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A Mulher e o Câncer de Mama | Colunistas

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A mulher e o câncer de mama: entre as doenças que atingem a glândula mamária, a que mais preocupa é o câncer, por ser o mais incidente e a principal causa de mortalidade por neoplasias em mulheres no Brasil.

Hoje o câncer de mama pode ser diagnosticado precocemente e dispõe de tratamento e possibilidades de cura.

Esse
câncer é resultado de uma multiplicação incontrolável de células anormais, que
surgem de alterações genéticas. Existem vários tipos, alguns evoluem de forma
rápida e agressiva; outros, na sua maior parte, têm evolução favorável quando
diagnosticado e tratado em tempo adequado.

Seus
principais tipos são: carcinoma ductal
– se origina nos ductos mamários e há vários subtipos, além de ser o mais
comum, cerca de 80% dos casos; e o carcinoma
lobular
– que se origina nos lóbulos que são responsáveis pela produção do
leite materno e costuma ser diagnosticado em cerca de 5 a 10% dos casos.

O
principal sinal da doença é o endurecimento fixo do nódulo mamário e é
geralmente indolor, enquanto seus outros sinais são: endurecimento de partes da
mama, mudança na pele (retração ou aparência de “casca de laranja”), saída
espontânea de líquido do mamilo, vermelhidão ou mudança na posição ou formato
do mamilo e nódulo no pescoço ou nas axilas.

Registros históricos do câncer de mama

Os
egípcios e gregos foram os primeiros a fazerem registros sobre tumores nos
seios, tratando a doença com amputações e remédios da época. Era descrito como Karkinos, palavra grega para caranguejo,
câncer que se manifesta como tumor deformando a pele sobre os vasos sanguíneos.

Na
antiguidade, médicos extraíam mamas doentes, causando sofrimento e mortes, mas,
com o surgimento de anestesias mais eficazes e da assepsia, no final do século
XIX, foi possível executar a chamada mastectomia radical, que retirava toda a
mama, musculatura peitoral e os linfonodos axilares. Essa intervenção foi
aceita até a década de 1950, quando técnicas cirúrgicas conservadoras passaram
a ser utilizadas.

Com o advento de novas formas de tratar e melhoria no diagnóstico precoce, muitas cirurgias radicais se tornaram desnecessárias. Na cirurgia conservadora, a técnica consiste em retirar o tumor e uma parte de tecido sadio ao seu redor como margem de segurança, preservando o restante da mama; com isso, seu principal benefício é a qualidade de vida, com menor impacto psicológico para as mulheres.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

A biópsia
do linfonodo sentinela tem sido utilizada no planejamento das cirurgias; se
nele não houver células cancerígenas, não é necessário retirar os linfonodos
axilares, evitando complicações como inchaço do braço e infecções repetidas.  

A técnica
diagnóstica conta com: mamografia, exame de imagem capaz de identificar nódulos
antes mesmo de serem palpáveis, e é o método de escolha para o diagnóstico do
câncer de mama desde 1976; exame clínico de mamas, que pode detectar tumores
superficiais a partir de 1cm; ultrassonografia, que avalia a forma e
consistência das mamas; e ressonância nuclear magnética, que pode ser usada de
forma a complementar outros exames.

O
tratamento do câncer de mama, atualmente, combina duas abordagens: local – cirurgia e radioterapia; sistêmico – atinge todo o corpo,
quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos. Essas abordagens,
quando combinadas, diminuem as possibilidades de o câncer retornar.

Diversos
são os fatores que estão relacionados ao câncer de mama, desde fatores
hormonais até a ambientais e hereditários, por isso é necessário manter o peso
adequado, praticar atividades físicas e evitar o consumo de bebidas alcoólicas
para diminuir o risco de câncer. O aleitamento também é considerado um fator
protetor.

No Brasil,
existem políticas de controle desde antes da criação do Sistema Único de Saúde
(SUS), na década de 1970. Essa política se resumia a tratamentos e cirurgias
efetuadas pela medicina previdenciária, até que em 1973 foi criado o Programa
Nacional de Controle do Câncer (PNCC), que visava reduzir os cânceres femininos
com ações de prevenção como a ampliação da oferta de mamografias e exames de
Papanicolau. Em 1987, lançou-se o Pro-Onco, um programa que unia o Ministério
da Saúde e o INAMPS (sistema de saúde previdenciário da época), para ampliar
informação e prevenção dos cânceres femininos.

Em 1988, foi
criado o Sistema Único de Saúde (SUS), e ações de controle do câncer tornam-se
mais abrangentes e de âmbito nacional. No início dos anos 90, a primeira ação
organizadora dos cânceres femininos no Brasil foi criada – Viva Mulher; em 2004,
foi lançada a Publicação do Documento de Consumo com diretrizes para controle
do câncer de mama e a Política de Atenção Integral à Saúde.

Em 2011,
o Governo Federal lançou o Plano de Fortalecimento da Rede de Prevenção,
Diagnóstico e Tratamento do câncer; em 2012, foi criado o Programa Nacional de
Qualidade da Mamografia (Portaria nº 531 MS/GM) e em 2013 o SISCAN (Sistema de
Informação do Câncer) atualizou o SISMAMA (Sistema de Informação do Câncer de
Mama) e o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Prevenção e
Controle do Câncer (portaria nº 874 MS/GM), que atualizou a Política Nacional
de Atenção Oncológica de 2005.

Outubro Rosa

O Outubro
Rosa é um movimento internacional que visa a conscientização da prevenção e do
diagnóstico do câncer de mama e que, além de chamar a atenção das mulheres para
a necessidade de frequentar o médico e de fazer a mamografia, estimula que a
mulher sempre faça o autoexame das mamas.

Foi
criado no início da década de 1990, pela Fundação Susan G. Komen for the Cure,
nos Estados Unidos, em apenas alguns estados fazendo campanhas isoladas sobre o
tema. Somente após a aprovação no Congresso Americano, o mês de outubro foi
reconhecido nacionalmente como mês da prevenção contra o câncer de mama e,
depois disso, laços cor de rosa se tornaram o seu símbolo.

Esse
movimento demorou a chegar ao Brasil, seu primeiro sinal foi em 2002, com o
Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, iluminado com luzes cor de rosa, e só em
2008 foi que o movimento ganhou força em várias cidades brasileiras, com
campanhas promovendo comidas e iluminando os principais monumentos com a cor
rosa durante a noite.

O Outubro
Rosa é importante por fazer com que a população feminina pare pelo menos uma
vez no ano para cuidar de si mesma.

Neste ano de 2020, foi lançado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) um movimento de conscientização chamado “Quanto Antes Melhor”. Esse movimento foi criado para chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia, com prática de atividades físicas e uma boa alimentação, para poder evitar inúmeras doenças, e, entre elas, o câncer de mama. Também serve para reforçar que há muita vida após a doença e que o cuidado com a saúde feminina deve ser olhado com atenção.

Autoria: Elisa Salomão

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