicos relataram aumento de novos pacientes que nunca tinham tido sintomas
psiquiátricos e também o retorno de pacientes que já haviam finalizado o
tratamento.

Ademais,
89,2% dos médicos entrevistados destacaram o agravamento de quadros
psiquiátricos em seus pacientes devido à pandemia de Covid-19. Dessa forma, os
dados evidenciam o quanto o cenário atual impacta a saúde mental das pessoas e
desestabiliza doentes psiquiátricos.

Em
contrapartida, devido às medidas de isolamento impostas em alguns locais, o
medo de contaminação dos pacientes, principalmente os que fazem parte de grupos
de risco, um grupo minoritário de psiquiatras perceberam uma diminuição dos
atendimentos e interrupção de diversos tratamentos, tendência contrária à
supracitada, porém igualmente preocupante, uma vez que a diluição do
acompanhamento pode comprometer gravemente a recuperação dos indivíduos.

O que fazer para atenuar essa situação?

Embora muitas
ações possam ser tomadas para amenizar os sentimentos de angústia e ansiedade,
é importante entender que as pessoas respondem de forma diferente aos variados
estímulos e atividades e, por isso, não existe uma receita exata e fixa que
garanta a resolução de tal problemática.

De acordo com
o manual proposto pela Sociedade Brasileira de Psicologia, é fundamental dosar
o consumo de informações e notícias e procurar fontes seguras, visto que o
fluxo exacerbado de informações falsas, além de aumentar a ansiedade, também
estimula comportamentos arriscados, como métodos de proteção equivocados contra
o vírus.

Outras
atitudes importantes para diminuir o impacto psicossocial da pandemia é tentar
aceitar o momento vivenciado e aproveitá-lo com atividades que promovam
bem-estar. Incluir na rotina uma alimentação saudável, junto a exercícios
físicos, além de utilizar as ferramentas digitais não só para o trabalho remoto,
mas também para se conectar com a família e amigos são medidas que
comprovadamente auxiliam na manutenção da saúde mental.

Por fim, cabe ainda salientar que procurar o apoio de psicólogos e psiquiatras é de suma importância quando o esforço individual não foi suficiente para atenuar o estresse e ansiedade, pois essa medida pode ser crucial para a recuperação do bem-estar em casos graves. Todas as atitudes que resultem em melhoria do bem-estar e cuidado com a saúde mental devem ser fomentadas e discutidas nos mais diversos âmbitos para que a “quarta onda” seja superada da melhor maneira possível.

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